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Dois filmes, um crime brutal: Diretor revela detalhes de longas sobre o caso Von Richthofen

Em entrevista exclusiva, Maurício Eça conta sobre a ideia de fazer duas produções distintas e a importância de trazer o assassinato cruel para as telonas

Alana Sousa Publicado em 27/03/2021, às 09h00

Imagem do tribunal presente nos filmes A Menina que Matou os Pais, O Menino que Matou Meus Pais
Imagem do tribunal presente nos filmes A Menina que Matou os Pais, O Menino que Matou Meus Pais - Stella Carvalho

Há quase duas décadas, em outubro de 2002, o Brasil se deparava com um dos crimes mais violentos da História. Era noite de Halloween, quando o casal Manfred e Marisa von Richthofen foi assassinado brutalmente com marretadas na cabeça.

O duplo homicídio causou espanto na sociedade brasileira, que se perguntava quem seria capaz de fazer tal ato. O caso tomou novas proporções conforme as investigações avançavam, até revelar a mandante do crime: Suzane von Richthofen, a filha do casal.

A jovem de apenas 18 anos de idade contou com a ajuda do então namorado Daniel Cravinhos, e seu irmão Cristian. A cobertura da mídia foi intensa, tanto que não há quem não tenha ouvido falar dos assassinatos ou não conheça o sobrenome Richthofen.

Faltando pouco para o crime completar 20 anos, dois filmes pretendem trazer para as telonas o episódio brutal, contando com um detalhe inédito: a obra será dividida em duas produções diferentes, uma para contar o ponto de vista de Suzane e outra para expor a versão de Daniel.

A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais, ambos com previsão de estreia para o segundo trimestre de 2021 (adiado por conta do coronavírus), foram dirigidos pelo renomado diretor Maurício Eça, que conversou com o site Aventuras na História com exclusividade.

Entrevista com Maurício Eça

A princípio, Maurício enfatiza a satisfação que foi realizar o projeto, num período que levou 33 dias no total. “Foi uma experiência incrível dirigir dois filmes, dois pontos de vista e dois olhares sob uma mesma história. E para mim o mais desafiador foi ter realizado os dois filmes simultaneamente”, afirma o cineasta.

Pôsteres de divulgação dos filmes "A Menina que Matou os Pais" e "O Menino que Matou meus Pais" / Crédito: DIvulgação

 

Eça também explica que antes mesmo de pensar em fazer os filmes, já se interessava pelo trabalho de Ilana Casoy, que atuou como roteirista das produções, mas que já tinha escrito a aclamada obra ‘Casos de Família: Arquivos Richthofen e Arquivos Nardoni: Abra os arquivos policiais’. O diretor diz ter sido “uma honra” contar com a participação da autora no projeto.

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Maurício Eça / Crédito: Divulgação

“Quando pensei em contar essa história no cinema, procurei meu amigo Marcelo Braga, da Santa Rita Filmes, que se interessou por debater o tema. Então, apresentamos a ideia ao Gabriel Gurman, CEO da Galeria Distribuidora, que é coprodutora e distribuidora dos filmes, e juntos convidamos a Ilana e o Raphael Montes para escreverem o roteiro e aí começamos a desenvolver o projeto.”

No primeiro momento, o diretor nos conta que a ideia era fazer um filme com dois pontos de vista, porém, interligados em um só longa-metragem. Entretanto, depois, entendeu “que só com dois filmes conseguiríamos mostrar cada uma das versões, do começo ao fim, de forma neutra”. A principal dica para os telespectadores é que vejam um filme seguido do outro, como foi pensado pelos produtores.

“Não há uma ordem correta ou recomendada, cada um pode escolher qual filme prefere assistir primeiro. No entanto, somente com os dois filmes o público conseguirá tirar suas próprias conclusões sobre o que acredita ou não dessa história tão trágica”, aconselha Maurício.

Das manchetes para as telonas

Um dos maiores debates foi qual seria a importância de assistirmos aos crimes no cinema, visto que o caso foi amplamente coberto pela mídia nacional, além de contar com alguns documentários jornalísticos que revivem a trama de Suzane von Richthofen.

Sobre tal relevância, Eça explica: “Esse crime segue ocupando espaço na mídia e repercutindo há quase 20 anos. Discutir esse assunto e entender de alguma forma como a mente humana se comporta é importante. Assim como debatermos esse fato é fundamental para que ele nunca seja repetido”.

Elenco principal durante as filmagens / Crédito: Stella Carvalho

 

Ainda que outras produções que retratam crimes brutais de países estrangeiros sejam fortemente aclamadas na indústria cinematográfica americana, como é o caso do filme sobre Ted Bundy ou da esperada série sobre o canibal Jeffrey Dahmer. O público brasileiro demonstrou certo receio sobre o caso Richthofen ganhar duas adaptações.

O cineasta também afirma não ter a resposta para tamanha polêmica, mas especula uma tese: “Talvez, a resposta seja que não temos a cultura de fazer muitos projetos sobre crimes reais no Brasil, então pode ser difícil as pessoas entenderem que esse tipo de filme faz parte de um gênero e que é bastante realizado no exterior e é muito consumido por aqui”.

A expectativa para A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais é grande, tanto a crítica especializada quanto os fãs mais assíduos de ‘true crime’ estão aguardando há mais de um ano pela estreia, que ocorrerá ainda em 2021.

Suzane von Richthofen é interpretada por Carla Dias, e Daniel Cravinhos, por Leonardo Bittencourt  / Crédito: Stella Carvalho

 

Não só o público espera ansiosamente pelo lançamento. Maurício afirma que a equipe, que conta com Carla Diaz como Suzane, Leonardo Bittencourt como Daniel Cravinhos e Allan Souza Lima como Cristian Cravinhos, anseia pela chegada das obras ao cinema.

“Muita ansiedade em podermos dividir esses filmes com o público. Durante o último ano de pandemia, participamos de lives, divulgamos alguns conteúdos nas redes sociais e fizemos o possível para estarmos sempre nos conectando, trocando ideia. Assim como nós da equipe, as pessoas estão ansiosas pela estreia dos filmes, mas entendem que o melhor momento para isso chegará em breve”, finaliza Maurício Eça.


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Suzane assassina e manipuladora, de Ullisses Campbell (2020) - https://amzn.to/3aFqnVk

Casos de Família: Arquivos Richthofen e Arquivos Nardoni: Abra os arquivos policiais, Ilana Casoy (2016) - https://amzn.to/3wcHqJs

Richthofen, de Roger Franchini (2011) - https://amzn.to/2SkxkmG

O pior dos crimes, de Rogério Pagnan (2018) - https://amzn.to/2S287OY

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