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Dolly Oesterreich, a socialite que escondia o amante no sótão

A mulher vivia um casamento infeliz até conhecer Otto Sanhuber, que faria de tudo para manter a relação

Paola Churchill Publicado em 23/05/2020, às 09h00

Dolly Oesterreich e o marido Fred e ao lado, foto do amante, Otto Sanhuber
Dolly Oesterreich e o marido Fred e ao lado, foto do amante, Otto Sanhuber - Divulgação

Dolly Oesterreich era uma pacata dona de casa que passava boa parte do seu tempo sozinha em sua grande casa que vivia com seu marido, Fred Oesterreich, dono de uma empresa de aventais em Milwaukee, nos Estados Unidos.

Por ter um negócio de sucesso, Fred passava horas e mais horas trabalhando e após o cansativo expediente, bebia com o objetivo de tentar relaxar. Por outro lado, sua mulher ficava cada vez mais triste e frustrada: queria a companhia do homem.

Em uma tarde calorenta de 1913, a máquina de costura da mulher não estava funcionando. A situação representou um desespero para Dolly: aquela era a única distração em sua monótona vida. Ela ligou para o marido aos prantos pedindo sua ajuda, mas como ele não podia sair do trabalho, disse que mandaria um "faz tudo" para resolver o problema.

Retrato de Dolly Oesterreich/Crédito: Wikimedia Commons 

 

O homem era Otto Sanhuber, de 17 anos. Ele estava muito nervoso, pois não queria fazer nada de errado na casa de seu patrão. Assim, tocou a campainha e quando a porta se abriu, uma surpresa: Dolly o recepcionou usando apenas um roupão fino e meia-calça.

Naquele momento, os dois sentiram uma conexão fora do normal. Era o começo de um relacionamento extremamente insólito.

O amante no sótão

No começo, Dolly e Otto tentavam a todo tudo custo serem discretos no relacionamento extraconjugal. Os encontros eram realizados em motéis baratos, localizados em lugares distantes da cidade. Mas, com a paixão aumentando, os pombinhos começaram a ficar mais ousados e começaram a se ver na casa de Dolly.

Os vizinhos começaram a estranhar as constantes visitas de um desconhecido e foram perguntar para a dona de casa. Sem pensar duas vezes, Oesterreich disse que Otto era na verdade o “seu meio-irmão” que sempre a procurava para pedir dinheiro emprestado.

Mesmo que ela tenha conseguido despistar a atenção dos vizinhos, os dois ficaram preocupados com a visibilidade que tinham, até que a mulher veio com uma solução digamos que inusitada: chamou Sanhuber para morar em seu sótão. Por incrível que pareça, o amante aceitou.

Durante cinco anos, os dois viveram essa bizarra história de amor e o marido de Dolly em nenhum momento suspeitou que outro homem ocupava sua casa e dividia a cama com sua mulher.

Tragédia

Em 1918, Fred chegou feliz em casa e disse que tinha ótimas notícias: como a empresa estava indo de vento e popa, o casal iria se mudar para Los Angeles. A notícia parecia ótima, mas Dolly só conseguia pensar no que faria com o amante.

Depois de muito pensar, a mulher teve uma brilhante ideia. Afirmou que procuraria a casa e tinha uma preferência única: o local precisaria de um sótão enorme. Assim se deparou com uma perfeita residência, localizada na Sunset Boulevard. Por mais quatro anos, os dois viveram a relação tranquilamente sem que Fred sequer desconfiasse.

Parasita descoberto

Em agosto de 1922, Otto escutou gritos vindos da casa. Temendo que algo acontecesse com a amada, ele saiu do seu esconderijo para tentar ajudá-la. Assim que Fred viu seu antigo funcionário, tudo fez sentido. Imediatamente sacou uma arma para matá-lo.

Os dois começaram uma briga e aos prantos, Dolly pedia para que parassem com o embate urgentemente. Foi em vão: Otto conseguiu pegar a arma e disparou contra seu rival, que caiu morto. 

Desesperados, os dois armaram um plano para encobrir o crime: o amante prenderia a mulher dentro do armário e ela diria as autoridades que a casa havia sido assaltada.

Os oficiais, apesar de estranharem a situação, não conseguiam provar o contrário e nada foi feito. Dolly agora estava viúva e podia contar a todos sobre seu relacionamento com Sanhuber.

Dolly e seu marido, o empresário Fred Oesterreich/Crédito: Los Angeles Public Library

 

Mas Otto, que estava tão acostumado com a vida no sótão, preferiu continuar assim. Dolly acabou arrumando outro marido, o advogado Herman S. Shapiro, que assim como o seu primeiro homem, passava muito tempo fora de casa.

Nesse tempo, Oesterreich conheceu o jovem Roy Klumb. O objetivo dela era um só: pedir ajuda para esconder a arma usada no crime. Iludido e apaixonado, o homem atuou com a mulher. Passaram a se envolver, no entanto, Dolly — que já se relacionava com Otto e estava casada — decidiu terminar a relação.

Sentindo-se usado, Roy foi até a polícia e contou tudo que havia acontecido, como forma de vingança. Revelado o episódio, Dolly foi levada sob custódia, mas arma estava tão corroída que não foi possível culpá-la pelo crime.

Verdades reveladas

Durante todo esse tempo, Otto estava escondido no sótão, sem poder sair e sem comida. Dolly sabia da situação e assim decidiu falar sobre o rapaz para Shapiro. Alegando que era seu meio irmão que não tinha para onde ir, pediu que o marido levasse suprimentos para o rapaz.

Mesmo que com medo, o advogado seguiu as ordens da mulher e foi até o sótão da casa levar mantimentos para Sanhuber. O homem estava aos fragalhos, estava com fome e assustado e em um momento de delírio, contou toda a verdade para Herman que ficou chocado com a vida secreta da esposa. Com medo de que algo fosse acontecer com a amada, o advogado deu dinheiro a Otto o mandando desaparecer da vida do casal. 

Dolly foi solta após seu atual marido pagar a fiança e os dois viveram felizes por algum tempo. Shapiro, após sete anos de relacionamento, estava cansado das traições e brigas constantes que tinha com Oesterrich e decidiu contar toda a verdade para a polícia: que a mulher e o amante haviam matado Fred Oesterrich e haviam mentido desde então. 

Casa em Sunset Boulevard onde Otto ficava escondido no sotão/Crédito: Wikimedia Commons 

 

O estranho casal foi levado a julgamento, e Sanhuber foi acusado de homicídio. A defesa do amante contestou o veredito, alegando que o acusado não estava pensando direito: viveu anos sendo prisioneiro sexual da mulher. A mulher também foi acusada como cúmplice do crime. 

Porém, como já havia se passado muito tempo desde o crime, e todas as provas estavam perdidas, não tinha como condená-los pelo crime e os dois saíram livres sem ter que cumprir nenhuma pena. 

Dolly preferiu passar o resto de sua vida sozinha até morrer em 1961, com 80 anos. A singular saga da mulher, acabou virando um filme em 2018, The Lover in the Attic (O Amante no Sotão), dirigido pela atriz Melora Waters. 


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