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Dona Amélia: De imperatriz consorte a busca pelo reconhecimento de Dom Pedro II

Ela casou-se com Dom Pedro I e foi abandonada durante a gravidez. Após a morte do monarca, buscou por validação e só obteve com a ajuda de Dom Pedro II

Nicoli Raveli Publicado em 24/03/2020, às 09h30

Retrato da Imperatriz Amélia de Leuchtenberg
Retrato da Imperatriz Amélia de Leuchtenberg - Wikimedia Commons

Amélia de Leuchtenberg era filha de Eugenio de Beauharnais e de Augusta Amélia. Além da garota, o casal tinha mais quatro frutos, Augusto, Maximiliano Eugênio, Theodolinde e Caroline. Sua família era parte da realeza já que seu avô, pai de Augusta, era Maxilimiano José, rei da Baviera.

Seu pai era filho adotivo de Napoleão Bonaparte. Com a queda de Napoleão em 1814, Eugênio passou a ser o Duque de Leuchtenberg e ficou em Munique. Após sua morte, sua família perdeu as expectativas e, embora fossem nobres, o parentesco com Napoleão não servia como reconhecimento para a nobreza.

Foi no mesmo momento que ocorreu a morte da Imperatriz Leopoldina, e Dom Pedro I decidiu que precisaria de uma nova esposa. A missão foi concedida ao Marquês de Barbacena e, entre os requisitos, a mulher precisava ser de uma alta linhagem e apresentar características como beleza, educação e juventude.

Amélia Leuchtenberg / Crédito: Wikimedia Commons

 

A busca do marquês não seria fácil já que, após a morte da esposa, todos do exterior comentavam sobre sua relação amorosa com a Marquesa de Santos e suas humilhações públicas feitas à falecida mulher.

De qualquer maneira, o Marquês de Barbacena provou seu empenho ao encontrar a linda princesa de Bavária de 17 anos que disponibilizava de todas as qualidades exigidas pelo monarca, inclusive era parte da realeza devido ao seu avô, o rei da Bavária. Além disso, sua parte na realeza também se devia a ser neta adotiva da Imperatriz Josephine.

Em pouco tempo, o casamento foi arranjado e assinado na Inglaterra e ratificado um mês depois pela mãe da noiva. Em julho do mesmo ano, foi oficializado o casamento do imperador com Amélia.

Pintura do segundo casamento de Dom Pedro I / Crédito; Wikimedia Commons

 

A cerimônia, que foi realizada em Munique, foi simples e não teve muitos convidados, já que Amélia decidiu doar o dinheiro — que Dom Pedro havia disponibilizado para a festa — a um orfanato da cidade. Os dois se casaram quando ela tinha 17 anos e Pedro, 30.

Desembarque no Brasil

A nova esposa do imperador chegou ao Brasil em janeiro de 1829. Antes mesmo de desembarcar do navio, a mulher conheceu os filhos do primeiro casamento de Dom Pedro e todos almoçaram juntos. No dia seguinte, ela foi apresentada ao povo, que ficou deslumbrado com sua beleza. Após a apresentação, houve uma comemoração com fogos de artifício.

No início de 1830, a Imperatriz foi apresentada para a corte pela primeira vez. Ao se estabelecer, ela impôs à corte o francês como língua oficial e atualizou a culinária e a moda com seus antigos costumes.

Sua presença também foi essencial para que seu marido obtivesse novamente apoio popular diante a situação econômica e política do país. Sem sucesso e a caminho de uma crise profunda, Dom Pedro abdicou e seu filho, Pedro de Alcântara, assumiu o trono em 1831.

De volta à Europa

Dona Amélia estava grávida quando ocorreu a abdicação e decidiu seguir com o marido para a Europa, e foram recebidos com honra no exterior. A prefeitura ofereceu-lhes um local para que o casal pudesse se acomodar, mas o imperador decidiu abandonar sua esposa e ir para Londres.

Foi então que Amélia se reuniu a Dona Maria da Glória e ficou em Paris, juntamente com Dona Isabel Maria, a Duquesa de Goiás. Dez meses depois, a imperatriz deu à luz Maria Amélia de Bragança.

A mulher não se casou novamente e dedicou sua vida a sua filha e a caridade. Quando Dom Pedro II atingiu a maioridade, reconheceu as duas como membros da Casa Imperial Brasileira.

A morte da filha

Aos 22 anos de idade, Maria Amélia havia se casado com o arquiduque Maximiliano da Áustria. No auge da felicidade da família, ela começou apresentar sintomas de tuberculose e não resistiu.

Retrado de Maria Amélia, filha de Amélia e Dom Pedro I / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sua morte causou profunda depressão em sua mãe, que visitou todos os anos o túmulo da garota. Como homenagem, Amélia financiou a construção de um hospital intitulado Princesa Dona Maria Amélia. Após a morte da filha, a ex-imperatriz mudou-se para Lisboa, local onde, mais tarde, veio a falecer aos 73 anos.


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