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Dos 4 casamentos a doença impiedosa: Carolyn Jones, a eterna Morticia Addams

Nascida no Texas, a jovem atriz teve uma carreira meteórica, papéis icônicos e uma série de relacionamentos frustrados

Pamela Malva Publicado em 15/06/2020, às 10h30

A jovem Carolyn Jones, em 1956
A jovem Carolyn Jones, em 1956 - Wikimedia Commons

Um vestido preto que parece flutuar sobre o chão, cabelos longos em cor de carvão, unhas pontiagudas e olhos negros. Essa é a perfeita descrição da charmosa, misteriosa e icônica Morticia Addams, matriarca da Família Addams.

Protagonista do cenário de terror e do macabro, a personagem conquista diversos olhares, seja em cartuns, na série de TV ou nos filmes. Criada em 1938, Morticia satiriza a aristocrática mãe norte-americana do século 20.

Apesar de ter sido apresentada ao público pela primeira vez no jornal The New Yorker, Morticia acabou sendo eternizada por Carolyn Jones, na série de 1964. Quase tão emblemática quanto sua personagem, a atriz representava o sonho e o desejo por fama.

Carolyn Jones, aos 31 anos, em 1961 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Jovem e sonhadora

Natural de Amarillo, no Texas, Carolyn Jones era filha de uma dona de casa e de um barbeiro. Ao lado de uma irmã mais nova, cresceu em uma vida simples e tranquila, que foi abalada quando a família foi abandonada pelo pai, em 1934.

Aos quatro anos de idade, a pequena foi morar com os avós, acompanhada da mãe e da irmã. Acometida por uma asma grave, Carolyn tinha diversas restrições quando jovem e, na adolescência, não podia fazer muita coisa que seus colegas faziam.

Começou, assim, a ler revistas de fofocas de Hollywood e, inspirada pelas artistas das capas, decidiu que se tornaria uma atriz. Com a ajuda do avô, Carolyn se matriculou no Pasadena Playhouse na Califórnia, aos 17 anos.

Na instituição, conheceu um caçador de talentos que lhe abriu diversas portas no universo do cinema. Carolyn foi logo contratada pela Paramount Pictures, onde fez seu primeiro filme, The Turning Point, em 1952.

Imagem colorida de Carolyn Jones, em julho de 1958 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A conquista dos palcos

Uma vez apresentada ao universo das câmeras e das claquetes, Carolyn fez sua primeira aparição na televisão através da série Gruen Playhouse, ainda em 1952. Aos 22 anos, ela estava dando início à uma carreira meteórica.

Já divorciada de seu primeiro marido — um colega da faculdade, de 28 anos — Carolyn se casou com Aaron Spelling, em 1953. Ela ainda não sabia, mas o aspirante a cineasta seria apenas mais um de seus quatro maridos.

Depois de sua estreia frente às câmeras, a jovem atriz marcou presença em diversas produções ao longo de mais de dez anos de carreira. Uma verdadeira expoente da interpretação, Carolyn chegou a ser indicada a um Oscar e a dois Globos de Ouro — ganhando um Globo de Melhor Atriz, em 1957.

Carolyn Jones e John Church em peça da Broadway, em 1968 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um mundo de oportunidades

Reconhecida por suas incríveis atuações, Carolyn, então, foi convidada ao papel que mudaria sua vida e eternizaria seu nome no universo cinematográfico. Em meados de 1964, a atriz vestiu sua peruca de Morticia Addams pela primeira vez.

No seriado, a jovem artista mostrou um lado comediante que poucos conheciam e, assim, ela conquistou novos fãs e admiradores. Sua carreira estava, mais uma vez, decolando em velocidade máxima.

No mesmo ano de estréia de Família Addams, no entanto, Carolyn se divorciou de Aaron Spelling. Apesar da vida amorosa levemente frustrada, as atuações da artista levaram seu talento à grandes produções, como as séries Batman e Mulher Maravilha.

Carolyn Jones e John Astin como Morticia e Gomez Adamms, em 1964 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O fim de um sonho

Em meados de 1968, Carolyn casou-se pela terceira vez, agora com o diretor musical Herbert Greene. Com o fim da série Família Addams — em 1966 —, no entanto, a carreira da artista enfrentou um forte declínio e ela deixou seu companheiro, em 1977.

O último papel da vida de Carolyn foi como matriarca do clã Clegg, na novela Capitol, de 1982. Pouco antes de aceitar a personagem, a atriz foi diagnosticada com câncer de cólon, doença que rapidamente se espalhou para o fígado e o estômago.

Com dores constantes, a artista aparecia na novela em uma cadeira de rodas, mas afirmava que estava tratando de leves úlceras. Percebendo seu estado terminal, Carolyn decidiu se casar com seu namorado, ator Peter Bailey-Britton, ainda em 1982.

Na cerimônia matrimonial, ela usou um gorro de renda e fitas para esconder a perda de cabelo. A quimioterapia, no entanto, não surtiu o efeito esperado e Carolyn entrou em coma, em sua casa na Califórnia, em julho de 1983. Poucos dias mais tarde, sem herdeiros, a atriz morreu, aos 53 anos, em agosto de 1983.


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