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Aaron Hernandez: do sucesso na NFL a acusação de duplo homicídio

Com uma infância conturbada e um temperamento frágil, a trajetória do astro foi repleta de drogas e acabou em suicídio

Pamela Malva Publicado em 28/05/2020, às 11h00

Aaron no campo de futebol
Aaron no campo de futebol - Wikimedia Commons

Os últimos anos da vida de Aaron Hernandez não poderiam ser melhores para ele. Jogador da National Football League (NFL), ele fazia sucesso em campo, jogava no Super Bowl e tinha acabado de assinar mais um contrato em 2012.

No âmbito pessoal, as coisas também iam bem: tinha acabado de ficar noivo, após ter um filho com sua noiva, Shayanna Jenkins. O jogador de 23 anos estava, basicamente, no seu auge. No entanto, assim como fácil ganhar reconhecimento e fama, foi fácil cair do pedestal.

Com um passado obscuro, repleto de agressões físicas e sexuais ainda na infância, Aaron tinha um longo relacionamento com o crime e com as drogas. Nascido em 1989, ele nunca superou a morte do pai — que o agredia constantemente —, em 2006.

Logo na escola, o astro do futebol americano já havia conhecido o mundo da criminalidade e, em 2009, quando já estava fazendo sucesso, postou fotos segurando uma arma do modelo Glock. A imagem agressiva fez com que sua popularidade fora dos campos caísse.

Aaron com seu uniforme da NFL / Crédito: Getty Images

 

Anos mais tarde, um duplo homicídio ameaçou toda a carreira construída pelo jogador. No dia 16 de julho de 2012, Daniel Jorge Correia e Safiro Teixeira Furtado foram baleados em Boston, Estados Unidos.

Com seu comportamento, Aaron rapidamente se tornou o principal suspeito. Isso porque, segundo testemunhas, o atleta teria estacionado o carro ao lado do veículo das vítimas e, em seguida, disparado cinco tiros contra os dois.

Ainda de acordo com as testemunhas, a briga teria começado porque, em uma festa naquela noite, as vítimas acidentalmente teriam derramado bebida em Aaron, que ficou furioso. As imagens das câmeras da boate confirmaram a presença do jogador, mas nada mais.

Nesse caso, a maioria das evidências contra Aaron veio de Alexander Bradley, um traficante conhecido do jogador. O homem deu seu testemunho meses depois do duplo assassinato, como forma de vingança — Aaron teria atirado nele, por motivos que não ficaram claros, lhe causando um traumatismo craniano e a perda de um dos olhos.

Aaron, astro do futebol americano / Crédito: Getty Images

 

Mesmo com o testemunho de Alexander, no entanto, o jogador foi considerado inocente. Por um tempo, ele conseguiu se livrar da prisão. Até que outro crime apareceu. Em 17 de junho de 2013, Aaron Hernandez matou outro astro do futebol americano.

Contratado dos Boston Bandits, Odin Lloyd era um linebacker semi-profissional. Além de conhecido dos campos, os dois jogadores eram próximos na vida pessoal. Odin namorava Shaneah Jenkins, irmã Shayanna, a namorada de Aaron.

O corpo do jovem foi encontrado em um parque a menos de 1,6 km da casa do jogador da NFL. Ele tinha levado dois tiros no peito, além de outros ferimentos nos baços. Como se Aaron já não fosse suspeito, dessa vez, havia provas.

Através das investigações, as autoridades encontraram o DNA de Aaron próximo à cena do crime, além de filmagens que mostram o jogador entrando em sua mansão com uma arma em mãos. Ele estava acompanhado de mais dois homens e o horário bateu com o momento em que vizinhos ouviram tiros próximos.

Odin Lloyd, jogador morto por Aaron / Crédito: Wikimedia Commons

 

Principal suspeito, Aaron foi preso em 26 de junho de 2013. Em seu testemunho, o astro do futebol se declarou inocente das seis acusações — elas incluíam assassinato em primeiro grau e posse de arma ilegal.

Foi apenas no tribunal, durante o julgamento do jogador, que os supostos motivos do crime foram colocados em cima da mesa. Segundo os promotores, Aaron e Odin teriam brigado em uma boate em Boston, no dia 14 de junho.

Para alguns, o motivo da briga foi o crime de 2012 — Aaron estaria conversando com pessoas envolvidas e Odin escutou. Para outros, o problema era mais profundo: teoricamente, Odin sabia que Aaron era gay e o jogador da NFL não queria que seu segredo vazasse para a mídia.

A teoria sobre a sexualidade de Aaron foi confirmada quando, durante o julgamento, seu próprio advogado, George Leontire, falou sobre as tendências homossexuais do astro. “Aaron e eu conversamos sobre sua sexualidade, ele claramente é gay. Ele mesmo reconheceu”, disse.

Aaron em seu julgamento / Crédito: Getty Images

 

Ao fim dos julgamentos, o astro da NFL foi considerado culpado pelo assassinato de Odim Lloyd. A sentença — prisão perpétua sem a possibilidade de liberdade condicional — saiu no dia 15 de abril de 2015. Aaron, que conseguiu fugir da justiça tantas vezes, ficaria preso por muito tempo.

Dois anos depois, no entanto, ele escolheu outro destino. Aaron foi encontrado morto em sua cela, ao lado de uma nota de suicídio, em abril de 2017. Ele tinha 27 anos. A carta, endereçada para sua noiva, dizia: “conte minha historia por completo, mas nunca pense em nada que não seja o quanto eu te amo”.

A história de Aaron Hernandez foi revisitada em janeiro de 2020, quando a Netflix lançou Killer Inside: The Mind of Aaron Hernandez, uma série de documentários em três partes sobre a vida e a carreira do jogador. A trama investiga sua morte, seus crimes e sua sexualidade.


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