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Nazistas tinham um plano secreto para quebrar a economia britânica

Para vencer o país inimigo, o regime de Hitler colocou um plano mirabolante em prática - que acabou servindo para financiar as tropas nazistas

Joseane Pereira Publicado em 11/07/2019, às 08h00

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- Crédito: Reprodução

Uma das formas de vencer o país inimigo, que inclusive ocorre em períodos de paz, é quebrar a sua economia. E foi isso o que os nazistas tentaram fazer no início da Segunda Guerra: romper a economia britânica.

Em 1939, o chefe de investigação criminal da Alemanha nazista, Arthur Nebe, propôs uma operação secreta para forjar libras esterlinas. Com falsificadores qualificados, o regime de Hitler lançaria uma quantidade imensa de notas forjadas sobre o país, causando um colapso econômico mundial.

Um plano perfeito?

Joseph Goebbels, o Ministro da Propaganda do Reich, e o superior de Nebe, Reinhard Heydrich, acreditaram na eficácia do plano, apresentando-o prontamente ao próprio Adolf Hitler. Embora alertado pelo Ministro de Assuntos Econômicos de que o plano violava a lei internacional, o líder nazista imediatamente aprovou o plano, que passou a se chamar Andreas.

Arthur Nebe em 1941 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1940, uma unidade de falsificação foi montada em Berlim. Após sete meses, eles conseguiram produzir uma cópia virtualmente indistinguível da nota de cinco libras, com número de série válido e tons exatos de papel e tinta. Dois anos depois, cerca de 3 milhões de libras foram produzidas sem falhas.

Apesar de prontas, essas notas não caíram sobre a economia britânica por dois fatores: um desentendimento entre Heydrich e outros superiores e a descoberta da operação Andreas por espiões britânicos. Por cautela, o Banco da Inglaterra parou de produzir novas notas de cinco libras e lançou uma versão especial de nota de uma libra com um fio de metal atravessando o papel.

Nova tentativa

Em 1942, a operação foi revivida por Heinrich Himmler, mas dessa vez com um novo objetivo: usar o dinheiro para financiar operações secretas das divisões de inteligência alemãs. Dessa vez, os falsificadores seriam mais de cem especialistas judeus encarcerados em campos de concentração.

UNota de 5 libras forjada por prisioneiros judeus / Crédito: Reprodução

 

Além do equipamento, os prisioneiros receberam cigarros, jornais, livros e um rádio. Pelo envolvimento na operação, muitos estavam escapando da morte certa. Em um ano, foram produzidas cerca de 700 mil notas falsas, usadas para financiar operações nazistas secretas. Delas, 100 mil libras foram usadas para libertar Benito Mussolini na invasão de Gran Sasso, em setembro de 1943.

E o alvo não foi só a Inglaterra: em 1944, os judeus prisioneiros tentaram forjar o dólar americano. Além de ser mais difícil do que a libra, os judeus perceberam que se criassem uma nota perfeita, o trabalho estaria acabado e eles seriam prontamente executados. Diminuindo seu progresso ao máximo, apenas vinte cédulas de 100 dólares foram produzidas.

Com o avanço das forças aliadas, os prisioneiros foram obrigados a destruir todas as notas falsas remanescentes. A maior parte do dinheiro, juntamente com o equipamento, foi jogada em lagoas próximas. Embora nenhum dano sério tenha sido feito à economia britânica, um número suficiente de notas falsas de libra entrou em circulação geral, de modo que o Banco da Inglaterra mudou o desenho das notas após a guerra.