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"Eles veem-me como algum tipo de ameaça": Diana sabia que não seria rainha?

Em 1995, uma entrevista polêmica chamou a atenção para uma possível promoção de Lady Di na Família Real Britânica

Wallacy Ferrari Publicado em 15/11/2020, às 08h00

Diana, Princesa de Gales
Diana, Princesa de Gales - Getty Images

Com a estreia da nova temporada de The Crown, os fãs da produção se animaram com a maior novidade da temporada: a aparição de Lady Di, que entrou para a história como Princesa do Povo. A nova etapa da série, da Netflix, promete abordar os primeiros momentos do casamento de Diana com Princípe Charles, filho de Elizabeth II. 

O almejo da Família Real Britânica pelo trono máximo se tornou uma disputa de séculos na monarquia — sendo palco de inúmeras polêmicas. Na segunda metade do século 20, no entanto, uma figurinha de fora da família foi integrada para entrar na história do Reino Unido; Diana se casou com o príncipe Charles, filho da rainha Elizabeth II, captando as atenções para um dos relacionamentos mais populares do mundo.

Contudo, os episódios de desentendimentos e incompatibilidade resultaram no divórcio em 1992, sendo um assunto proibido para ambos os amantes — pelo menos até 1995. Com o processo de divórcio ainda em vigor, Diana aceitou conceder uma entrevista para Martin Bashir, jornalista da BBC, prometendo responder abertamente sobre os fatores que motivaram a desunião.

A reportagem, assistida por 20 milhões de britânicos e vendida para exibição em diversos países, contou com a revelação da traição de Charles, além de desbravar questionamentos sobre como a loira era recebida no Palácio de Buckingham. Em certo momento, o jornalista decide perguntar se Diana enxergava algum tipo de animação em seu cargo real.

Diana em entrevista com Martin Bashir, em 1995 / Crédito: Divulgação / BBC

 

Rainha Diana?

Sem a confirmação jurídica do encerramento do casório, Bashir questionou diretamente a então esposa de Charles: “Acredita que algum dia será rainha?”. Diana foi incisiva e respondeu imediatamente: “Não, não acredito. Gostava de ser rainha do coração das pessoas – no coração das pessoas — mas não me vejo como rainha deste país”.

A rapidez na resposta chamou a atenção do jornalista, que questionou a certeza na afirmação. Diana retrucou, afirmando que não seria aceita na hierarquia por não ser adepta de “um livro de regras” e preferir “seguir o coração” nas decisões: “Eles veem-me como algum tipo de ameaça e eu estou aqui para fazer o bem. Não sou uma pessoa destrutiva”.

Diana acrescentou, afirmando que sentia o machismo da instituição familiar e também pela exposição midiática: “Creio que todas as mulheres fortes na história tiveram de percorrer um caminho semelhante. E acho que é a força que causa a confusão e o medo. Porque é que ela é forte? De onde vem essa força? Onde é que ela quer chegar? Porque é que o público continua a apoiá-la?”.

Príncipe Charles, rainha Elizabeth II e princesa Diana no Palácio de Buckingham em 1981 / Crédito: Getty Images

 

Em 31 de agosto de 1997, o mundo recebeu a notícia de que Diana, a princesa de Gales, teria falecido em um trágico acidente de carro em Paris, França, junto de seu namorado Dodi Al-Fayed e o motorista Henri Paul. Trevor Rees-Jones, guarda-costas de Dodi, foi o único sobrevivente.

Durante o acontecimento, o casal estava sendo perseguido por nove paparazzis franceses, quando o motorista perdeu o controle do carro e bateu no décimo terceiro pilar do túnel da Ponte de l’Alma. Dodi e Henri teriam morrido ainda no local e, segundo a perícia, nenhum dos ocupantes fazia o uso do cinto de segurança.

Investigação

A polêmica reportagem revelou diversos pontos inéditos da Família Real, contudo, foi rodeada de dúvidas em relação aos métodos de questionamento, rendendo uma investigação da emissora, 25 anos após a estreia. Conforme divulgado pelo Daily Mail, de acordo com o irmão de Lady Di, Charles Spencer, Bashir usou de métodos fantasiosos para conquistar a confiança da ex-monarca.

Ele afirma que Bashir apresentou provas falsas de que existia uma rede secreta de vigilância montado pela Família Real, forjando ocasiões onde o carro de Diana era perseguido e o telefone grampeado, além de apontar que o relógio do filho da loira, príncipe William, tinha um gravador de áudio.

A BBC alegou que já reabriu a investigação interna em novembro de 2020, avaliando se Martin usou de premissas falsas para motivar a rara entrevista com Diana. Em comunicado, alegaram que "infelizmente, estamos limitados pelo simples fato de não termos como discutir nada disso com Martin Bashir, que está gravemente doente. Quando ele se recuperar, iremos certamente conduzir uma investigação sobre esses temas".


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