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Elizabeth I: a teoria da conspiração sobre seu verdadeiro gênero

Construídos historicamente, boatos indicam que a monarca na verdade seria do sexo masculino

Joseane Pereira Publicado em 19/08/2019, às 10h00

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- Reprodução

A rainha Elizabeth I, que governou a Inglaterra durante 45 anos, se importava profundamente com sua imagem. Conhecida como Rainha Virgem e sempre aparecendo de peruca, a monarca acabou sendo fruto de uma curiosa teoria da conspiração: na verdade, quem ocupou o trono inglês de 1558 até 1603 era do sexo masculino e não feminino.

Trocada na infância

Conhecida como Bisley Boy, a teoria conspiratória afirma que o rei Henrique VIII, pai de Elizabeth, foi tão manipulado por seus cortesãos que não reconheceu que a própria filha havia sido trocada por outra pessoa. A história diz que, com apenas 10 anos, a garota foi mandada junto a criados para a vila de Bisley, em Gloucester, fugindo de um surto de peste bubônica que assolou Londres. Para a família real, a jovem princesa estaria mais segura longe da capital onde a peste se concentrava.

Mas, a despeito dos desejos familiares, algo terrível aconteceu a Elizabeth na pequena vila: segundo a teoria, ela teria sucumbido à doença e falecido no local. 

Raro retrato de Elizabeth antes da coroação /
Crédito: Reprodução

 

A tragédia causou grande pânico entre os cortesãos, e tanto a governanta Lady Kat Ashley quanto o guardião Sir Thomas Parry tentaram esconder a morte. Além de não ser informado sobre as notícias devastadoras, Henrique VIII acabou sendo vítima de uma falácia cruel: responsáveis pela pequena e com receio de reprimendas, os cortesãos tiveram a insana ideia de procurar nas aldeias por uma garota idêntica a ela.

Após enterrar o corpo próximo à casa, eles acabaram não encontrando nenhuma garota em Bisley que tivesse cabelos vermelho-fogo e físico semelhante a Elizabeth. No entanto, havia um candidato: um menino chamado Neville. Vestindo peruca e roupas de garota, ele acabou por herdar o trono e reinar sobre a Inglaterra na sua Idade de Ouro, sendo conhecido por todos como a célebre Elizabeth I.

Entre os argumentos dos que defendem essa história, está o fato de que a rainha nunca aceitou as ofertas de casamento vindas de toda a Europa, ficando conhecida como A Virgem, e também a maneira estranha como ela controlava seus retratos feitos por pintores.

Entretanto, evidências factuais de que Elizabeth I era uma mulher – como o uso de vestidos que enfatizavam suas características femininas – são mais do que abundantes, relegando essa história ao rol de teorias curiosas da conspiração.