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Elizabeth Williams, a mulher por trás da descoberta de Plutão

No ano de 1930, Clyde Tombaugh conseguiu provar a existência do planeta-anão; no entanto, isso somente foi possível graças a uma mulher

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 30/05/2021, às 09h00

A matemática Elizabeth Williams
A matemática Elizabeth Williams - Divulgação/Lowell Observatory

No dia 18 de fevereiro de 1930, o astrônomo americano Clyde Tombaugh conseguiu provar à comunidade científica a existência de um pequeno planeta em nosso sistema solar, localizado após Netuno. Este foi, portanto, um feito histórico importantíssimo para a astronomia.

Porém, nada disso seria possível se não fosse pelo trabalho de uma brilhante mulher chamada Elizabeth Williams, uma grande matemática que trabalhou para o astrônomo Percival Lowell.

Este, apesar de ter sido o primeiro cientista a estabelecer teorias acerca da existência de um nono planeta, infelizmente acabou por morrer antes mesmo de Tombaugh conseguir visualizar Plutão pela primeira vez.

O descobridor de Plutão, Clyde Tombaugh / Crédito: Domínio Público/Popular Science Monthly

 

Presença feminina na ciência

Nascida em 8 de fevereiro de 1879, em Putnam, Connecticut, Elizabeth formou-se em física pelo MIT em 1903, tendo sido uma das primeiras mulheres a fazerem curso superior.

Mais do que isso, ela era um verdadeiro gênio e trabalhava como um "computador humano", como eram conhecidas na época as pessoas que se destacavam por seus conhecimentos matemáticos e realizavam cálculos à mão. Em sua grande maioria, essas pessoas eram do gênero feminino, segundo informações do Canal Tech.

Mas, por viver em uma sociedade extremamente machista, essas mulheres não tinham a mesma visibilidade dos homens e acabaram tendo sua história esquecida com o passar do tempo. É por esse motivo que não há muitas informações disponíveis sobre Williams nos dias de hoje.

O astrônomo Percival Lowell / Crédito: Domínio Público / James E. Purdy

 

Contratada por Lowell

O que sabemos é que Elizabeth começou a trabalhar para Percival Lowell no ano de 1905, dois anos após sua formatura. Ela atuava em um escritório na cidade de Boston, onde fazia cálculos para buscar determinar a localização de um planeta até então desconhecido, mas que, conforme explicara Lowell, teria alterado as órbitas de Netuno e Urano.

"Percival Lowell notou pela primeira vez que as órbitas de Netuno e Urano não eram exatamente o que deveriam ser", explicou Catherine Clark, aluna de doutorado em astronomia no Observatório Lowell. O passo seguinte era encontrar, por meio de cálculos, a possível órbita do novo planeta.

Resultados

Os cálculos de Elizabeth Williams levaram a previsões para a localização do planeta desconhecido, porém, o projeto foi interrompido com a morte de Percival, que se deu no ano de 1916.

Apenas no final da década de 1920 o trabalho foi retomado, desta vez com a contratação de Clyde Tombaugh, quem passou a liderar a pesquisa. Utilizando as previsões de Elizabeth, ele, finalmente, conseguiu localizar Plutão em 1930.

Plutão, o planeta-anão / Crédito: Getty Images

 

Porém Williams acabou sendo demitida logo após seu casamento, em 1922, uma vez que o ato de empregar uma mulher casada era tido como algo inapropriado na época.

Então, junto a seu marido, o astrônomo George Hall Hamilton, passou a trabalhar em um observatório na Jamaica. O estabelecimento foi administrado pelo Harvard College Obervatory até o ano de 1935, quando Hamilton faleceu.

Após a perda do cônjuge, Elizabeth se mudou para New Hampshire, onde morreu pobre e sem ver a descoberta para a qual tanto contribuíra.


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