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Carlos II de Navarra: O rei queimado por engano

Em 1387, num episódio considerado como "castigo divino", por pura estupidez o monarca foi transformado em um coquetel molotov humano

Thiago Lincolins Publicado em 17/03/2019, às 20h00

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Wikimedia Commons

Carlos II de Navarra já vinha de uma carreira de traições, massacres e fracassos que fariam com que ficasse registrado na História como Carlos, o Mau.

Na virada do ano de 1386 para 1387 ele estava acamado em seu castelo, sem poder usar os membros. Ouvia-se pelos cantos ser uma merecida punição divina. Mas a punição só estava para começar.

Seu médico sugeriu um tratamento que, pela média da medicina medieval, era até agradável: foi embrulhado da cabeça aos pés em panos encharcados de conhaque.

Coube a uma enfermeira costurar os panos no corpo do monarca. A tragédia veio quando restava apenas o último pedaço. Estava escuro e a enfermeira pegou uma vela para encontrar a tesoura. E o rei foi incendiado. De imediato o fogo se espalhou por todo o pano e, consequentemente, fez com que fosse queimado por inteiro.

Os últimos dias de vida do monarca Reprodução

As notícias da morte correaram a Europa. E ninguém lamentou o rei, acreditando que Deus apenas havia movido as mãos da enfermeira em seu merecido castigo. Ela fugiu e não há registros do que aconteceu com ela.

Há versões mais benévolas. Outros afirmaram que simplesmente foi um carvão saído do aquecedor. O bispo da cidade registrou que o monarca morreu em paz, na cama, e que deu a ele a extrema-unção. Quem sabe seja tudo lenda, uma fantasia de vingança dos que sofreram com sua tirania.