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Epidemia da dança: Durante quatro meses, em 1518, dezenas de pessoas começaram a dançar até a morte

Sem conseguirem controlar o movimento de seus corpos, cerca de 15 pessoas morriam todos os dias de ataques cardíacos, derrames cerebrais e até mesmo a exaustão. Mas por que isso aconteceu?

Fabio Previdelli Publicado em 21/08/2020, às 10h48

Pintura que retrata a epidemia de 1518
Pintura que retrata a epidemia de 1518 - Arquivo Público

Era apenas mais um dia de julho quando Frau Troffea começou a dançar nas ruas de Estrasburgo, França, em 1518. Os espectadores admiravam e aplaudiam a energia da mulher e toda sua alegria de viver.

Mas logo os estranhos movimentos de Frau ficaram estranho demais. Isso porque ela continuou a dançar, dançar e dançar, sem descanso, por longos e exaustivos seis dias seguidos. Mas o insólito gingado contagiante não parou por aí.

Gravura de Henricus Hondius retratando três mulheres acometidas pela praga / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dentro de uma semana 34 pessoas se juntaram a ela — e em um mês já havia cerca de 400 pessoas dançando pelas ruas. Nada que fosse feito parecia surtir efeito para acabar com a dança maluca, nem mesmo a morte. Afinal, no auge da epidemia cerca de 15 pessoas morriam todos os dias de ataques cardíacos, derrames cerebrais e até mesmo a exaustão.

Documentos históricos, incluindo "observações médicas, sermões catedráticos, crônicas locais e regionais, e mesmo notas divulgadas pelo conselho municipal de Estrasburgo" informavam que as vítimas interpretavam passos de dança e não apenas se contorciam de maneira aleatória.

Preocupados com a pandemia que se espalhava, nobres locais procuraram o conselho de médicos da região para obter uma resposta. Eles concluíram que a dança era motivada por uma doença natural — descartando causas astrológicas ou sobrenaturais — provocada por “sangue quente”.

Quadro retrata pessoas que foram acometidas pela epidemia / Crédito: Arquivo Público

 

Em uma medida desesperada de cessar o requebrado incessante das pessoas, as autoridades da cidade tentaram curar as pessoas incentivando elas continuarem a dançar, abrindo dois salões, um mercado de grãos e até mesmo construíram um palco de madeira no local onde tudo começou. Infelizmente, a iniciativa não deu certo, muito pelo contrário, eles só incentivaram mais pessoas a se juntarem à mania.

O problema só veio ao fim depois de quatro meses ininterruptos de muita dança e diversas mortes. A epidemia acabou da mesma maneira que ela se iniciou: de repente. E, enfim, as pessoas puderam retornar a sua vida normal.


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