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Em 1918, um desfile na Filadélfia em plena Gripe Espanhola causou milhares de óbitos

O evento aconteceu mesmo depois de especialistas alertarem sobre o risco que a parada representava e as consequências foram fatais

Penélope Coelho Publicado em 07/01/2021, às 16h42

Desfile militar em plena pandemia de Gripe Espanhola, nos EUA
Desfile militar em plena pandemia de Gripe Espanhola, nos EUA - Divulgação/ USA Naval History and Heritage Command

Desde março de 2020, o mundo enfrenta uma pandemia que já matou mais de 1.884.266 pessoas. O aumento de casos de infecção pelo novo coronavírus no Brasil vem preocupando as autoridades da saúde.

Sabe-se que as aglomerações e a falta do uso de máscara podem causar consequências perigosas no atual momento. Contudo, essa não é a primeira vez que uma pandemia assola o globo.

Entre os anos de 1918 e 1920, a chamada Gripe Espanhola fez pelo menos 50 milhões vítimas fatais em todo o mundo.

Assim como na situação atual, algumas regras básicas de enfrentamento contra a disseminação do vírus foram descumpridas na época, causando uma verdadeira tragédia. Um dos exemplos mais marcantes sobre esse erro fatal envolve um desfile realizado na Filadélfia, Estados Unidos. 

Hospital nos Estados Unidos lotado de vítimas da gripe espanhola, em 1918 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ignorando as regras

Em meados de 1918, especialistas da área da saúde já alertavam para os perigos que aglomerações representam em um momento de pandemia, contudo, muitos negligenciavam as recomendações e minimizavam os efeitos doença (não muito diferente dos dias atuais).

Na época, os Estados Unidos vivenciavam um período de grande mobilização patriota, com a Primeira Guerra Mundial chegando ao fim. Naquele momento, os desfiles militares eram eventos quase obrigatórios para os norte-americanos demonstrarem apoio ao país.

Em 28 de setembro de 1918, um desses desfiles foi marcado para acontecer na Filadélfia, Pensilvânia. E assim como nos dias atuais, o evento representou uma verdadeira catástrofe. 

Conforme divulgado pela BBC em 2020, profissionais da área imploraram para que o episódio fosse cancelado, no entanto, toda a situação e os apelos acabaram sendo deixados de lado pelo então diretor de Saúde Pública local, Wilmer Krusen. Acontece que ele era um ginecologista (que não teve infectologia no currículo).

Mesmo com o alerta sobre o alastramento da doença, que saía dos campos militares e chegava até a população civil, a parada aconteceu. E assim foi iniciado um dos mais tétricos episódios da História.

Consequências

Naquele fatídico 28 de setembro, a população se dirigiu até as ruas da Filadélfia. 200 mil pessoas se reuniram no evento grandioso, estima-se que cerca de 600 marinheiros que participaram do desfile já estavam tomados pelo vírus antes do ocorrido.

Os resultados apareceram algumas semanas após a parada. Na ocasião, a cidade tinha cerca de 1,7 milhão de moradores. Após o evento, aproximadamente de 47 mil pessoas sentiam os efeitos do vírus.

Contudo, o cenário era ainda mais assustador: mais de 12 mil perderam suas vidas em decorrência da doença, tornando a Filadélfia uma das localidades mais afetadas pelo vírus.

As consequências da decisão se transformaram em um verdadeiro caos na saúde pública local. Isso porque eventos do tipo acabaram sendo realizados na Filadélfia, contudo, nenhum deles contou com tantas pessoas reunidas. 

Polciais observam vítima da Gripe Espanhola / Crédito: Biblioteca Nacional

 

O Smithsonian mostra que em decorrência da decisão errônea, o considerável aumento de casos fez com que os estabelecimentos da cidade como: escolas, igrejas, teatros e bares, fossem finalmente fechados.

Assim como vivemos atualmente, já era tarde demais: a Gripe Espanhola havia se espalhado amplamente na região.

Com grande parte da população acometida pela doença, logo, os leitos dos hospitais estavam lotados e muitos não puderam receber tratamento. Com o aumento das mortes, não havia caixão o suficiente. O History EUA documenta, por exemplo, que o necrotério local não tinha nem espaço para receber o monstruoso número de pessoas. 

Num cenário digno de um filme de terror - mas nada distante do que encaramos atualmente - as vítimas do vírus eram enterradas em valas comuns.

Já o destino final dos cadáveres era realizado de maneira incomum: os restos humanos eram levados para o 'sepultamento' através de carroças. Seis meses depois do desfile, 16 mil moradores daquela região faleceram em decorrência da Gripe. 


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