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Em 1943, Hitler tentou assassinar Churchill com uma bomba de chocolate

Entre os itens de luxo do gabinete, o primeiro-ministro do Reino Unido seria presenteado com um chocolate inflamável

Thiago Lincolins Publicado em 12/07/2019, às 08h00

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Crédito: Reprodução

Em 4 de maio de 1943, Victor Rothschil, chefe de inteligência do MI5 — a polícia secreta britânica — escreveu uma carta a Laurence Fish, um ilustrador que trabalhava em sua unidade. Ao abrir a correspondência, Fish se deparou com uma informação surreal. "Recebemos informações de que o inimigo está usando barras de chocolate que são feitas de aço com uma cobertura muito fina de chocolate de verdade”, afirmava Rothschil na carta.

A carta que descrevia o plano dos nazistas / Arquivo Laurence Fish
 Antes mesmo de a Segunda Guerra Mundial eclodir, Churchill já alertava o governo britânico sobre a crescente influência de Hitler. A ascensão meteórica do ditador, baseada no revanchismo causado pela derrota na Primeira Guerra e pelo Tratado de Versalhes, e na eugenia ariana da ideologia nazista, fazia com que Churchill já o enxergasse como um perigo para a Grã-Bretanha.
Quando Winston Churchill assumiu o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, em 1940, o Führer o enxergou como um grande obstáculo. E como qualquer inimigo, Churchill deveria ser eliminado. Assim, as tropas nazistas começaram a arquitetar um plano para cumprir as ordens de Hitler.   

De acordo com a carta de 1943, encontrada por Jean Bray, mulher do ilustrador, fabricantes de bomba nazistas haviam escondido explosivos altamente inflamáveis com uma fina camada de chocolate meio amargo. Embrulhadas com papel dourado, as barras seriam colocadas entre os itens do gabinete de Churchill. Bastava que o primeiro-ministro quebrasse um pedaço do chocolate para ativar o mecanismo que o deixaria em pedaços.

O cartaz que salvou a vida do primeiro-ministro / Arquivo Laurence Fish

 

Entretanto, a ideia foi por água abaixo quando os espiões britânicos descobriram o plano secreto. Ao ser notificado, Rothschil escreveu uma carta a Fish pedindo que ele criasse cartazes com a imagem do falso chocolate.

Quando a carta foi revelada para o mundo em 2012, o Telegraph divulgou: "No texto dos cartazes, ele pediu para o artista alertar que uma bomba iria disparar sete segundos depois que o pedaço de chocolate e a tela anexada fossem retirados."

E deu certo. O plano dos nazistas fracassou e ninguém se feriu. Em entrevista ao Daily Mail, Bray afirmou que Fish faleceu de causas naturais em 2009 e que sempre teve boas lembranças do tempo em que trabalhou com a polícia secreta britânica.