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Em 1974, Jack Nicholson, astro de Hollywood, descobriu que sua irmã mais velha, na verdade, era sua mãe

Quando estava prestes a lançar o filme Chinatown (1974), o ator de O Iluminado foi surpreendido pela mídia com reviravoltas em sua árvore genealógica

Pamela Malva Publicado em 25/12/2019, às 08h00

Fotografia de Jack Nicholson, em meados de 1976
Fotografia de Jack Nicholson, em meados de 1976 - Wikimedia Commons

Conhecido por sua vasta trajetória no cinema — com grandes diretores, filmes de baixos e altos orçamentos e uma indicação ao Oscar —, Jack Nicholson já era um queridinho de Hollywood em meados dos anos 1970. Sua carreira chamava atenção da mídia e ele estava no auge.

Em 1974, o ator estava prestes a estrear o filme Chinatown, de Roman Polanski. Jack já tinha passado por diversas narrativas e havia protagonizado inúmeras histórias. Mal sabia ele, no entanto, que uma das maiores reviravoltas na qual atuaria, seria na vida real.

Na época do lançamento do filme, a mídia impressa não media esforços para falar sobre o ator de cinema e seu novo protagonista. Por isso, na primavera daquele ano, a revista Time decidiu homenagear Jack na matéria de capa, seria uma vasta biografia. 

No começo, escrever sobre John e Ethel May, os pais de Jack, pareceu fácil. O pai era limpador de vidros e a mãe cabeleireira e pintora amadora. A família ainda contava com a filha mais velha do ator, June, que também queria ser atriz, mas acabou seguindo o mundo da dança.

Jack ao lado da capa da revista Time, publicada em agosto de 1974 / Crédito: Reprodução/Time e Getty Images

 

Descobriu-se que, a partir de 1963, a família começou a diminuir com a morte de June e, sete anos depois, com a morte de Ethel May. Nada de incomum, no entanto, circulava entre as histórias da família de Jack.

Tudo que se sabia sobre o passado do ator virou de cabeça para baixo quando a equipe de apuração da Time conversou com antigos vizinhos, parentes e pessoas próximas da família. Um segredo guardado com muito carinho, mas à sete chaves, foi revelado.

Segundo revelado nas pesquisas e entrevistas, Jack, na verdade, era filho de sua irmã mais velha, June. A árvore genealógica do ator mudou ainda mais quando percebeu-se que Ethel May era a avó do artista de Hollywood, e não sua mãe, como ele imaginou a vida toda.

Acontece que, quando tinha 17 anos, June engravidou, estava solteira e não sabia exatamente quem poderia ser o pai de seu filho. Então, segundo a reportagem, os pais da jovem teriam optado por educar Jack como se fosse filho deles — e, consequentemente, ele seria irmão de June.

Jack e sua filha Jennifer, em Franklin Canyon, California, em 1969 / Crédito: Getty Images

 

Mesmo assim, por mais que o ator já estivesse conformado com a história e com as revelações, as pessoas não conseguiam tirar uma pergunta da cabeça: quem, afinal, é o pai de  Jack Nicholson? Bom, dois nomes surgiram.

Na biografia Jack's Life: A Biography of Jack Nicholson (A Vida de Jack: Uma Biografia de Jack Nicholson, em português), de 1994, o autor sugere que o pai do astro poderia ser tanto Eddie King, quanto Don Furcillo-Rose. O segundo, de acordo com os eventos que se sucederam, se mostrou o mais provável.

Eddie King era um ator e colega de dança de June, nos tempos em que ela própria era dançarina. De acordo com o autor da biografia, os vizinhos da família viviam comentando sobre as semelhanças entre Jack e Eddie.

June, mãe de Jack, e Don Furcillo-Rose, provável pai e Jack / Crédito: Divulgação 

 

Mesmo assim, Don Furcillo-Rose, cantor e ex-namorado de June, reivindicou a paternidade assumindo ser pai de Jack. O ator de Hollywood, no entanto, sempre se recusou a fazer um teste de DNA. Don morreu em 1998 e pediu que sua filha, Donna Rose, continuasse com a tentativa de reconhecimento da paternidade.

A mulher faleceu de câncer em 2005, mas deixou um livro sobre Don e Jack para os entusiastas interessados na vida do ator. Na biografia Jack's Life, o autor conta que Jack, possível irmão de Donna, ligou para ela no hospital, para que pudesse falar com a jovem antes de sua morte.

Alguns anos depois da publicação da matéria na Time, após descobrir os desdobramentos de seu passado, Jack disse que o evento foi, de fato, dramático, mas não “o que eu chamaria de traumático”. Segundo o ator, quando descobriu quem era sua mãe de verdade, ele já tinha certa maturidade psicológica. “De fato, me esclareceu muitas coisas. Se senti alguma coisa foi, sobretudo, agradecimento”, explicou.


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