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Há 85 anos, morria Paul von Hindenburg, presidente da Alemanha e último obstáculo para Hitler

A nazificação foi planejada por Adolf Hitler ao longo de muito tempo, mas não seria possível com Hindenburg no poder

Vinícius Buono Publicado em 02/08/2019, às 09h00

Hindenburg nomeia Hitler como Chanceller em 1933
Hindenburg nomeia Hitler como Chanceller em 1933 - Reprodução

Há 85 anos, em 1934, morria o então presidente da Alemanha — na época ainda República de Weimar — Paul von Hindenburg, aos 86 anos.

Hindenburg era o último obstáculo para a consolidação do poder nas mãos de Adolf Hitler e, apenas duas horas depois da morte do presidente, o futuro ditador uniu seu cargo de chanceler à cadeira vaga de presidente, tornando-se, para todos os efeitos, o líder supremo da Alemanha (Fuhrer und Reichsklanzer).

No entanto, o processo foi longo. Antes de ser o Führer, Hitler tentou chegar ao poder através de um golpe militar e, por isso, foi preso em 1923. Solto no ano seguinte, suas ideias o fizeram popular entre os alemães, principalmente pelas fortes objeções que fazia ao Tratado de Versalhes, o antisemitismo e o anticomunismo. 

Como líder do partido, que vinha crescendo cada vez mais, tanto no Reichstag (o Parlamento alemão) quanto entre a população como um todo, a pressão feita por ele fez com que Hindenburg o nomeasse chanceler da Alemanha um ano antes, em 1933.

Conhecido como Gleichschaltung ou “Nazificação”, o Führer, junto com outras figuras do Partido Nazista, passou a tomar diversas medidas que davam as bases legais para a consolidação de seu poder como ditador da Alemanha. Isso se deu ao longo do ano de 1933, quando Hitler foi alçado ao cargo de chanceler, e até a morte de Hindenburg, no ano seguinte.

Com pouco mais de um mês no cargo, Hitler convenceu Hindenburg a emitir o Decreto do Incêndio do Reichstag. Quando o edifício do Parlamento pegou fogo (até hoje é debatido o envolvimento do partido nazista no episódio), as liberdades pessoais e de imprensa foram severamente restritas.

Inimigos do partido — principalmente comunistas e sociais-democratas, até aqueles que ocupavam cargos — foram sumariamente presos e executados pela SA, organização paramilitar do partido nazista e precursora da SS. Houve, também, uma maior centralização de poder, antes mais inclinado ao federalismo.

Ainda no mesmo ano, Hindenburg também assinou a Lei de Concessão de Plenos Poderes, que, como diz o próprio nome, dava ao chanceler a capacidade de decretar leis sem passar pelo parlamento.

Isso encerrou a República de Weimar, anulando sua constituição. Hitler, então, reorganizou os estados alemães, determinando que os parlamentos locais devem seguir a votação das cadeiras do Reichstag, cuja vantagem era dos nazistas. E também nomeou um governador para cada estado do país, todos sob controle do partido.

As últimas leis decretadas por Hitler antes de se tornar, de fato, o Führer, envolviam a reestruturação da burocracia, proibindo que judeus e comunistas ocupassem cargos públicos, e, finalmente, a proibição de outros partidos políticos que não o Nazista e a centralização total, reduzindo os estados alemães a pouco mais que meras províncias.

Em 1934, o Estado estava devidamente aparelhado, porém, a figura de Hindenburg era muito popular por toda a Alemanha e, principalmente, entre as forças armadas, já que o presidente era um Marechal-de-Campo que obteve sucesso e reconhecimento na Primeira Guerra Mundial.

Os excessos dos nazistas incomodavam o já debilitado Hindenburg (que odiava Hitler), e ele deu ao futuro Führer um ultimato: ou fazia algo para conter as crescentes tensões na Alemanha, ou seria dispensado do cargo. Hitler sabia que, com base nas leis feitas por ele próprio, o Marechal era o único capaz de destituí-lo de seu poder.

Assim, ocorreu a Noite das Facas Longas, na madrugada de 30 de junho para 1 de julho de 1934, quando diversos líderes da SA foram brutalmente assassinados, além de outros oponentes políticos de Hitler. Foi o suficiente para acalmar a ira de Hindenburg, que o manteve no cargo de chanceler.

Um mês depois, o estado de saúde de Hindenburg piorou, em decorrência de um câncer no pulmão. Adolf sabia que era só questão de tempo até a morte do marechal, e emitiu o decreto que fundiria os cargos de presidente e chanceler quando ela acontecesse.

No dia seguinte, Hindenburg estava morto e, apenas duas horas depois, Hitler se tornava, oficialmente, o ditador da Alemanha. A Gleichschaltung estava completa, e o resto é história.