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Em um ano como presidente, Bolsonaro abandonou cinco entrevistas coletivas

Assuntos como a rixa entre Eduardo e Mourão, avião da comitiva presidencial preso em Sevilla com 39 kg de cocaína e o ministro Sérgio Moro foram alguns dos assuntos que irritaram o mandatário brasileiro

Fabio Previdelli Publicado em 16/01/2020, às 10h31

Jair Bolsonaro durante visita a Buenos Aires
Jair Bolsonaro durante visita a Buenos Aires - Getty Images

Na tarde de ontem, quarta-feira, 15, o presidente Jair Bolsonaro encerrou uma entrevista coletiva ao ser questionado sobre as denúncias feitas pela Folha de S. Paulo contra Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), por receber dinheiro de emissoras de TV e de agências de publicidade contratadas pela própria secretaria, ministérios e estatais do governo Bolsonaro.

"Está encerrada essa coletiva”, disse o mandatário ao se recusar a responder um jornalista. O momento pode ser conferido no final do vídeo publicado na página do Facebook de Bolsonaro.

Apesar de a prática ter deixado uma má impressão para aqueles que cobram uma maior transparência do governo, o ato já foi repetido em outras cinco ocasiões no primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro.

Confira esses 5 momentos: 

1. 25 de abril de 2019: Bolsonaro encerra entrevista após pergunta sobre ataques de Carlos a Mourão

A primeira vez que Bolsonaro abandonou uma entrevista foi coletiva foi durante um atendimento à imprensa no Palácio do Planalto, no dia 25 de abril de 2019. Na ocasião, o mandatário brasileiro se irritou ao ser questionado sobre os seguidos ataques que seu filho, Carlos Bolsonaro, fez ao vice-presidente, o general Hamilton Mourão.

Carlos Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão / Crédito: Creative Commons

 

“Se for nessa linha, acaba a entrevista. Olha só, hoje eu tive uma coletiva com 20 jornalistas, tudo foi debatido. Nossa pauta foi bastante propositiva, objetiva. O que eu vim falar aqui? Pretendo ter uma rotina de uma vez por semana visitar ministérios e ouvir assessores diretos das respectivas pastas”, declarou.


2. 11 de junho: Bolsonaro encerra entrevista coletiva em SP ao ser questionado sobre Moro

No dia 11 de junho, Bolsonaro esteve em São Paulo, onde se reuniu com o governador João Dória. Ao lado de Doria, Bolsonaro atendeu a mídia e havia respondido quatro perguntas sobre a reforma da previdência.

Foi então que um jornalista perguntou: "Como o senhor avaliou as questões envolvendo o ministro Sérgio Moro. O senhor não pode falar sobre isso, presidente?". Visivelmente irritado com o questionamento, Bolsonaro encerrou a sabatina. "Está encerrada a entrevista, viu? Obrigado."

O ministro Sérgio Moro durante entrevista coletiva / Crédito: Getty Images

 

A pergunta fazia referência ao encontro que o presidente teve, no mesmo dia, com o ministro Sérgio Moro no Palácio da Alvorada para conversarem sobre a investigação de hackers que haviam invadido os celulares de juízes, procuradores e jornalistas.


3. 27 de junho: Bolsonaro interrompe entrevista ao chegar no Japão para o G20

No final do mês de junho, Bolsonaro viajou para o Japão onde participaria da reunião de cúpula do G20. Ao chegar no hotel, em Osaka, onde ficou hospedado por alguns dias, o presidente parou para atender alguns jornalistas.

Visivelmente irritado, ele disse que foi ao Japão “para falar e ouvir”. Questionado sobre o que o governo brasileiro iria apresentar nas reuniões, o mandatário brasileiro ficou em silêncio por alguns minutos e depois disse: “Quer que eu fale o que?. Tudo que estiver na pauta nós falaremos, bem como vão nos questionar alguma coisa, tenho certeza, e estamos prontos para responder”.

Jair Bolsonaro durante reunião do G20 / Crédito: Getty Images

 

Segundo matéria publicada no jornal O Globo, Bolsonaro logo encerrou a entrevista e não respondeu a jornalista que perguntou sobre a prisão do segundo-sargento da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, que desembarcou em Sevilla com 39 kg de cocaína em um avião da comitiva presidencial.


4. 26 de julho: Bolsonaro encerra entrevista ao se irritar ao ser questionado sobre helicóptero da FAB que levou a família ao casamento do filho Eduardo

Em abril, Bolsonaro desembarcou em Goiânia (GO) para participar da formatura da 45ª Turma de Aspirantes e dos 161 anos da Polícia Militar de Goiás, que aconteceu no Comando da Academia de Polícia Militar, localizada no Setor Leste Universitário.

Na oportunidade, o mandatário foi questionado sobre o helicóptero presidencial  que foi usado para transportar seus passageiros até o casamento do filho, Eduardo, que aconteceu no dia 25 de maio. Segundo matéria publicada no O Globo, Bolsonaro não gostou nada da pergunta.

"Peraí... Dá licença estou num evento militar, tem familiares meus aqui, eu prefiro vê-los do que responder a uma pergunta idiota pra você. Tá respondido? Passa para outra. Outra pergunta por favor. Vamos falar de Brasil e de Goiás. Já sei qual é tua pergunta".

Foto de Eduardo Bolsonaro / Crédito: Getty Images

 

Imediatamente, outro repórter que participava da coletiva insistiu no assunto. "Não estou entendendo por que o senhor não gostaria de responder sobre esse assunto?". Bolsonaro então encerrou a entrevista. "Outra pergunta. Mais nada? Obrigado”.


5. 29 de outubro: Bolsonaro abandona entrevista ao ser questionado sobre crítica de Celso de Mello

Em 29 de outubro do ano passado, Bolsonaro viajou para Riad, capital da Arábia Saudita, onde se reuniu com o príncipe herdeiro do país, Mohammed bin Salman. Durante breve parada para atender a imprensa, o mandatário se irritou ao ser questionado sobre as criticas direcionadas a ele vindas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello.

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello / Crédito: Reprodução

 

Mello não gostou nenhum pouco sobre a publicação no Twitter do presidente com um vídeo que comparava Bolsonaro a um leão que era cercado por hienas, batizadas com nomes de quem ele considera ser seus inimigos, como o próprio STF, o movimento feminista, a ONU, a OAB, o MBL, a lei Rouanet, entre outros.