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Encurralado: Há 53 anos, Che Guevara era capturado na Bolívia

Em 1967, enquanto tentava levar a revolução socialista para o país, o líder comunista foi cercado pelo Exército e, no dia seguinte, executado

Isabela Barreiros Publicado em 08/10/2020, às 07h00

O revolucionário Che Guevara
O revolucionário Che Guevara - Getty Images

Entre as décadas de 1950 e 1960, a América Latina se transformou em uma espécie de tabuleiro da vida real da Guerra Fria. A região viveu entre inúmeros conflitos que eram ora apoiados pelos Estados Unidos, outra, pela União Soviética. Che Guevara, que havia construído e ajudado a Revolução Cubana, entre 1953 e 1959, sabia disso.

O revolucionário já havia participado da deflagração do socialismo na ilha caribenha. No entanto, sua carreira como guerrilheiro não havia parado por aí. Em 1965, ele foi para o Congo, com o intuito de ajudar seus camaradas na mesma tarefa. Sem sucesso, partiu para a Bolívia, mais próxima, para, também, colaborar em nome da revolução.

Para chegar ao país sul-americano, porém, ele precisava se disfarçar, afinal, era um homem muito conhecido — e, por vezes, odiado. Assim, Guevara transformou-se então em Adolfo Mena González, um diplomata calvo e barrigudo que chegou ao aeroporto de La Paz, cidade boliviana em 3 de novembro de 1966. 

Querendo passar despercebido pela CIA, passou a usar prótese dentária, um sapato com solado alto, chapéu, óculos e uma corcunda feita com enchimento no paletó. Irreconhecível, chegou no país para dar sua colaboração no conflito que se instalava no país, então parceiro dos Estados Unidos. Che, no entanto, não passou tanto tempo no local, mas não por sua própria vontade: a Bolívia foi o palco de sua captura e assassinato.

Terreno da revolução

O guerrilheiro / Crédito: Wikimedia Commons

 

"Eu tenho um plano. Se algum dia eu tiver que levar a revolução para o continente [América do Sul], me instalarei na selva, na fronteira entre a Bolívia e o Brasil. Conheço bem o local porque estava lá como médico. A partir daí, é possível pressionar três ou quatro países e, aproveitando as fronteiras e as florestas, você pode trabalhar as coisas para nunca mais ser pego", escreveu em um de seus famosos diários.

Em 1964, a Bolívia havia passado por um golpe, responsável por colocar no poder o general René Barrientos, após pelo menos duas décadas de instabilidade política. Aliada dos Estados Unidos, era considerada a nação mais pobre do continente depois somente do Haiti. Era um território de repressão, imperialismo e pobreza. 

A implantação da revolução poderia ocorrer somente a partir da formação de um time de guerrilheiros capazes de lutar em locais inóspitos — e isso foi organizado mesmo antes de Che deixar Cuba por Raúl Castro. O então comandante das Forças Armadas de Cuba havia convocado homens para integrar a Brigada Internacional de Combatentes pela Liberdade dos Povos.

Quando o revolucionário chegou na selva, onde seus homens e armas estariam, não encontrou o que esperava. A tropa, que consistia em apenas 13 homens, alguns veteranos cubanos, como ele, e outros jovens bolivianos, estava às margens das águas barrentas do rio Ñancahuazú, aguardando as ordens do notório líder.

Durante alguns meses, os militares foram treinados por Che, esconderam suprimentos no meio da mata e realizaram marchas, com o intuito de melhorar o deslocamento do grupo. Nesse meio tempo, porém, muitos soldados dos Estados Unidos, ou responsáveis por treinar bolivianos, foram enviados ao território, causando dor de cabeça para os guerrilheiros.

Emboscada do inimigo

Fotos do cadáver de Che Guevara / Crédito: Getty Images

 

O grupo, já dividido e com muitas baixas, se movimentou até chegar à região próxima da vila de La Higuera. O local era muito diferente do que eles estavam acostumados: em vez de lama, tinha mata baixa e vegetação rala. Mas esse não seria o maior problema dos revolucionários. 

No dia 7 de outubro, uma senhora observou a equipe, ao passear com sua filha. Com medo de que a mulher delatasse sua localização para os militares que estavam buscando por eles, deram 50 pesos a ela. Não adiantou: assim que cruzou com os oficiais inimigos, relatou o que havia descoberto. 

A atitude da idosa foi o suficiente para acabar com toda a estratégia dos guerrilheiros, pois, no dia seguinte, o Exército bloqueou todas as rotas de fuga possíveis. Eles haviam sido encurralados no fundo da quebrada de Yuro, uma garganta de 300 metros de comprimento e menos de 50 metros de largura.

Há 53 anos, o grupo liderado por Che foi parte assassinado e parte capturado pelos oficiais bolivianos contrários à revolução. No tiroteio que seguiu à tensão instalada, quatro homens do argentino foram mortos, dez escaparam e ele mesmo foi atingido. O líder foi levado para uma escola localizada no vilarejo, onde foi interrogado.

A conversa não durou muito tempo. No dia seguinte, no dia 8 de outubro de 1967, o sargento Mario Terán Salazar entrou na sala segurando um fuzil de repetição M-2. Guevara já imaginava qual seria o seu destino. Oito tiros foram responsáveis por matar um dos maiores líderes revolucionários da História. 

Para comprovar que tinham assassinado socialista, os homens que estavam trabalhando com a CIA em território latino-americano cortaram as mãos do homem. Enviadas aos Estados Unidos, elas serviriam como prova de que a execução, de fato, aconteceu. O destino do restante do corpo do revolucionário, porém, permaneceu desconhecido por ao menos 30 anos. A revolução havia chegado ao fim para Che e seus homens.


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