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Mistério bíblico: Que fim levaram as dez tribos perdidas de Israel?

O destino dos israelitas dominados pelos assírios é um dos maiores enigmas da Bíblia

Redação Publicado em 23/09/2019, às 06h00

Os israelitas
Os israelitas - Reprodução

Em 722 a.C., o Reino de Israel foi conquistado pelo Império Neo-Assírio. O outro reino israelita, Judá, ao sul, tornaria-se um vassalo e sobreviveria.

Segundo a Bíblia, os israelitas descendiam de um só progenitor: Jacó, filho de Isaque, neto de Abraão, que teve 12 filhos. Cada qual dando origem a uma tribo. Ao enfrentar um anjo numa luta (Gênesis 35:10), foi rebatizado como Israel — O que luta com Deus.

Dez das 12 tribos foram exiladas pelos conquistadores, sobrando apenas as de Benjamin e Judá, no reino do sul — daí esses sobreviventes se tornarem conhecidos como Judeus.

Que fim levaram os outros israelitas? Não faltam candidatos: na Índia, há os judeus de Bene Israel (filhos de Israel). Na Etiópia, Beta Israel (casa de Israel). Ambos têm o fenótipo de sua região, parecendo-se com indianos e negros.

A historiadora britânica Shalva Weil acredita que eles sejam descendentes de tribos perdidas, e alguns rabinos tendem a concordar, ligando os etíopes à tribo de Dan. Ambos passaram por testes genéticos que indicaram uma possível ligação com judeus. Mas, em ambos os casos, bem posterior à diáspora, não mais de 1600 anos para os etíopes e 1050 para os indianos.

Shalwa também fez muito barulho no começo dos anos 2000 ao afirmar que os talibãs eram judeus. Ela se referia à teoria, datada de escritos islâmicos medievais, de que os afegãos da etnia pashtum — a do Talibã — eram descendentes das tribos perdidas. O DNA também não ajudou: testes os ligaram às populações do resto da região. Isto é, são nativos.

Historicamente, a lista incluiu candidatos bem mais insólitos: quando chegaram à América, os espanhois achavam que os astecas eram descendentes das tribos perdidas. Também houve quem acreditou que os citas, nômades ao estilo mongol que atemorizavam as estepes entre o Ponto e o Mar Cáspio, seriam judeus. E até alguns historiadores japoneses chegaram a cogitar se hábitos nacionais não teriam vindo das tribos perdidas.

A maioria dos historiadores acredita que as tribos simplesmente perderam a identidade, e que muitos se refugiaram em Judá. Jerusalém parece ter crescido cinco vezes de tamanho logo após a conquista. O historiador britânico Tudor Parfit, da Universidade de Londres, que estudou por décadas povos clamando ser descendentes das tribos perdidas, diz que sua sobrevivência "é, de fato, um mito".