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Da máfia italiana ao Clero corrompido: o enigmático desaparecimento de Emanuela Orlandi

Considerado um dos casos mais obscuros e tenebrosos da história italiana, o sequestro da jovem permanece um mistério até hoje

Victória Gearini Publicado em 25/05/2020, às 22h40

Cartaz da jovem desaparecida Emanuela Orlandi
Cartaz da jovem desaparecida Emanuela Orlandi - Divulgação

Filha de um funcionário da Prefeitura da Casa Pontifícia do Vaticano, Emanuela Orlandi desapareceu misteriosamente no dia 22 de junho de 1983, com apenas 15 anos de idade. O paradeiro de seu corpo permanece um mistério até os dias atuais, envolvendo grandes entidades italianas.

Ao sair da aula de música do Santo Apolinário, Emanuela Orlandi nunca mais foi vista. Preocupado com o sumiço da adolescente, seu pai Ercole Orlandi acionou as autoridades, que por anos buscaram insaciavelmente o paradeiro da jovem. No entanto, ao longo do tempo, diversas teorias surgiram, transformando este caso em ainda mais obscuro e enigmático.  

Especulações sobre o desaparecimento 

Existem diversas teorias sobre o desaparecimento de Emanuela Orlandi, entre elas que a jovem teria sido vítima da máfia italiana, que a teria usado como bode expiatório. No entanto, a teoria mais aceita é a de que Emanuela teria sido morta por membros do Vaticano.

Em 2008, Sabrina Minardi, ex-namorada de Enrico De Pedis — membro da ordem do arcebispo Paulius Casimir Marcinkus, conhecido popularmente como o Banco do Vaticano — revelou que o ex teria lhe contado que a jovem foi brutalmente assassinada a mando de Marcinkus. 

Segundo a testemunha, o corpo da garota nunca foi encontrado, pois teria sido jogado em um misturador de cimento. Durante o depoimento, Minardi afirmou, ainda, que Marcinkus estaria furioso com o vazamento de dados secretos do clero, que de acordo com o inquérito foram descobertos por Ercole Orlandi.

Em 2012, a família Orlandi pediu a exumação do corpo de Enrico De Pedis, pois segundo uma denúncia anônima, poderia conter pistas sobre o desaparecimento de Emanuela. Os restos do gangster estavam enterrados na Basílica de Santo Apolinário, ao lado de papas e cardeais. No entanto, nada foi encontrado. 

Ainda no mesmo ano, o padre Gabriele Amorth afirmou que a jovem foi sequestrada para orgias sexuais, e posteriormente foi executada. O sacerdote disse, ainda, que o caso envolveu membros de uma embaixada estrangeira, que nunca foram identificados.

Descobertas recentes 

Mais tarde, autoridades do vaticano afirmaram que Emanuela havia sido sequestrada por terroristas extremistas, que exigiam a libertação de Mehmet Ali Agca, após o integrante ter atirado contra o Papa João Paulo II. Em junho de 2019, Agca afirmou que Emanuela estaria viva e bem, mas não revelou seu paradeiro. 

No entanto, ainda em 2019, a família Orlandi recebeu uma denúncia anônima informando onde os restos de Emanuela estariam localizados. A carta incluía uma imagem com a frase “Procurem onde o anjo indica” e apontava para dentro do Cemitério Teutônico, situado no Vaticano.

Após uma investigação minuciosa, descobriram as localizações apresentadas na carta, sendo elas das sepulturas de duas princesas mortas no século 19. No entanto, ao abrirem os túmulos de Carlota Frederica de Mecklemburgo-Schwerin e Sophie von Hohenlohe os encontraram completamente vazios. Os corpos haviam sido removidos do cemitério durante uma reforma, o que impossibilitou achar pistas sobre Emanuela.

“A nova iniciativa atesta, mais uma vez, depois das investigações do último dia 11, a disponibilidade da Santa Sé para com a família de Emanuela Orlandi, disponibilidade demonstrada desde o início, quando aceitou o pedido de investigações no Campo Santo Teutônico, mesmo com base numa denúncia anônima”, afirmou o porta-voz interino do Vaticano, Alessandro Gisotti, em uma coletiva de imprensa realizada em julho de 2019.


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