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Ensinamentos do século 19: as regras de higiene de Florence Nightingale, mãe da enfermagem

Conheça a impressionante trajetória da britânica que revolucionou a profissão, tratou de soldados feridos e salvou inúmeras vidas

Fabio Previdelli Publicado em 17/05/2020, às 09h00

Florence Nightingale, a mãe da enfermagem
Florence Nightingale, a mãe da enfermagem - Creative Commons

Famosa por revolucionar a enfermagem, a britânica Florence Nightingale, que completaria exatos 200 anos nesse mês — ela nasceu em 12 de maio de 1820 —, trabalhava com uma abordagem única para tratar de soldados feridos, além de formar inúmeras enfermeiras no século 19, o que salvou e melhorou inúmeras vidas na época.

Entretanto, seus ensinamentos transcenderam gerações e ressoam até hoje, inclusive enquanto políticos dão orientações oficiais sobre a melhor forma de combater a epidemia do novo coronavírus.

Por exemplo, embora Nightingale não tenha aceitado totalmente a ideia de que muitas doenças são causadas por microrganismos específicos, conhecidos como germes, até os sessenta anos — na década de 1880 —, ela estava bem ciente da importância de manter a higiene e lavar constantemente as mãos.

Florence Nightingale atendendo enfermos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em seu livro Notes on Nursing, publicado em 1860, ela escreveu que: “Toda enfermeira deve ter o cuidado de lavar as mãos com muita frequência durante o dia. Se o rosto dela também, tanto melhor”.

Além disso, durante a Guerra da Criméia, que aconteceu entre 1853 e 1856, a enfermeira havia implementado a necessidade da lavagem de mãos e outras práticas de higiene em hospitais do exército britânico.

Esse era um conselho relativamente novo, divulgado pela primeira vez pelo médico húngaro Ignaz Semmelweis na década de 1840, que havia observado a diferença dramática que a tarefa fazia nas taxas de mortalidade nas maternidades.

Florence, assim como muitos especialistas em saúde pública da sua idade, considerava o lar um local crucial para intervenções de prevenções de doenças. Afinal, era lá o local em que a maioria das pessoas contraía doenças infecciosas. Em seu livro, que era mais uma obra de instruções de saúde pública do que um manual de enfermagem, a britânica aconselhava as pessoas a manterem seus lares saudáveis: como evitar fumaça e poeira excessiva vindas da lareira, e até o material mais seguro para cobrir as paredes — tintas a óleo e não papel de parede.

A enfermeira Florence Nightingale / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nightingale também aconselhava fortemente que as pessoas abrissem suas janelas para maximizar a entrada de luz e a ventilação do ambiente, que substituiria o ar “estagnado, mofado e contaminado”. Ela também defendia a melhora da drenagem para combater as doenças transmitidas pela água, como cólera e febre tifoide.

Em sua opinião, todos os interiores domésticos deveriam ser mantidos limpos. Tapetes sujos e móveis impuros, como mesmo escreveu com certa franqueza, "poluem o ar da mesma maneira que se houvesse um monte de esterco no porão". O livro também aconselhava as “senhoras” que limpassem “todos os cantos e frestas” da casa, para o bem da saúde de seus familiares.

Mas a enfermeira também recomendou uma abordagem mais holística da saúde, incentivando os soldados a lerem, escreverem e socializarem durante a convalescença, para que não se afundassem no tédio e no alcoolismo.

Estatísticas e dados importantes

Durante a juventude de Florence, seu pai lhe apresentou a uma importante praticante de estatística, então uma nova área acadêmica, e pagou para que a filha tivesse um professor de matemática. Durante e após a Guerra da Crimeia, Nightingale aproveitou as estatísticas como uma maneira de provar a eficácia de diferentes intervenções.

Assim, produziu seus famosos diagramas: que demonstravam a alta proporção de mortes de soldados causados ​​por doenças em oposição a feridas de batalha, e se tornou a primeira mulher admitida na London Statistical Society em 1858.

Em 1857, cerca de um ano após o retorno da Guerra da Crimeia, Nightingale sofreu um colapso grave, que agora se acredita ter sido causado por uma infecção semelhante à gripe chamada brucelose. Durante grande parte de sua vida subsequente, sofreu dores crônicas, muitas vezes, incapaz de andar ou sair da cama.

Florence Nightingale (no meio) em 1886 com sua turma de pós-graduação em St. Thomas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Declarada inválida, impôs a si mesma uma regra de reclusão por causa da dor e do cansaço, e não por medo de contágio. Durante seus primeiros anos de trabalho em casa, sua produtividade foi considerada extraordinária: além do livro, produziu um influente relatório de 900 páginas sobre as falhas médicas durante a Guerra da Criméia e um livro sobre design de hospitais.

Além disso, também criou a Nightingale Training School para enfermeiras no hospital St Thomas, em Londres (em 1860), e idealizou um programa de treinamento obstétrico no King's College Hospital no ano seguinte. Mais tarde naquela década, propôs uma reforma das enfermarias de casas de trabalho para torná-las hospitais de alta qualidade, financiados pelos contribuintes; e também trabalhou em reformas sanitárias e sociais na Índia.

Florence Nightingale faleceu no dia 13 de agosto de 1910, aos 90 anos de idade, deixando um legado de compaixão e dedicação ao próximo, além de estabelecer um caminho fundamental para diversas diretrizes e noções aplicadas na enfermagem moderna. Seu corpo foi sepultado na St Margaret of Antioch Churchyard, East Wellow, em Hampshire na Inglaterra.


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