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Entenda como pulmões de vítimas da gripe espanhola auxiliaram um grupo de pesquisadores

Um estudo publicado no mês de maio na revista BiorXiv abordou o surgimento de novas variantes do vírus influenza durante a pandemia de Gripe Espanhola

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 06/06/2021, às 10h00

Registro da pesquisa
Registro da pesquisa - BioRxviv

Um grupo de cientistas, que publicou um estudo recentemente na revista BioRxviv, descobriu que o vírus responsável pela Gripe Espanhola sofreu inúmeras mutações na época da pandemia. 

Conforme informou o site Canal Tech, a nova descoberta é importantíssima, já que pode explicar o motivo pelo qual as ondas que vieram após, foram piores que a primeira em alguns países, tanto na pandemia de 1918, quanto na de Covid-19, a qual enfrentamos atualmente.

Pulmões conservados

O que possibilitou o estudo, segundo os cientistas, foi a análises de seis pulmões encontrados entre os anos de 1918 e 1919. Eles permaneceram conservados em formol até os presentes dias e ficaram armazenados em laboratórios de universidades da Alemanha e da Áustria.

Uma enfermaria no Rio de Janeiro em 1918 / Crédito: Wikimedia Commons/Biblioteca Nacional

 

Segundo a pesquisa, três desses órgãos foram infectados pelo vírus influenza. Dois deles pertenciam a soldados que morreram em Berlim, vítimas da primeira onda da pandemia, considerada a menos mortal de todas. Já o terceiro pertencia a uma jovem que faleceu em Munique durante uma onda posterior.

Como foi feita a conclusão

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão a partir da extração do RNA viral presente nos pulmões. Com isso, foi possível reconstruir cerca de 60% a 90% do genoma viral.

Os cientistas perceberam que não havia diferenças genéticas significativas entre as amostras retiradas dos órgãos dos dois soldados. Porém, ao compararem-nas com o vírus que infectou a jovem, notaram a presença de uma mutação, que, muito provavelmente, teria surgido após a primeira onda.

Uma enfermeira cuida de um paciente / Crédito: Domínio Público/Harris & Ewing

 

Amostras de genomas do vírus obtidas no Alasca e em Nova York e datadas da segunda onda, também foram utilizadas durante a pesquisa. Assim, a equipe conseguiu realizar um estudo com réplicas de partes do vírus, o que possibilitou entender como variantes diferentes podem ter infectado a população.

Mutações

De acordo com Sébastien CalvignacSpencer, biólogo e pesquisador do Instituto Robert Koch (RKI), em Berlim, as mutações que surgiram no período entre a primeira e a segunda ondas podem ter "aperfeiçoado" o vírus para que ele pudesse se espalhar entre os seres humanos. Foi assim que ele se distanciou das aves, que até então, eram seu principal hospedeiro.

Vírus da gripe espanhola reconstituído / Crédito: Domínio Público/Cynthia Goldsmith

 

Segundo o biólogo, "aquelas (infecções virais da Gripe Espanhola) na segunda onda parecem estar melhor adaptadas aos humanos".

Por isso, os cientistas chegaram à conclusão de que o vírus da Gripe Espanhola sofreu mutação para se tornar mais eficaz e superar as defesas celulares humanas contra a infecção.

Sendo um dos principais autores do estudo, Spencer expôs a seguinte questão que a ciência ainda busca entender: "Nós nos perguntamos se as novas variações se comportaram de maneira diferente ou não do original" 

Além disso, conforme o especialista, podemos notar um processo de evolução semelhante no caso da pandemia da COVID-19. "É interessante fazer paralelos, por exemplo, o fato de haver várias ondas sucessivas é um padrão intrigante", declarou o pesquisador.


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