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Entenda como um animal microscópico voltou à vida após passar 24 mil anos congelado

Os chamados rotíferos bdeloídeos eram conhecidos por conseguirem resistir a temperaturas muito baixas, contudo, o resultado surpreendeu. Confira!

Penélope Coelho Publicado em 10/06/2021, às 09h17

Imagem de um rotífero bdeloídeo
Imagem de um rotífero bdeloídeo - Divulgação/Michael Plewka

Recentemente, o portal científico Current Biology publicou uma pesquisa realizada por cientistas russos que chamou a atenção por diversos aspectos que podem ajudar na compreensão da biologia animal, como divulgou a revista Galileu.

Após diversos estudos, os especialistas acreditam que um organismo multicelular microscópio tenha voltado à vida após passar 24 mil anos congelado no permafrost da Sibéria. Os pesquisadores desenterraram o animal conhecido como rotífero bdeloide no rio Alayeza, no Ártico russo.

Sabe-se que no geral, essa espécie — que vive em ambientes de água doce — consegue resistir a temperaturas muito baixas. Anteriormente, pesquisas já haviam revelado que os rotíferos conseguiam sobreviver congelados em um período de até dez anos.

Contudo, o estudo revela o relato mais antigo de sobrevivência dessa espécie nessas condições. Mas, afinal de contas, como isso é possível?

O processo

De acordo com os especialistas, tudo começou com as pesquisas realizadas em Pushchino, na Rússia, onde estudiosos já mantém um centro de pesquisa para isolar organismos microscópicos que foram extraídos a partir de perfurações feitas nas camadas de gelo da região.

Cunha de gelo em sedimentos no Ártico / Crédito: Wikimedia Commons / Brocken Inaglory

Ao encontrarem o rotífero, os cientistas seguiram o procedimento padrão de datação do carbono para identificarem a idade do organismo. O resultado foi surpreendente, já que o animal coletado apresentava ter em média 24 mil anos.

Segundo os pesquisadores russos envolvidos no estudo, o rotífero em questão estava em estado de criptobiose, que acontece quando o ambiente em que se vive apresenta condições adversas.

Ou seja, o animal entra no chamado estado de latência e consegue viver indefinidamente até que a situação em seu habitat se normalize.

Sendo assim, os pesquisadores iniciaram o descongelamento do animal microscópico, que continuou sendo observado. Os especialistas perceberam que o rotífero iniciou um processo de reprodução assexuada, conhecido como partenogênese, logo após o descongelamento.

Conclusões 

Depois desse processo, os pesquisadores concluíram que esses animais possuem algum tipo de mecanismo que mantém suas células e órgãos protegidos e preservados de danos durante o tempo em que passam congelados.

“Nosso relatório é a prova mais concreta até o momento de que animais multicelulares podem suportar dezenas de milhares de anos em criptobiose, o estado de metabolismo quase completamente interrompido", afirmou em nota um dos líderes do grupo, Stas Malavin.

Rotífero bdeloídeo observado por pesquisadores russos / Crédito: Divulgação/Michael Plewka

Os cientistas afirmam que a descoberta é de grande importância para entender o funcionamento desse tipo de proteção biológica dos rotíferos, já que esse mecanismo pode ajudar na compreensão de diferentes maneiras de preservação de tecidos, órgãos e células, inclusive em humanos.

Contudo, os especialistas ressaltam que o procedimento ainda precisa passar por inúmeras pesquisas para ser compreendido:

 "É claro que quanto mais complexo o organismo, mais difícil é preservá-lo vivo congelado e, para os mamíferos, não é atualmente possível [...] No entanto, passar de um organismo unicelular para um organismo com intestino e cérebro, embora microscópico, é um grande passo em frente", conclui Malavin.

Confira a pesquisa completa aqui.


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