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Entenda a diferença entre pansexual e bissexual

Muitos usam os termos como sinônimos, deixando de lado a conotação histórica de cada um dos dois

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 03/04/2021, às 07h00 - Atualizado às 22h45

Montagem com bandeira bissexual à esquerda, e bandeira pansexual à direita
Montagem com bandeira bissexual à esquerda, e bandeira pansexual à direita - Wikimedia Commons

Ainda que a sociedade brasileira preserve muitos preconceitos do passado, é inegável que ela fez avanços importantes nos últimos anos, reconhecendo, por exemplo, pessoas que não são heterossexuais ou cisgêneras. 

Nessa realidade, o vocabulário do dia a dia acaba incluindo novos termos, e pode acontecer disso gerar confusão. Uma dessas, por exemplo, é relativa à dois rótulos que servem para designar orientações sexuais: “bissexual” e “pansexual”, que em certos contextos podem ser vistas até mesmo sendo usadas como sinônimos. Entenda a seguir as diferentes conotações carregadas por esses dois nomes. 

Questão histórica 

Fotografia da bandeira LGBT / Crédito: Divulgação/ Pixabay 

 

Tradicionalmente, a pessoa bissexual seria aquela que não é nem heterossexual, nem homossexual. Dessa forma, ela teria o potencial de se sentir atraída por todos, independentemente do gênero, de forma que os elementos de atração seriam outros, relacionados à personalidade ou aparência, por exemplo. No passado, porém, “todos” frequentemente significava “tanto homens quanto mulheres”. 

Com a transsexualidade (com pessoas transsexuais sendo aquelas que se identificam com um gênero diferente daquele com o qual elas foram identificadas ao nascer), e também da presença de mais de dois gêneros, todavia, apenas “homens e mulheres” deixou de significar “todos”. 

Foi nesse contexto que veio a ideia da pansexualidade, com um rótulo que busca explicitar que “todos” são muito mais que apenas “homens e mulheres”, incluindo todos os sexos, gêneros e maneiras de se apresentar.

De acordo com uma reportagem do Universa, do UOL de 2018, isso inclui não-binários, por exemplo, que são aqueles que não se identificam com nenhum dos dois gêneros tradicionais.

Outros que passam a ser contemplados são pessoas intersexos, que, por conta de suas genitais ou cromossomos, tem um corpo que não se encaixa nas definições de sexo masculino ou feminino.

A designação "pansexual" também é importante para pessoas transexuais pelo fato do conceito de bissexualidade ter surgido em um período transfóbico, o que limitaria esse “todos” ainda mais, por vezes, referindo-se apenas a “homens e mulheres cisgêneros". Em entrevista ao mesmo veículo, a psicóloga Andrea de Carvalho Perez comentou que esse nome veio para “quebrar o preconceito” com pessoas transsexuais.

A especialista explicou ainda outra confusão que o termo “pansexualidade” pode gerar para aqueles que não estão ainda familiarizados com a palavra.

"Quando a gente fala de pansexualidade, as pessoas misturam com parafilia e pedofilia. Então pensam que pansexual sente atração por árvore, por criança… A pessoa pan sente atração apenas por pessoas capazes de consentir uma relação", destacou a profissional para o UOL. 

Na prática

Um exemplo vivo disso é a cantora norte-americana Miley Cyrus. Em 2015, a artista que atingiu sucesso mundial no seriado Hannah Montana, se descobriu pansexual. Em entrevista à revista Paper naquele ano, ela explicou como se relaciona com pessoas.

“Eu literalmente estou aberta a qualquer coisa que seja feita com consentimento, não envolva animais e todos sejam maiores de idade. Eu topo qualquer coisa que não seja um crime”, disse Cyrus.

A artista voltou a falar sobre o assunto em 2019, enquanto ainda estava casada com o ator Liam Hemsworth, durante uma conversa com a revista norte-americana Elle. "O que penso é: pessoas se apaixonam por pessoas, não por gêneros ou aparências, ou o que quer que seja. O que eu amo se traduz acima, em um nível espiritual… Relacionamentos são parcerias na nova geração. Não acho que tenha a ver com sexualidade ou gênero", explicou Miley.