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Entenda porque o 'Kit Covid' não faz sentido

Amplamente difundido como um tratamento precoce no Brasil, o uso de medicamentos não contam com qualquer comprovação contra a Covid-19

Redação Publicado em 30/03/2021, às 15h07

Kit Covid
Kit Covid - Divulgação/Prefeitura de Barra do Garças - MT

Em um momento em que a sociedade brasileira se encontra em um dos períodos mais sombrios da história, em meio à pandemia de Covid-19, o "kit-Covid" promete ser um tratamento eficaz contra o coronavírus. Porém os medicamentos recomendados pelo não possuem qualquer propriedade capaz de curar ou prevenir precocemente contra a doença.

Pelo contrário, nos últimos tempos, muitos foram os casos de pessoas que acreditaram estar realizando um tratamento eficaz quando na verdade acabaram por comprometer sua saúde. A verdade é que hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e anticoagulantes de nada valem contra a Covid-19. É o que dizem especialistas na área. 

Os remédios presentes no Kit Covid

A tão conhecida ivermectina é um remédio totalmente eficaz... para tratar de problemas com vermes. Já a hidroxicloroquina atua positivamente no combate da malária, sem qualquer comprovação de que possa combater a Covid-19.

O terceiro nome muito conhecido dos brasileiros no contexto da pandemia é a azitromicina, um antibiótico que a ciência também não comprovou ser eficaz contra a doença.

O Kit Covid tem sido recomendado até mesmo pelo Ministério da Saúde - Crédito: Divulgação

 

Contudo, ainda assim, há toda uma rede de apoiadores do uso desses medicamentos.

Efeitos colaterais graves

Um grupo de médicos ouvidos pelo Estadão apontou inúmeras questões ligadas a efeitos colaterais em razão do uso do Kit Covid. Segundo eles, muitas pessoas passaram a apresentar insuficiência renal, arritmias, além de hemorragias e até mesmo doenças no fígado após o uso dos medicamentos.

Em São Paulo, cinco pacientes entraram na fila de transplante de fígado após terem tomado altas doses de ivermectina. Desses, três acabaram morrendo.

A professora da Unidade de Transplantes Hepáticos do Hospital das Clínicas da Unicamp, Ilka Boin, deu uma importante explicação sobre o tema ao jornal e que foi reproduzida em uma matéria da revista Rolling Stone.

Imagem meramente ilustrativa de hospital - Crédito: Getty Images

 

Segundo ela, as altas dosagens dos medicamentos, além das combinações de diferentes remédios, “desencadeiam um processo em que a célula ataca outras células, levando a fibroses, que causam a destruição dos dutos biliares.”

Também Valmir Crestani Filho, médico nefrologista do Hospital das Clínicas da USP, abordou sobre este e outros perigos do uso do “kit-Covid”. De acordo com ele, alguns de seus pacientes, após tomarem os remédios do 'tratamento precoce', desenvolveram uma série dos problemas de saúde como nefrite intersticial aguda, hemorragia gástrica e problemas respiratórios.

“A partir do momento que essas medicações passam a ser usadas por milhões de pessoas, esses efeitos, mesmo que raros, começam a aparecer com mais frequência. Quando a gente prescreve um medicamento é porque os benefícios são maiores que os riscos. Se esses remédios não têm nenhum benefício contra a covid-19, todo efeito colateral foi em vão”, disse o médico.

O único meio de combater o vírus é a vacinação - Crédito; Getty Images

 

Crestani também explica que o 'tratamento' ainda faz com que muitos infectados com a Covid-19 demorem a procurar atendimento médico, de modo que o quadro do paciente piora sem acompanhamento. “Em um dos últimos plantões", prosseguiu, "atendi um paciente que estava tomando cloroquina e usando oxigênio em casa. Ele chegou azul. Tive de intubar na hora.”

Outros efeitos colaterais, segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, são retinopatias, hipoglicemia grave e toxidade cardíaca. Também estão entre os sintomas a ocorrência de náuseas, diarreia, feridas na pele, além de alterações de humor.


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