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Entre a guerra e as ondas: Clingstone, a curiosa mansão isolada do mundo

O local foi construído no século 20 pelo rico proprietário JS Lovering Wharton, que deu o troco ao resolver construir uma nova casa e ignorar os tiros de canhões

Vanessa Centamori Publicado em 01/08/2020, às 08h00

Clingstone
Clingstone - Wikimedia Commons

No fim do século 19, o fabricante e financiador americano da Filadélfia, JS Lovering Wharton, passava dias de verão memoráveis com sua família em uma rica propriedade em Narragansett, no sul de Jamestown, Estados Unidos. Mas o sossego acabou com as necessidades de fortificação de guerra do país. 

O recanto do pai de três filhos não mais o pertencia, mas virou um quartel, chamado de Fort Wetherill, que se tornaria o maior forte das defesas costeiras da baía de Narragansett. O local também foi mais tarde guarnecido durante a Primeira Guerra Mundial.

Entretanto, o antigo e teimoso proprietário não desistiu de erguer uma nova instalação na região militar. Deu um curioso troco, mesmo que isso significasse abrir mão do silêncio. Ignorando os fortes bélicos, construiu um imóvel, que ficou conhecido como "a casa na pedra", ou Clingstone.

Ironicamente, em represália por ter já perdido uma casa para o governo, ele disse: "Vou construir onde ninguém pode me incomodar'". Foi o que revelou ao jornal The New York Times Henry Wood, um primo distante de Wharton e atual proprietário de Clingstone.

Muitas razões para incômodo 

Céticos vizinhos duvidavam que um homem rico gostaria de morar isolado do mundo, somente ao lado dos fortes de guerra. Mas mesmo assim JS Lovering Wharton trabalhou com o artista William Trost Richards e projetou a casa enorme com 23 quartos, três andares e um grandioso salão central.

Foram usadas vigas robustas de carvalho, tábuas largas e um revestimento no interior das telhas. Esses últimos eram para abafar os ruídos regulares dos exercícios dos soldados e dos canhões, cujos estrondos estouravam o gesso das moradias vizinhas.

Em agosto de 1904, enquanto a construção era erguida, as pessoas da região criticavam o maluco proprietário no The Philadelphia Press: "Todo mundo pensa aqui que o Sr. Wharton não ficará em casa mais de uma temporada". Porém, o financiador amou sua nova casa e passou todos os verões lá até sua morte, em 1931.

O Fort Wetherill, que substituiu a antiga propriedade de JS Lovering Wharton / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Ondas infernais

O óbito de Wharton ocorreu antes do furacão de 1938, ao qual a mansão sobreviveu com impressionantes poucos danos. Depois que a viúva do proprietário faleceu, em 1941, o imóvel ficou vazio. Os filhos do casal não se davam bem entre si e não conseguiam concordar para quem deveriam vender a casa. 

Em 1961, o arquiteto Henry Wood, de Boston, foi quem finalmente adquiriu o local. Ele acredita que só conseguiu comprar Clingston pois era parente distante da família do dono original. Hoje, o imóvel já tem mais de 120 anos. Em uma entrevista de 2008, Wood contou ao The New York Times que apreciava as superfícies incrustadas de sal, tocadas pelo mar. 

A mansão é cercada em 360 graus por ondas majestosas, o que pode facilitar o desgaste. Mas Wood tentou mantê-la de pé. Na época da compra, o imóvel estava vazio há anos, todas as 65 janelas estavam quebradas e o telhado de ardósia se encontrava aberto para o céu.

Vândalos tinham invadido o segundo andar. As telhas estavam embutidas com bolinhas de gude e tinham sido quebradas por uma arma de fogo. Wood dizia que amaldiçoava o antigo dono, a casa sem teto, sem janelas, sem piso, sem energia e água.

A casa Clingstone / Crédito: Divulgação/Youtube/Ted H

 

 

O arrependimento batia, afinal o local antes era um "brinquedo de um homem rico". Wharton tinha à disposição criados e empregadas e o novo proprietário não tinha nada disso. Wood e sua esposa trabalhavam mais do que podiam suportar para manter o local. 

No entanto, o sofrimento passou. A mansão tinha uma grande importância histórica, então o dono atual viu amigos e pessoas locais trabalharem de modo comunitário para a manutenção de Clingstone. De um fardo, o local virou um motivo de orgulho para Henry Wood, que guarda recortes dos jornais que noticiam sobre o seu inestimado imóvel. 

Certa vez, ele até convenceu um piloto de avião de Nova York a mudar o curso da aeronave para que voasse diretamente sobre Clingstone. E ainda ganhou muitos itens para a mansão, entre eles, 60 maçanetas de porcelana recuperadas de casas em demolição.

Hoje, painéis solares aquecem a água do mar e uma turbina eólica no telhado gera eletricidade. Voluntários se disponibilizam para cuidar do local, conhecido como patrimônio arqueológico

Um curioso sinal de advertência, que fica em uma escada íngreme, diz: "Proibida a entrada após três drinks ou se você tem 86 anos de idade". "Costumava dizer 80, mas tínhamos um cara em um final de semana de trabalho que tinha 84 anos, então eu mudei", contou Wood, para o alívio do voluntário. 


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