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Entre família: o sórdido caso dos Irmãos Menendez

Apaixonados por tênis e provenientes de uma família rica, mas rígida, Lyle e Erik Menendez fizeram o impensável ao assassinar os próprios pais

Pamela Malva Publicado em 06/12/2019, às 16h24

Irmãos Menendez em um de seus julgamentos
Irmãos Menendez em um de seus julgamentos - Getty Images

Em agosto de 1989, enquanto esperava seu namorado na porta de casa, uma jovem viu dois homens saindo de um carro e entrando na casa de José e María “Kitty” Menendez. Ela não se atentou muito ao ocorrido, mas descobriu, anos depois, que se tornaria uma testemunha ocular crucial no caso dos Irmãos Menendez.

Filhos de pais rígidos, Lyle e Erik Menendez cresceram em bairros ricos, de classe alta. Mesmo que o dinheiro não fosse uma preocupação, os irmãos começaram a roubar por diversão — nem os pais de seus amigos escaparam. Estima-se que eles roubaram cerca de 100 mil dólares durante a adolescência.

Assustados com o comportamento dos meninos, José e Kitty ameaçaram tirar todos os privilégios dos filhos. A família se mudou diversas vezes e sempre teve uma vida de luxo. Em 20 de agosto de 1989, quanto Lyle tinha 21 anos e Erik, 18, tudo mudou. Às 11h47 da noite daquele dia, Lyle ligou desesperado para a polícia, dizendo que seus pais foram assassinados.

Enquanto seu irmão chorava ao telefone, Erik podia ser ouvido gritando no fundo da linha. Minutos depois, os primeiros policiais chegaram a mansão da família em Beverly Hills, na Califórnia. Em um momento inicial, os oficiais notaram que nada tinha sido roubado da casa e que não havia sinais de arrombamento, indicando que as vítimas conheciam seu assassino.

Erik Menendez em seu julgamento / Crédito: Getty Images

 

Ainda na cena do crime, as autoridades interrogaram os irmãos por 20 minutos e perceberam que, durante todo o tempo que conversaram, Lyle se mantinha calmo e Erik se demonstrava transtornado, chorando muito. Nessa conversa, contaram sobre seu dia e sobre o momento em que encontraram os pais, já mortos na sala da mansão.

Lyle e Erik relataram que haviam jogado tênis na quadra do jardim de manhã, depois assistiram a uma partida em casa, fizeram compras a tarde toda em um shopping e voltaram para a mansão. À noite, saíram novamente por volta das 20h para assistir um filme. Como encontraram filas muito grandes, decidiram ir para outro cinema e combinaram de encontrar um amigo num restaurante.

Os irmãos alegaram terem voltado para casa antes de jantar, para pegar a identidade falsa de Erik, para que o mais novo pudesse consumir bebidas alcoólicas no estabelecimento escolhido. Foi nesse momento que, segundo eles, encontraram seus pais mortos em casa e ligaram imediatamente para a polícia.

Dias depois, Lyle e Erik fizeram um memorial para os pais, no qual chegaram uma hora atrasados. Durante a cerimônia, Erik parecia muito desconfortável e Lyle estava calmo e controlado. Os dois receberam uma apólice de seguro do pai no valor de 650 mil euros, dinheiro cujo eles começaram a gastar desenfreadamente.

Lyle Menendez em seu julgamento / Crédito: Getty Images

 

Eles compraram carros de luxo, roupas de grife e equipamentos de marcas caras. No final de 1989, os dois já tinham gasto mais de 1 milhão de libras no cartão dos pais. Com esse comportamento, a polícia passou a questionar a participação dos irmãos no crime. No entanto, todas as provas eram circunstanciais.

O clima mudou quando os investigadores se depararam com um registro de compra de duas espingardas de calibre 12, em nome de um amigo de Lyle, em agosto de 1989. Tal amigo provou que estava trabalhando em Nova York no dia da compra e que nem a assinatura usada, nem o endereço fornecido eram verdadeiros.

Com a ligação entre o assassinato e os irmãos confirmada, a polícia decidiu prender Lyle em março de 1990. Três dias depois, após consultar seu tio, Erik se entregou e foi mandado para a mesma cadeia que o irmão. Ambos foram acusados de assassinar os pais e, durante todo o julgamento, alegraram inocência.

Três anos depois, em julho de 1993, Lyle e Erik confessaram ter assassinado os pais, declarando legítima defesa. O julgamento aconteceu entre julho de 1993 e janeiro de 1994, em Los Angeles. Durante todo o processo, os irmãos alegaram terem sofrido abuso físico, psicológico e sexual dos 6 aos 8 anos, no caso de Lyle, e dos 6 aos 18, no caso de Erik.

Erik e Lyle, respectivamente, já presos, anos depois do julgamento / Crédito: Getty Images

 

A defesa negou que o crime tenha sido motivado por dinheiro, como as pessoas imaginavam e se apoiou na declaração de legítima defesa. Lyle também disse que sofreu abusos da mãe até os 13 anos e que ela sabia de todos os atos cometidos pelo pai. O irmão de Kitty, tio dos meninos, negou qualquer tipo de abuso na família.

O dia do crime só ficou claro nas investigações quando a adolescente que esperava pelo seu namorado foi encontrada. Seu testemunho provou que os homens que ela viu eram, na verdade, Lyle e Erik, entrando na própria casa, para cometer o crime. Com as espingardas de calibre 12 em mãos, os dois entraram pelo escritório e caminharam até a sala.

Lyle e Erik balearam o pai e a mãe de perto — alguns tiros chegaram a quebrar os membros de  Kitty. Depois do crime, eles foram até o Cânion para se livrar das armas e até um posto para descartar as roupas. Em seguida, compraram ingressos para o cinema que usaram como álibi. O primeiro julgamento, no entanto, não chegou a qualquer conclusão.

Um segundo ocorreu entre agosto de 1995 e março de 1996. Como eles já tinham ficha criminal por roubos, a promotoria se prendeu à forma como os irmãos gastaram dinheiro logo após a morte dos pais. Em 20 de março de 1996, Lyle, com 28 anos, e Erik, com 25, foram considerados culpados por assassinato em primeiro grau e condenados a duas prisões perpétuas cada.


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