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Matérias / Brasil

Envolveu Olavo Bilac: Como foi o primeiro acidente de carro do Brasil

A bizarra situação aconteceu no Rio de Janeiro na impressionante velocidade de 4 km/h

Wallacy Ferrari Publicado em 02/06/2022, às 18h54

Retratação do veículo que protagonizou primeiro acidente - Divulgação / Revista Quatro Rodas
Retratação do veículo que protagonizou primeiro acidente - Divulgação / Revista Quatro Rodas

Em 1897, um curioso acontecimento, que a partir do século seguinte se tornou cotidiano nas principais rodovias do país, ocorria de forma inédita no Rio de Janeiro; o poeta Olavo Bilac, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, guiava um Serpollet, veículo desenhado na França e, até então, único no país.

Junto dele, o amigo e dono do carro, José do Patrocínio, não conduzia o veículo acompanhando o escritor no banco do carona. Já o veículo, em impressionantes 4 km/h, tinha um motor movido a vapor e sequer contava com ruas asfaltadas para facilitar a condução.

O autor assumiu o volante, por sua vez, antes mesmo da existência de qualquer autoescola em território nacional. Todos os fatores contribuíram para o primeiro acidente automotivo do país, enquanto atravessava a Estrada Velha da Tijuca.

Em algum momento do trajeto, o veículo perdeu o controle e foi, lentamente, atirado contra uma árvore — contudo, se engana quem acredita que a pouca velocidade não deixou danos marcantes.

Reprodução de Serpolet em museu francês / Crédito: Wikimedia Commons / Pierre Poschadel

Vítimas do choque

O incidente, tornado público pela primeira vez em 1906 através de uma coluna do escritor Coelho Neto no jornal Correio da Manhã, não causou ferimentos graves nos rapazes a bordo ou vitimou pessoas em solo, mas ocasionou na inutilização completa do veículo, que teve suas peças vendidas para um ferro-velho.

Patrocinio insistia com o machinista para que desse mais pressão e o poeta (Bilac) sorria desvanecido guiando a catastrophe através da cidade alarmada. Por fim, num tranco, o carro ficou encravado em uma cova, lá para as bandas da Tijuca e, para trazel-o ao seu abrigo, foram necessários muitos bois e grossas correntes novas. Enferrujou-se. Quando, mais tarde, o vi, nas suas fornalhas dormiam gallinhas. Foi vendido a um ferro velho”, descreveu o escritor.

O jornal O POVO ainda acrescentou que o pouco conhecimento na condução poderia ser diretamente relacionado ao fato de ser uma novidade; o modelo frances havia sido criado a apenas um ano antes, sendo trazida direto de Paris por Patrocínio, muito antes da criação de alguma legislação de trânsito no Brasil.