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Escondida em um carro: A angustiante fuga da primeira prefeita mulher do Afeganistão

Zarifa Ghafari estava acostumada a se sentir insegura no território afegão por conta de seu cargo e suas visões de mundo, mas a volta do Talibã levou essa situação a outros níveis

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 12/09/2021, às 08h00

Montagem mostrando foto de Zarifa durante evento, e durante fuga de seu país
Montagem mostrando foto de Zarifa durante evento, e durante fuga de seu país - Divulgação / Domínio Público via Wikimedia Commons/ Zarifa Ghafari/ Arquivo Pessoal

Em 2018, o Afeganistão passou por uma conquista importante: o país elegeu sua primeira prefeita mulher. O momento histórico ocorreu na cidade de Maidan Shar, que passou então a ser administrada por Zarifa Ghafari, uma política de apenas 26 anos. 

Ela passou os últimos três anos lutando pela defesa de diversas pautas, incluindo os direitos das afegãs, que por anos foram reprimidas pelas tradições conservadoras do país, em particular durante o último mandato do Talibã, que durou entre 1996 e 2001. 

Seu cargo de importância, todavia, também tornou Zarifa um alvo, segundo divulgado por uma matéria da BBC de 31 de agosto de 2021. 

Inúmeros atentados foram feitos contra sua vida, e no ano de 2020 um ataque foi responsável por assassinar seu pai, que era um soldado de alta patente no exército afegão.

Ghafari suspeita, além do fato dele ser o progenitor de uma mulher que possuía uma carreira no mundo da política, outra razão para o ato seria que já tinha inimigos prévios dentro do Talibã. 

Zarifa durante visita à sepultura de seu pai em 2021 / Crédito: Divulgação/ Facebook/ Arquivo Pessoal

 

Risco de vida

Após a retomada do governo do Afeganistão pelo grupo fundamentalista islâmico, a mulher, que hoje tem 29 anos, se encontrou em uma posição ainda menos segura.

Ela era extremamente vocal a respeito de suas crenças, e sua profissão lhe concedera autoridade e influência ao longo dos anos. "Minha voz tem o poder que nenhuma arma tem", afirmou à BBC. 

Embora a política tenha tentado manter seu cargo na prefeitura de Maidan Shar, logo ficou claro que, caso permanecesse em território afegão, sua vida correria perigo. 

Essa conclusão apenas foi reforçada por um episódio em que o segurança que havia contratado para guardar sua casa foi espancado por soldados do grupo fundamentalista. 

Em 18 de agosto, três dias após a volta do Talibã, Zarifa foi capaz de escapar do país juntamente de sua família. Isso só foi possível, contudo, com a ajuda de um embaixador turco. 

A prefeita afegã e seus familiares entraram no aeroporto de Cabul dentro do carro do homem. A chegada ao local foi particularmente angustiante, segundo relatou também à BBC. 

"Quando chegamos ao portão do aeroporto, havia combatentes do Talebã por toda parte. Eu estava me esforçando para ficar escondida", narrou.
Zarifa em fotografia tirada durante sua fuga do território afegão / Crédito: Divulgação/ Arquivo Pessoal

 

Felizmente, os integrantes do grupo extremista não a viram, e Ghafari pôde voar até Istambul, uma cidade da Turquia, de onde foi capaz de viajar até a Alemanha, seu destino atual.

Assim, ela conseguiu garantir sua segurança, mas a decisão de ir embora também teve seu custo, conforme contou ao veículo. 

"Quando perdi meu pai, achei que nunca mais me sentiria tão mal na vida", contou a afegã, relatando que: "Mas quando embarquei no avião para deixar meu país, foi mais doloroso do que perder meu pai. (...) Nunca planejei deixar meu país". 

Em segurança

Zarifa está agora na cidade de Düsseldorf, que fica na porção oeste do território alemão. Embora o dia que saiu do Afeganistão tenha sido considerado por ela o pior momento de sua vida, a afegã também sabe que é muito sortuda por sido bem-sucedida em sua fuga. 

Muitos outros que invadiram o aeroporto de Cabul durante aqueles dias não só não tiveram êxito, como também fizeram parte de cenas de caos que chocaram o mundo. 

Mesmo da Alemanha, Ghafari ainda pretende auxiliar a população de sua terra natal, e pretende voltar um dia.

Para tanto, ela está disposta até mesmo a negociar com o próprio Talibã, mesmo que pretenda fazê-lo com cautela, uma vez que não confia nas garantias dadas por eles, em especial aquelas referentes aos direitos das mulheres.  


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