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Escondida em uma montanha: os enigmas de Cholula, a maior pirâmide do mundo

Com uma base 22 vezes maior que o gramado do Maracanã, a construção mexicana é reconhecida pelo Guinness como maior monumento já construído

Wallacy Ferrari Publicado em 22/07/2020, às 07h51

Vista da pirâmide oculta de Cholula
Vista da pirâmide oculta de Cholula - Wikimedia Commons

Quando o colonizador espanhol Hernán Cortés e seus homens chegaram em Cholula, em outubro de 1519, mal imaginavam a história de força que o local carregava. Na época sendo a segunda maior população no México, a chegada marcou um episódio com o massacre de aproximadamente 3 mil habitantes em um único dia, além de nivelar diversas estruturas da cidade.

O grupo só não sabia que jamais tocaria no maior monumento do local, justamente porque nunca o viram; abaixo do que parecia a principal montanha de uma região sem montes, havia uma gigantesca estrutura, escondida por densas camadas de terra, formando plantações milenares sobre um lendário templo piramidal.

De fato, o grupo chegou até a construir uma igreja, dedicada à Nossa Senhora dos Remédios, no topo da formação, em 1594, após tomarem a cidade. Por quase 400 anos, a tomada do grupo de Cortés seria responsável por ocultar uma história muito maior da cidade, mas não apagar, pois, na década de 1930, um grupo de arqueólogos localizou uma série de túneis nas imediações.

Maquete exexmplifica a disposição da pirâmide de Cholula sobre a terra / Crédito: Wikimedia Commons

 

A descoberta

Conhecida regionalmente como Tlachihualtepetl, que em tradução náuatle significa “montanha feita à mão”, o complexo tinha três grandes edifícios escondidos por baixo da terra, sendo o principal deles a mais notável montanha. Construída em adobe — um tijolo feito de barro cozido que fornece nutrientes a vegetação — a estrutura foi construída com o intuito de ser coberta.

Acredita-se que foi confeccionada por volta de 300 a.C. por muitas comunidades na cidade, que se uniram para honrar Quetzalcoatl — deus asteca do vento, do ar e do aprendizado. Com seis camadas, as pirâmides foram construídas ao longo de muitas gerações e usadas como locais de culto por aproximadamente 1,2 mil anos, o que leva a compreensão de que o grupo de Cortés chegou 1,8 mil depois da confecção.

Em entrevista à BBC, o arqueólogo David Carballo, da Universidade de Boston, acrescentou que o local foi abandonado por volta do século 7 d.C., tendo seus cultos deslocados para um local menor e de mais fácil acesso. Além disso, estruturas originais foram alteradas pelos colonizadores: “Cholula tinha um templo-pirâmide mais novo localizado nas proximidades, que os espanhóis destruíram".

Fotografia em grande plano da montanha que abriga a pirâmide de Cholula / Crédito: Wikimedia Commons

 

Especificações impressionantes

A Grande Pirâmide de Cholula não é a mais alta das pirâmides já vistas, tendo 66 metros de altura — aproximadamente um prédio de 22 andares. A Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, é considerada mais alta, visto que os complexos não foram construídos em larguras tão grandes, possibilitando um aclive maior, que totaliza 138,8 metros.

A largura da construção mexicana, no entanto, possibilita o título de maior pirâmide e maior monumento já construído em qualquer lugar do mundo de acordo com o Guinness Book of Records; com uma base de 450mx450m, o volume total da confecção é de cerca de 4,45 milhões de metros cúbicos, quase o dobro da irmã egípcia de Gizé, com 2,5 milhões de metros cúbicos.

Atualmente, o serviço arqueológico do governo de Puebla não faz questão de escavar a estrutura, visto que, mesmo coberta, atrai centenas de turistas anualmente. Alguns dos túneis encontrados na década de 1930 foram equipados com maquetes e reproduções disponíveis para visitação pública, possibilitando a entrada na igreja localizada no pico.


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