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Escravas, paixão proibida e esposa misteriosa: a perturbadora vida íntima de Kim Jong-Un

O ditador norte-coreano gere com mãos de ferro as suas relações íntimas, que são tão abusivas quanto sigilosas

Vanessa Centamori Publicado em 30/07/2020, às 16h38

Kim Jong-Un e a esposa, Ri Sol-ju
Kim Jong-Un e a esposa, Ri Sol-ju - Wikimedia Commons

Quando o amor está no coração, poderia haver espaço para a guerra nuclear? vamos deixar essa pergunta pairando. Todavia, se é que existe afeto na ditadura norte-coreana, pode-se dizer que a "zona sentimental" ocupa certo tempo no dia a dia do autointitulado "líder supremo" Kim Jong-Un.

Entre uma ou outra comemoração de testes de mísseis, ele é fotografado com uma sorridente esposa obediente, que usa vestidos impecáveis em tons pastéis. Essas aparições ocorrem desde 2012. No entanto, até hoje a verdadeira história da primeira-dama, Ri Sol-ju, é um segredo.

Ri Sol-ju, esposa do ditador norte-coreano Kim Jong-Un / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Um anúncio oficial tardio revelou que ela e o ditador norte-coreano se casaram em 2009, embora as circunstâncias do suposto romance ainda sejam desconhecidas. Dada a grande encenação que envolve tudo que cerca Kim, o sigilo abre suspeitas de que seja apenas um casamento arranjado. 

Ainda assim, aos olhos da população fanática pelo líder — ou doutrinada para tal — trata-se de um casal lindo e apaixonado. Imagens da TV estatal norte-coreana, divulgadas pela Reuters, mostram o governante ao lado de Ri em cenas que parecem fruto de uma comédia romântica. A descrição diz que os dois riem um com o outro "tocando o cabelo de uma criança e batendo palmas enquanto assistiam a uma apresentação".

Esposa enigmática 

Não se sabe onde surgiu tamanha paixão. Nem foi confirmada a idade ou o passado da primeira-dama norte-coreana. Porém, Sierra Madden, colaboradora da página North Korea Leadership Watch, apontou em entrevista à BBC que ela já teria sido uma cantora e uma líder de torcida antes de conhecer o homem autoritário. 

Ri Sol-ju era uma pretendente que cairia como uma luva. Nasceu supostamente em uma família de elite  — seu pai era professor e a mãe, médica. Se o amor tão óbvio a Kim é uma farsa, não se sabe. Porém, se esse for o caso, o ditador escolheu uma excelente co-estrela no mundo de um eventual romance ficcional.

Segundo a Agência de Notícias Yonhap, da Coreia do Sul, Ri  “era membra de uma trupe de artistas performáticos e recebia treinamento de etiqueta por cerca de seis meses antes de assumir o papel de primeira-dama". 

Assim como a relação entre ela e Kim é um sigilo, os frutos do casal também são. Por isso, não se sabe quantos filhos eles tiveram juntos, mas são no mínimo três herdeiros. O terceiro filho teria nascido em 2017, porém agentes sul-coreanos nunca identificaram o sexo do bebê.

Kim Jong-Un / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Apaixonado por outra 

Por mais que nos holofotes Kim Jong-Un esboce um conto de fadas com  Ri Sol-ju, na prática, a função de déspota carrega consigo grandes motivos para infidelidades. Ou, no mínimo, a exigência de um acordo poligâmico consensual. 

O primeiro indício de que o líder também tem olhos para outras mulheres está em um escândalo que saiu em 2012: Kim Jong-un estava apaixonado. E não era só por Ri Sol-ju. A mulher que roubou o coração totalitário era a ex-cantora pop Hyon Song-wol, conhecida por liderar o conjunto Bochonbo Electronic Music Band, famoso na Coreia do Norte.

"Os dois se conhecem desde quando eram adolescentes e os rumores na elite de Pyongyang são que os dois estejam tendo um caso", afirmou à mídia sul-coreana um funcionário do serviço de inteligência da Coreia do Sul, segundo o jornal O Globo

A história secreta envolvendo Kim e a amante era realmente de longo prazo. Há dez anos eles se conheceram, mas o romance foi proibido pelo pai dele, o até então ditador Kim Jong-il. Naturalmente, as ordens do tirano foram obedecidas pelo filho, que se separou da jovem.

Ela se casou com um militar e teve um bebê, mas não se sabe se a moça se divorciou quando voltou a se encontrar com Jong-Un. A ex-cantora, que passou anos sem ilustrar notícias, apareceu grávida em um show em Pyongyang durante o Dia Internacional da Mulher naquele ano de 2012. Fontes do serviço de inteligência de Seul afirmaram que Kim esteve no mesmo evento, reforçando os rumores de um caso. 

A ex-cantora pop Hyon Song-wol / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Um harém 

Em 2013, o atual líder da Coreia do Norte resolveu tornar pública a sua vontade de ter um harém, assim como fez seu pai, Kim Jong-iI, e o avô e fundador da nação norte-coreana, Kim Il-sung.

Jong-Un ordenou a criação de uma “trupe do prazer” com jovens mulheres. Seus funcionários assim passaram a selecionar moças bonitas. Se Kim segue a tendência de seus antecessores, estima-se que em média sejam escolhidas de 30 a 40 mulheres por ano para a renovação do harém.

As moças "mais velhas" do que 25 anos são “aposentadas”, deixando a escravidão sexual de lado para trabalhos forçados ou postos de alto escalão no governo. As novas recrutas, por sua vez, são fruto de uma seleção prévia, na qual as garotas são entrevistadas por Kim. Elas podem trabalhar servindo o soberano como empregadas, cantoras ou dançarinas. 

O avô e o pai de Kim Jong-Un em retratos que os homenageiam / Crédito: Wikimedia Commons 

 

A desertora

Em 2015, uma das escravas sexuais finalmente escapou da vida de sofrimento nas mãos do líder. Segundo informações do Metro Jornal, o nome da sobrevivente é Hee Yeon Lim. Graças a contrabandistas, ela fugiu até a China com a mãe e de lá as duas foram para o Laos e depois para a Coreia do Sul.

Um relato de Hee, de acordo com o The New York Post, revelou que a escolha das escravas de Kim Jong-Un é feita em escolas. As alunas mais "bonitas" (segundo o gosto do déspota) são escolhidas e têm que aprender a massageá-lo, servir caviar e fazer todas as vontades dele. Qualquer opositora simplesmente some.

Além da exploração sexual, as vítimas também assistem ao vivo a execuções sangrentas. Hee disse ter visto a morte de músicos que fabricaram um vídeo pornográfico, por exemplo. Outras estudantes da classe da garota também viram extermínios com o uso de metralhadoras.

"Seus corpos foram destruídos, totalmente destruídos, sangue e escombros voando por toda parte", relatou a vítima. No final do espetáculo de carnificina, segundo a jovem, tanques passavam pelos cadáveres para que as partes dos mortos não pudessem serem coletadas.

Apesar dos acontecimentos perturbadores, vale lembrar que Kim é louvado como líder e visto como um exemplo a ser seguido em padrão de beleza — ele chegou até a impor o próprio corte de cabelo a todos os homens da Coreia do Norte. Pra completar, ainda tira suspiros de jovens meninas, que choram em fotos ao estarem em sua áustera presença. 


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