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Escritor comenta a imagem das mulheres durante as Guerras: 'Era quebrada a mentalidade de que ‘lugar de mulher é na cozinha'

Sérgio Giacomelli, autor de D’Angelo: O Viajante de Conca, explicou à Aventuras na História que, no período, mulheres passaram a ocupar os vazios deixados pelos homens, que foram aos campos de batalha

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/03/2021, às 08h00

Operárias em fábrica de munições no Sul da Austrália em 1942
Operárias em fábrica de munições no Sul da Austrália em 1942 - Wikimedia Commons

Quando os homens foram para a guerra, como ficaram as cidades, que dependiam inteiramente de sua força de trabalho? Já na Primeira Guerra Mundial, que causou um número de fatalidades nunca antes visto, as mulheres tiveram que ocupar esse espaço.

Se não existiam homens para conduzir trens e ônibus, ou ainda para trabalhar na produção de armas, elas tiveram que abandonar o lar, local onde estiveram por tanto tempo, para desenvolver as atividades essenciais da sociedade.

O trabalho feminino tornou-se “urgente”, fazendo com que regras sociais fossem modificadas após muito tempo estabelecidas em diversas culturas. Foram criadas, por exemplo, creches para que mulheres deixassem seus filhos no Reino Unido durante esse período. 

Isso fica claro com dados publicados pelo jornal britânico The Guardian em 2014. Segundo informações do Museu Imperial da Guerra, o número de trabalhadoras em fábricas de munições foi de 412 mil para 1,65 milhão apenas durante a primeira das Guerras Mundiais.

Mulheres em fábrica na Grã-Bretanha em 1942 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em entrevista à Aventuras na História, Sérgio Giacomelli, autor de D’Angelo: O Viajante de Conca (2021), obra ambientada na Itália após a Segunda Guerra, explica: “Enquanto os homens ocupavam os campos de batalha, as mulheres preenchiam os vazios deixados por eles, mesmo já na Primeira Guerra Mundial”.

Na obra, lançada neste ano, Giacomelli explora a temática da representação do poder e da luta feminina ao reconstruir a trajetória de mulheres do período histórico, que foram responsáveis por mudanças irreversíveis na sociedade tanto europeia quanto da maioria dos países do mundo.

A Itália pós-guerra 

“Após o fim da Segunda Guerra, a Itália encontrava-se em ruínas, ocupada por exércitos estrangeiros, desemprego, uma democracia nova mas ainda fragilizada”, explica o autor. “A Itália era um país predominantemente rural, precisava se reconstruir para que o povo não sofresse ainda mais. As pessoas queriam reconstruir-se, não falar sobre a guerra e seguir a vida”.

O país estava vendo nascer uma nova democracia que, porém, apresentava-se fragilizado, contando com um cenário de desalento composto por um enorme desemprego. “Foi com a ajuda do Plano Marshall que ocorreu o ‘milagre econômico italiano’ nos anos que se seguiram”, conta Giacomelli.

A partir de então, a Itália viu-se ser preenchida por indústrias, o que gerou empregos. Mas os problemas mudaram: a adversidade principal não era mais o desemprego, e sim os baixíssimos salários. Isso acontecia principalmente com as mulheres, que não estavam acostumadas a ocupar postos antes das guerras.

Operária desenvolvendo parte de tanque militare na Austrália em 1943/ Crédito: Divulgação/State Library of South Australia

 

Embora o processo de igualdade salarial ainda seja uma pauta importante nos dias de hoje, os anos de guerra - e o período após os conflitos - foram importantes pois foram marcados pela emancipação feminina. Foi pela desocupação de cargos anteriormente apenas masculinos que elas puderam preencher essas lacunas, enquanto antes eram somente mães e donas de casa.

“Com o fim da guerra os direitos conquistados pelas mulheres naquele período não retroagiram, ao contrário, as mulheres continuaram conquistando espaços públicos exclusivos dos homens. Era quebrada aquela mentalidade que ‘lugar de mulher é na cozinha’”, afirma o escritor.

Já em 1945, por exemplo, as mulheres conquistam o direito ao voto na Itália, um dos mais importantes triunfos do século passado na questão de igualdade de gênero. 

Para o autor, “era a mulher buscando não apenas seu espaço, mas a liberdade de vestir-se, de expressar-se, de conquistar os seus desejos. A mulher não estava presa apenas a uma ideologia, mas estava transformando isso em ações”.


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