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Espetáculo destinado a tragédia: Mantacore, o tigre que atacou o domador

O felino já havia mostrado sinais de que não estava bem, porém, Roy Horn preferiu ignorar e seguir com a apresentação

Penélope Coelho Publicado em 14/05/2020, às 17h00

Imagem ilustrativa de um tigre branco
Imagem ilustrativa de um tigre branco - Wikimedia Commons

Há 17 anos, um acidente preocupante colocou em cheque as apresentações de companhia de circos que utilizavam animais em performances, principalmente quando se trata de uma espécie selvagem, como tigres.

Até então, o domador Roy Horn — da dupla de mágicos Siegfried & Roy — usava e abusava de animais selvagens em suas performances. É fato que grandes felinos chamam a atenção, ainda mais quando esses bichos seguem perfeitamente o comando de humanos, porém, seu instinto é de um predador, que não está acostumado com muita gente a sua volta.

O fatídico incidente aconteceu em 3 de outubro de 2003, em um dos maiores hotéis de Las Vegas, conhecido como Mirage. Pouco tempo depois do início das apresentações naquela noite, o grande tigre branco de nome Mantacore, abocanhou Roy Horn.

O animal mordeu o lado direito do pescoço de seu domador, arrastando o homem para os bastidores da apresentação. Roy foi solto, cheio de machucados, após um dos integrantes da companhia Chris Lawrence, realizar um truque colocando seus dedos na boca do bicho.

No mesmo momento, Horn foi levado ao hospital mais próximo, com uma hemorragia severa que causou um derrame, o homem viveu os anos seguintes com graves sequelas. Àquela altura, a plateia do Mirage ainda estava boquiaberta com o que tinha acabado de presenciar.

Roy Horn e Siegfried Fischbacher com seu leão branco / Crédito:  Wikimedia Commons

 

Consequências

Após o acidente, algumas medidas tiveram que ser tomadas, deixando as leis de espetáculos com bichos selvagens mais rígidas, consequentemente, a companhia de mágicos Sigfried & Roy foi fechada. Mantendo apenas um zoológico em Las Vegas, no mesmo hotel do acidente. Eles permaneceram com o direito dos tigres, leões e leopardos, que não fazem mais apresentações.  

Após sua longa recuperação, o domador atacado surgiu com uma versão um pouco estranha do que tinha acontecido naquele dia. 3 de outubro marcava a data de aniversário de 59 anos de Horn, até por isso, Mantacore foi escolhido, por ser o maior tigre da trupe, mostrando imponência.

Na época, Roy surgiu dizendo que tudo não teria passado de uma confusão, o homem afirmou ter sofrido um derrame no palco e o tigre teria percebido o ocorrido, salvando a vida de seu domador, levando-o para a coxia.  

Anos depois, um dos funcionários da companhia que cuidava pessoalmente do tigre, surgiu na televisão norte-americana, afirmando que essa fala não passava de uma mentira. Esse homem era Chris Lawrence, o mesmo que havia salvado a vida de Roy.

Roy Horn com tigre Mantacore / Crédito: Divulgação

 

Mas, afinal de contas, qual foi o motivo do ataque?

Mantacore, um tigre branco de 180 quilos, media mais de dois metros de comprimento, e foi escolhido naquela noite para apresentação como sugestão de Chris, que carrega até hoje a culpa em seu coração.

O animal selvagem já demonstrava certa insatisfação com Roy Horn devido ao afastamento do domador — que já não dedicava seu tempo com carinho para os animais, usando-os apenas na hora das apresentações.

Logo no início daquela performance, Lawrence já havia percebido que algo não estava normal com o felino. Para o funcionário, o maior erro de Horn foi ter usado seus braços como forma de girar o animal, fazendo movimentos de pirueta.

Aquilo deixou o tigre em seu estado mais selvagem, jamais visto por seus domadores até então. O animal levantou as orelhas, ficou com as pupilas dilatadas e atacou diretamente Roy. O tigre estava focado no homem. “Foi muito desesperador, parecia uma eternidade.”, contou Chris, em entrevista.

Após o ocorrido, o tigre nunca mais atacou novamente, porém, a vida do bicho e de seu domador não seria mais a mesma. A companhia tentou ao máximo livrar a culpa do animal, mas, também não queria se responsabilizar pelo acidente. 

O fim

Mesmo depois de ter sobrevivido a um ataque de um felino enorme, Roy Horn acabou tendo complicações graves com o novo vírus que assola o mundo atualmente. O domador faleceu aos 75 anos, em 8 de maio deste ano, após ser diagnosticado com coronavírus, nos Estados Unidos.

Em comunicado emocionado, seu parceiro de companhia, Siegfried Fischbacher afirmou: “Roy foi um lutador a vida toda, inclusive durante esses dias finais. Dou meu sincero agradecimento à equipe de médicos, enfermeiros e funcionários do Mountain View Hospital que trabalharam heroicamente contra esse vírus que acabou tirando a vida de Roy.”.


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