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Esposa por 40 horas: Eva Braun, a amante do Terceiro Reich

Leal ao Führer em todos os momentos, a jovem era apaixonada pelo alemão e queria se casar com ele a todo custo

Pamela Malva Publicado em 12/03/2020, às 17h30 - Atualizado às 18h00

Eva Braun em foto durante a Segunda Guerra
Eva Braun em foto durante a Segunda Guerra - Wikimedia Commons

Filha de um pai professor e uma mãe costureira, Eva Anna Paula Braun conseguiu seu primeiro emprego muito jovem, com apenas 17 anos. Criativa e curiosa, ela trabalhava como assistente de Heinrich Hoffmann, fotógrafo oficial do Partido Nazista.

Em pouco tempo, Eva aprendeu tudo sobre o ofício. Em outubro de 1929, durante as sessões no estúdio de seu chefe, em Munique, conheceu Adolf Hitler. Na época, o alemão era 23 anos mais velho que a jovem.

A atração entre os dois foi instantânea, mas o líder nazista não demonstrava qualquer sentimento — ele deveria manter a reputação frente ao público alemão. Assim, em agosto de 1932, na tentativa desesperada de chamar atenção de Hitler, Eva atirou no próprio peito.

A tentativa de suicídio não vingou, mas a jovem conseguiu o que queria. No final daquele mesmo ano, assim que ela se recuperou, o Führer finalmente lhe entregou seu coração e os dois passaram a ser amantes. A relação, entretanto, para o desgosto de Eva, seguia velada.

Eva Braun e Hitler posando para foto com seus cachorros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1935, ela tentou tirar a própria vida mais uma vez, ao tomar um coquetel de remédios que pertenciam ao seu amado. A ideia era morrer de overdose, graças às pílulas para dormir. Novamente, todavia, o quase suicídio não funcionou.

Nesse momento, Eva já pensava em casamento, possibilidade que nem passava pela cabeça de Hitler. Para o alemão, sua aparência lhe garantia vantagens políticas. Dessa forma, se quisesse atrair o publico feminino, por exemplo, deveria manter-se solteiro.

Sendo assim, por mais que se relacionassem, Eva e Hitler nunca apareceram juntos em público. A única vez em que a jovem foi vista ao lado do Führer foi quando ambos posaram em uma foto oficial nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1936.

Em pouco tempo, Eva também conquistou a posição de secretária particular de Hitler. Com o novo trabalho, ela frequentava os mesmos eventos que o líder nazista e entrava em sua chancelaria sem necessidade de autorização.

Adolf Hitler durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 1936 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com essa proximidade do alemão, a jovem conseguiu tirar várias fotos de membros do círculo íntimo e Hitler — imagens que vendeu para Hoffmann por preços bastante altos. Mesmo assim, ela nunca teve permissão para ficar na mesma sala onde conversas políticas ocorriam e chegava a ser expulsa quando ministros e outros políticos estavam presentes.

Ainda que sua influência fosse inexistente em grane parte da relação, a situação de Eva mudou um pouco de figura quando sua irmã casou-se com Hermann Fegelein, um oficial da SS. A partir desse momento, ela passou a ser uma importante peça no círculo social frequentado por Hitler.

Por estar constantemente ao lado do líder nazista, Eva também viu quando o Terceiro Reich começou a desmoronar. Sem pensar duas vezes, Eva jurou lealdade ao seu amado e viajou de Munique para Berlim, a fim de abrigar-se ao lado de Hitler no chamado Führerbunker.

No local, instalado sob a Chancelaria do Reich, Hitler e Eva finalmente se casaram, em uma pequena cerimonia civil, à meia noite do dia 28 para 29 de abril de 1945. Joseph Goebbels e Martin Bormann, por exemplo, foram testemunhas do matrimônio.

Diário de Eva Braun / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma vez casados, Eva e Hitler tiveram um modesto café da manhã. Na época, o Führer tinha 56 anos, enquanto a jovem, que agora se chamava Eva Anna Paula Hitler, tinha 33. Na tarde do dia seguinte, no entanto, o feliz relacionamento chegaria ao fim.

Em menos de 40 horas após assinarem os papéis, os dois se despediram dos membros da comitiva e dos ministros alemães. Às 15h30 do dia 30 de abril de 1945, um tiro pôde ser ouvido dentro do bunker e, minutos mais tarde, Eva e Hitler foram encontrados mortos no esconderijo.

Ambos os cadáveres ainda estavam sentados no sofá do aposento. Hitler tirou a própria vida com um tiro na têmpora e Eva, de forma mais silenciosa, mastigou uma cápsula de cianeto. Os corpos foram removidos por oficias e, do lado de fora, nos jardins da chancelaria, foram queimados até virar pó.

Os restos carbonizados de Eva e Adolf Hitler foram encontrados mais tarde por soviéticos. Foi apenas então, com a morte dos amantes, que o povo alemão ficou sabendo sobre a relação. Naquele momento, Eva era muito mais do que uma companheira: ela era o amor e um ponto de confiança de Hitler.


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