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Tsimane, o povo indígena cujos cérebros envelhecem lentamente

Um estudo publicado em maio deste ano mostrou que os cérebros dos tsimane envelhecem de maneira muito mais lenta do que o comum

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 16/06/2021, às 15h00

Mulher e criança da tribo Tsimane
Mulher e criança da tribo Tsimane - Divulgação/Tsimane Health and Life History Project Team

No ano de 2017, um estudo publicado na revista científica The Lancet concluiu que pessoas indígenas pertencentes ao povo Tsimane, as quais habitam o norte da Bolívia, possuíam os corações mais saudáveis do mundo.

Agora, uma nova pesquisa, liderada por cientistas da Universidade do Sul da Califórnia e publicada no jornal científico Journal of Gerontology no dia 26 de maio, mostrou que o cérebro deles envelhece muito mais lentamente se comparado aos dos povos europeus e norte-americanos

Analisando tomografias

Os especialistas avaliaram tomografias do cérebro de 746 adultos tsimane que tinham entre 40 e 94 anos. Como viviam em vilarejos afastados na Amazônia, os participantes tiveram de ser levados à cidade de Trinidad, na Bolívia, em uma longa viagem que pode durar até dois dias inteiros em trajetos de rio ou estrada.

Fotografia de menino pertencente ao povo Tsimani / Crédito: Divulgação/Chapman University

 

Assim que realizaram os exames, os cientistas passaram a calcular o volume de cada cérebro e, em seguida, fizeram uma relação com suas idades. O próximo passo foi comparar os resultados com os dados de três populações industrializadas nos Estados Unidos e na Europa.

Resultados

A conclusão apresentada após uma série de análises é a de que os tsimane sofrem uma diminuição do volume cerebral 70% mais lenta do que o comum com o avanço da idade. A pesquisa ressalta a importância de esses dados, uma vez que a atrofia cerebral está relacionada ao risco de demência.

Uma mulher observa um cérebro humano em exposição / Crédito: Getty Images

 

Hábitos saudáveis

Segundo os pesquisadores, algo que deve-se levar em consideração é que os tsimane possuem um estilo de vida muito saudável, alimentando-se do que eles próprios plantam e caçam, o que resulta em uma dieta rica em fibras, repleta de vegetais e carnes magras. Além disso, possuem hábito de praticar atividades físicas.

Já as pessoas que vivem na Europa e na América do Norte, destacam, apesar de ter maior acesso a remédios modernos, possuem hábitos sedentários e alimentação com grande quantidade de gorduras saturadas.

"Nosso estilo de vida sedentário e dieta rica em açúcares e gorduras podem estar acelerando a perda de tecido cerebral com a idade e nos tornando mais vulneráveis ​​a doenças como Alzheimer", declarou Hillard Kaplan, um dos autores do estudo, em comunicado.

Representação de um cérebro humano / Crédito: Getty Images

 

Altos níveis de inflamação

Com as análises, a equipe notou que os tsimane apresentavam níveis bem altos de inflamação.

Entretanto, os profissionais asseguram que, no caso do povo indígena, esse processo não tem efeito de acelerar a diminuição cerebral e seria causado por infecções respiratórias, gastrointestinais ou parasitárias. Já no caso dos europeus e norte-americanos as inflamações estariam associadas à obesidade e a causas metabólicas.

"As descobertas sugerem amplas oportunidades para intervenções para melhorar a saúde do cérebro, mesmo em populações com altos níveis de inflamação", considerou Kaplan.

Confira aqui o estudo completo.


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