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Eterno Superman: o triste acidente que mudou a vida de Christopher Reeve

Sendo um dos rostos mais conhecidos no mundo, o artista passou por um terrível episódio que mudou o modo como vivia

Caio Tortamano Publicado em 24/09/2020, às 19h14

Christopher Reeve como Super-Homem
Christopher Reeve como Super-Homem - Divulgação - Warner Bros

Durante muito tempo, o icônico Superman foi interpretado pelo talentoso Christopher Reeve, que desempenhou o papel de Clark Kent nas telonas em quatro oportunidades, tendo início em Superman: O Filme, em 1978, até Superman IV: Em Busca da Paz, de 1987. A imagem heróica que o personagem passava acompanhou Reeve por muito tempo, que teve que enfrentar um trágico acidente no decorrer de sua vida.

Hipismo

Um pouco antes de aparecer pela última vez como Superman nas telonas, Reeve foi escalado para o filme televisivo Anna Karenina e, em 1985, começou a ter aulas de hipismo para o seu personagem. A atividade conquistou o ator, que vivia constantemente estressado por conta de suas obrigações com produtoras.

No entanto, a experiência com cavalos foi difícil, uma vez que ele era alérgico aos animais e teve que tomar anti-histamínicos para sua alergia. Em pouco tempo, contudo, ele se tornou hábil, e em 1989 já competia em eventos de hipismo, conquistando o quarto lugar entre 27 participantes logo em sua estreia.

Christopher Reeve como Super-Homem / Crédito: Divulgação - Warner Bros

 

Seu cavalo pessoal se chamava Buck, e foi com ele que praticou a maioria de seus treinos e disputou alguns campeonatos, todavia, foi justamente com o animal que passaria por um episódio que mudou a sua vida para sempre. 

Acidente

Em uma prova, no ano de 1995, Reeve estava preocupado com duas etapas de um circuito que acabaria por encarar, os obstáculos de número 16 e 17 pareciam um grande desafio, entretanto, ele e Buck conseguiram passar com maestria. O problema, no entanto, foi durante o obstáculo seguinte, uma cerca com pouco menos de um metro no formato W.

Já em direção a esse obstáculo, Buck fez uma brusca pausa, se recusando a pular sobre o obstáculo. Com isso, Christopher acabou sendo lançado com o impacto, passando por cima da cabeça do cavalo. Como se não pudesse piorar, a mão do ator ficou presa na guia, tirando a focinheira do animal.

Uma queda traumática, ele acabou caindo de cabeça na cerca, fraturando a primeira e a segunda vértebra, fazendo com ferisse de maneira grave a espinha cervical, o deixando incapacitado de se mexer do pescoço pra baixo. O choque foi tão grande que, no momento, Reeve não conseguia sequer respirar.

Demorou três minutos para que os paramédicos chegassem até o abatido corpo do artista, tentando reaver a respiração do ator por meio de aparelhos. Estabilizado, foi levado de helicóptero até o hospital mais próximo e internado.

Difícil recuperação

Logo após os primeiros dias depois do acidente, Reeve apresentou sinais de delírio, acordando vez ou outra e falando coisas sem sentido, como “pegue a arma” e “eles estão atrás de nós”. Após cinco dias na instituição, ele retomou completamente sua consciência, e logo percebeu o estrago que havia sido feito.

Sua coluna e o crânio já não estavam mais conectados. Como se não bastasse, seus pulmões apresentavam líquidos, e precisavam ser constantemente extraídos por tubos dentro de sua garganta.

Encarando chances reais de não conseguir se movimentar, Christopher pensou em se matar e manifestou a vontade para sua mulher, Dana Reeve, dizendo: “Talvez vocês devessem me deixar partir”.

Christopher como Superman (à esq.) e após o acidente (à dir.) / Créditos: Divulgação / Youtube

 

Emotiva, sua mulher respondeu: “Só vou dizer uma vez: vou apoiar tudo o que você quiser fazer porque esta é a sua vida e sua decisão. Mas quero que saiba que estarei com você por um longo tempo, não importa o que aconteça. Você ainda é você. E eu te amo”. A frase realmente teve impacto na cabeça do artista, que desistiu de considerar uma eutanásia.

Reabilitação

A cirurgia pela qual Reeves teve que passar era de alto risco. Os profissionais teriam que reconectar sua coluna vertebral ao crânio, com o auxílio de placas de titânio e fios. Apesar de difícil, a cirurgia foi um sucesso, e em junho de 1995 começou seu processo de tratamento.

Christopher tinha que receber transfusões de sangue constantemente, dado o baixo teor de proteína e hemoglobina em seu corpo. Um dos responsáveis pela recuperação foi um enfermeiro jamaicano, chamado Glenn Miller, que o ensinou a usar uma cadeira de rodas motorizada.

Durante tratamento na Universidade de St Louis, Reeve apresentou uma melhora considerável, conseguindo mexer o dedo indicador e os pés, conseguia ativar pedais com ajuda de mecanismos presos aos músculos de sua perna.

Em 2003, o avanço de pesquisas com células-tronco não progredia tanto como em Israel, por exemplo, e foi justamente para lá que o artista passou a se tratar.

Christopher Reeve em palestra no MIT / Crédito: Wikimedia Commons

 

Visitou diversos centros médicos no país, e falou abertamente em entrevistas para a televisão sobre a situação da saúde no país, que era muito melhor que nos Estados Unidos, onde religiões conservadoras ainda predominavam em aspectos como esse, além do acesso grátis à saúde.

Anos seguintes e morte

Com o passar dos anos, Reeve se tornou uma figura influente como ativista pela causa das pessoas que sofreram acidentes debilitantes, ao mesmo tempo em que se dedicou a recuperar suas habilidades. Seu corpo, porém, estava extremamente frágil devido a todos os tratamentos internos que precisou se submeter, com isso acabava contraindo diversas infecções.

Uma de suas infecções, em 2004, gerou uma úlcera que causou sepse em seu corpo — danificando seus tecidos e órgãos. Ao tomar um remédio para tratar o problema, acabou tendo uma parada cardíaca.

O artista foi levado até um hospital em Nova York, quando entrou em coma. Em questão de 18 horas, Christopher Reeve não resistiu e acabou falecendo aos 52 anos de idade.


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