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Eutímio Guerra: a primeira vítima fatal de Che Guevara

Durante a deflagração da Revolução Cubana na Sierra Maestra, o camponês foi executado friamente pelo líder revolucionário após trair o movimento

Isabela Barreiros Publicado em 18/01/2020, às 08h00

Che Guevara durante a batalha de Santa Clara
Che Guevara durante a batalha de Santa Clara - Getty Images

Conhecido por sua participação na Revolução Cubana, Ernesto Guevara, mais conhecido como Che, foi médico, diplomata, estrategista militar e filósofo político. Eternizado como um dos maiores símbolos da luta comunista, Guevara divide opniões. 

Ao longo da Revolução, porém, endureceu-se cada vez mais. Desconfiado e decidido, Che tornou-se uma espécie de inquisidor nas guerrilhas da Sierra Maestra, onde se atentava para qualquer pessoa que pudesse por em risco o plano pelo qual tanto lutava. Nesses casos, as consequências para quem estivesse sob o olhar do comunista eram drásticas.

Acredita-se que Eutímio Guerra tenha sido a primeira vítima das suspeitas de Che. Isso porque Guerra havia traído o movimento.

O camponês era guia dos guerrilheiros durante o trajeto na serra cubana. Ele admitiu que aceitaria dez mil pesos para revelar ao governo do ditador Fulgência Batista a localização dos rebeldes. Como consequência, as Forças Armadas do regime ditatorial poderiam atacar de maneira imediata. Além disso, a emboscada também permitiu que o Exército incendiasse casas de camponeses que tivesse alguma relação com os parceiros de Che.

O caso aconteceu em fevereiro de 1957. Mas foi apenas em 1997 que ficou conhecido, quando o jornalista e biógrafo Jon Lee Anderson entrou em contato com o diário de Che, por meio da viúva do líder comunista.

Os guerrilheiros na Sierra Maestra / Crédito: Getty Images

 

No relato escrito pelo próprio socialista, ele conta que no momento em que a traição foi descoberta e a “pena” definida, ninguém se dispunha a realizar a ordem. Foi assim que ele tomou a iniciativa. Segundo Che, a situação era “desconfortável” a todos que estavam presentes — pois essa era a primeira vez em que tal situação acontecia.

“Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no lobo temporal direito”, escreveu em seu diário.

De acordo com o Arquivo Cuba, pelo menos 22 pessoas que participavam da guerrilha de Che e Fidel Castro foram assassinadas na Sierra Maestra entre 1957 e 1958. Em quase todos os casos, as execuções aconteceram devido a desconfianças dos líderes com os membros do grupo rebelde.

Assim, Guevara tornou-se quase que temido por todos aqueles que pensassem em trair a tão requerida Revolução Cubana. O guerrilheiro ficou conhecido por não fazer vista grossa aos possíveis desertores, ficando responsável por uma série de assassinatos ao longo de sua trajetória.


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