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Evidências naturais e relação científica: Existiu mesmo uma arca de noé?

A passagem da grandiosa confecção marca um dos símbolos da atuação divina — e movimenta pesquisadores para encontrar vestígios do episódio

Wallacy Ferrari Publicado em 30/07/2020, às 08h47

Imagem ilustrativa relatando a Arca de Noé em um temporal
Imagem ilustrativa relatando a Arca de Noé em um temporal - Pikist

Na passagem de Gênesis 6 a Gênesis 9 da Bíblia, uma narrativa relata um ponto crucial do que seria um feito de Deus para poupar os seres puros de uma tragédia na Terra. Selecionando Noé e dando as instruções, a ajuda divina teria auxiliado o homem a construir uma embarcação gigante para abrigar espécies selecionadas em um barco de 1,2 mil toneladas.

Em uma epopeia de chuvas intensas e mais de 300 dias à deriva, o encalhe no Monte Ararat tornaria a história da Arca de Noé um símbolo religioso sobre a fé e a condução da humanidade. Uma dúvida, no entanto, movimenta pesquisadores, arqueólogos e até mesmo astronautas; onde foram parar os vestígios de tal episódio?

Com registros de buscas desde a época de bispo Eusébio, que viveu entre 275 e 339 d.C., diversas expedições foram feitas para encontrar itens relacionados à Arca, com alguns pontos históricos sendo ligados ao longo dos anos, utilizando localidades relatadas e um extenso trabalho arqueológico na reprodução do trajeto.

Relação histórica

Apesar da aparição da aventura de Noé abranger a Bíblia cristã, a Torá judaica e o Corão islâmico, a mais antiga citação de sua história é na obra "Epopeia de Gilgamesh", criada há cerca de 2.500 a.C. por um rei mesopotâmico que relata a expedição. A surpresa, se deve ao fato de que o rei teria conhecido pessoalmente o profeta após sua salvação.

Tal fator seria essencial para uma relação histórica de fenômenos climáticos e biológicos para a busca arqueológica relacionada ao ato. Além disso, o ponto de chegada da Arca de Noé também acrescenta informações na curiosa história, visto que tem um ponto real; o Monte Ararat, na Turquia.

Fotografia com vista aérea do Monte Ararat / Crédito: Wikimedia Commons

 

O local ainda é alvo de estudos relacionados a passagem, mas hoje é extremamente restrito pelo governo turco, visto que, ao longo dos anos, diversos pesquisadores religiosos alteraram a biologia local e chegaram a manipular provas para provar os pontos de uma possível inundação.

Em pesquisas recentes realizadas por arqueólogos da Universidade de Ildir e da Universidade de Ataturk, foi possível comprovar que o nível da água já esteva alto o suficiente para aproximar o Monte Ararat do mar, mas sem constatar a magnitude e o ario de ação da inundação, sendo impossível de concluir se realmente houve um Dilúvio Universal, como a Bíblia relata.

Amparo científico

Uma das teses, apresentadas pelo cientista Irving Finkel, do British Museum, lançou luz sobre a compreensão do que teria sido o dilúvio; uma enchente, nos rios Tigre e Eufrates unificou as águas e multiplicou o nível do mar, causando uma inundação há cerca de 5 mil anos. Tal hipótese é comprovada com registros antigos da presença da água em pontos que hoja já não abrangem o mar Mediterrâneo ou o mar Negro.

A catalogação dos animais, no entanto, é a parte mais contestada por pesquisadores e biólogos, visto que a aplicação é controversa dada a dificuldade de deslocar uma quantidade tão elevada de bichos. Em um estudo da Universidade de Leicester, a Arca de Noé poderia transportar até 70 mil animais, sendo 1,2 milhão de espécies catalogadas, sendo 5,5 mil mamíferos, com uma espécie de mamífero para cada 312 espécies de artrópodes.

Tela sobre a Arca de Noé, com os animais sendo deslocados / Crédito: Joseph Holodook

 

Apesar dos números impressionantes, tal esforço é contestado academicamente visto que, até os dias atuais, a possibilidade de realização manual de tal condução é humanamente impossível. Levando em conta que Noé poderia ter tido sorte ou uma benção divina capaz de transportar todos as 1,2 milhão de espécies, ainda teria um empecilho; a construção de uma arca gigante para abrigar os bichos levando em conta o prazo do dilúvio.

Em entrevista à Agência EFE, o orientalista russo Andrei Poliakov, que realizou uma das últimas expedições ao monte Ararat, em 2003, acrescentou que documentos sumérios apontam a construção de uma arca grande, porém, não foi realizada unicamente por Noé: “Já que não tinha conhecimento para isso, mandou construir. Além disso, mais que um barco, era um submarino à antiga”.


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