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Existe espaço para mulheres na tecnologia

Pouco a pouco, vemos mulheres ocupando um espaço até agora dominado por homens

Fernanda Lyra Martins Vivaldo e José Breternitz Publicado em 28/11/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - StockSnap, via Pixabay

A cada dia que passa, o tema "mulheres na tecnologia" vem sendo mais explorado e cresce o incentivo para a inclusão do público feminino nessa área. Pouco a pouco, vemos mulheres ocupando um espaço até agora dominado por homens.

Porém, a história nos conta que antes de nomes como Alan Turing,Steve Jobs e Bill Gates, a computação era uma área ocupada por mulheres. De acordo com registros da USP, sua primeira turma de Ciência da Computação, que foi formada em 1974, contava com 20 alunos, sendo 14 mulheres e 6 homens.

Mas, se voltarmos um pouco mais no tempo, em 1843 tivemos Ada Lovelace que foi a primeira pessoa a desenvolver um algoritmo computacional. Hedy Lamarr era uma famosa atriz que inventou uma tecnologia utilizada atualmente na área de celulares, Bluetooth e Wifi. 

Na época suas ideias permitiram criar um sofisticado aparelho utilizado para desorientar radares nazistas; patenteou esse sistema em 1940, usando o seu verdadeiro nome, Hedwig Eva Maria Kiesler.

Nos anos 1950, tivemos Grace Hopper, que entre outras coisas, esteve envolvida na criação do Fortran e do Cobol. Foi tão importante nessa área que a Marinha dos Estados Unidos, da qual era almirante, deu seu nome a um navio de guerra; agora, seu nome foi dado a um cabo submarino que está sendo lançado pelo Google, ligando a Europa aos Estados Unidos e que tem capacidade de 350 terabytes por segundo.

Mas, por que então esse universo passou a ser um ambiente masculino? Uma das versões dá conta que, na década de 80, quando os videogames chegaram no mercado, ficou caracterizado que eles eram destinados aos meninos, fazendo com que tecnologia em geral passasse a ser caracterizada como "coisa de menino" e gerando o predomínio dos homens nessa área.

Curiosamente, pesquisas dão conta que nos anos iniciais da escola, 74% das meninas demonstram interesse nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, mas ao escolherem uma graduação, apenas 0,4% dessas meninas escolhem Ciência da Computação, por exemplo.

Mas a ideia de que o ambiente tecnológico, especialmente o ligado à Computação não é para mulheres, felizmente está sendo abandonada, pois o mundo está mudando e paradigmas estão sendo desconstruídos. Pouco a pouco, vemos mais mulheres se destacarem como Engenheiras de Software, Cientistas de Dados etc.

Além das universidades, muitas organizações oferecem programas que ajudam a formar mulheres na área. O PrograMaria, cuja missão é "de empoderar meninas e mulheres por meio da tecnologia", já atendeu mais de 5 mil mulheres.

A WoMakersCode, cuja missão é "fortalecer o protagonismo feminino na TI através do desenvolvimento profissional e econômico" já alcançou mais de 200 mil mulheres no Brasil, Chile e América do Norte. Temos ainda outros como Django Girls, PyLadies, Rails Girls e Tech Ladies Brasil.

Ter mulheres na Computação é trazer, além de muita capacidade analítica, um sexto sentido e um olhar minucioso e prático. É responder às demandas do mercado e de nossa economia como um todo.

É ter mulheres podendo conciliar o sonho de ser mãe com um trabalho em home office e/ou em tempo parcial. É ter mulheres que podem sustentar suas famílias. É resgatar um espaço que sempre foi delas.


Fernanda Lyra Martins, Especialista em Administração Pública, é aluna do Programa de Mestrado em Computação Aplicada da Universidade Presbiteriana Mackenzie.


Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor do Programa de Mestrado Profissional em Computação Aplicada da Universidade Presbiteriana Mackenzie .


Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.