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Experiências insólitas: Evan O'Neill Kane, o cirurgião que operou a si mesmo em três ocasiões

Kane não poupou esforços para provar uma teoria

Penélope Coelho Publicado em 29/06/2020, às 16h13 - Atualizado às 16h14

Imagem ilustrativa de instrumentos cirúrgicos
Imagem ilustrativa de instrumentos cirúrgicos - Pixabay

Um dos mais conhecidos nomes da medicina no século 20 dos Estados Unidos era Evan O'Neill Kane. Além de ter sido pioneiro em saúde ocupacional e cirurgias de traumas, sua contribuição na área ficou marcada para sempre em âmbitos atípicos.

O homem veio de uma das famílias mais importantes do estado da Pensilvânia. Seu pai era um major que atuou durante a Guerra Civil Americana, e fundou a cidade em que Evan cresceu — não por coincidência chamada de Kane.

Durante os anos em que atuou como cirurgião chefe do Hospital Kane Summit, o profissional salvou muitas vidas, porém, os grandes momentos de sua carreira de sucesso envolveram os procedimentos peculiares que o homem realizou em si mesmo.

Cirurgia acordado

Conhecido por seu espírito inovador, Kane tinha algumas crenças médicas. A maior delas envolvia o uso de anestesia geral para cirurgias consideradas simplórias e sem muito risco de morte. O especialista acreditava que o procedimento não era recomendado em toda cirurgia, e que muitas vezes uma injeção para adormecer o local poderia ser mais válida. Porém, para provar suas teorias, o homem foi longe.

Na visão de Kane, o uso exacerbado de injeção geral, feita a partir do éter, poderia ser mais perigoso do que o ato da cirurgia em si. Por isso, ele decidiu ser sua própria cobaia para sentir literalmente na pele, o que um paciente sentiria se fosse submetido a um procedimento acordado.

Em 1919, o médico realizou o primeiro procedimento no próprio corpo, Kane precisou amputar o próprio dedo que estava tomado por uma infecção, o ato exigiu coragem, no entanto, o que estava por vir seria ainda maior.  Dois anos depois, quando precisou passar por uma operação para remover o apêndice, Evan notou que aquela era a oportunidade perfeita de operar a si mesmo e provar seu ponto sobre as anestesias. 

Aos 60 anos de idade, em 15 de fevereiro daquele ano, o médico realizou o seu feito mais notório: utilizando apenas uma anestesia local, o homem fez em seu próprio corpo o procedimento que ele já havia comandado mais de 4 mil vezes em outras pessoas.

Com o auxílio de espelhos para dar visão ao local operado e uma equipe ao seu lado de prontidão, Evan realizou uma apendicectomia em si mesmo, acredita-se que ele tenha sido o primeiro a realizar uma cirurgia desse nível dessa maneira.

Naquela época, a apendicectomia era um procedimento bem mais complicado do que o que é realizado atualmente, devido às técnicas médicas que avançaram com o tempo. Entretanto, tudo ocorreu bem e O'Neill foi liberado para sua casa no dia seguinte.

Práticas perigosas

Mais de 10 anos depois da retirada de seu apêndice, o doutor chamaria a atenção da mídia novamente com outra técnica cirúrgica inovadora — e peculiar. Para corrigir uma hérnia inguinal, no ano de 1932, o cirurgião realizou outra tática invasiva em si mesmo.

A cirurgia foi um marco e a imprensa estava em peso no hospital Hospital Kane Summit, para cobrir o feito. Dessa vez, o processo era mais complicado e perigoso do que o anterior, devido ao grande risco de uma perfuração na artéria femoral.

A operação durou cerca de duas horas, mas, nessa ocasião o doutor acabou apresentando sonolência e não conseguiu realizar as suturas finais. Contudo, Kane já estava de volta ao trabalho depois de 36 horas da realização do procedimento.

Curiosidades

Na comunidade médica outros acontecimentos marcaram a história de Evan O'Neill, como por exemplo, o fato de que o médico era defensor de pequenas tatuagens idênticas feitas em bebês e mães — para evitar que qualquer troca fosse realizada em seu hospital, prática que ele chegou a realizar algumas vezes.

Outro episódio marcante em sua vida foi o julgamento de seu filho Elisha Kent Kane, acusado de ter matado a esposa Jenny G. Kane, por afogamento. O homem foi absolvido graças à ajuda de seu pai, que apresentou evidências científicas de que Jenny tinha condições cardíacas que contribuíram com seu afogamento.

Entretanto, tamanha emoção foi demais para o médico, que acabou falecendo poucos meses depois da fatídica operação da hérnia. Evan O'Neill Kane morreu aos 70 anos, em 1 de abril de 1932, na cidade de Kane, Pensilvânia.


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