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"Fáceis de matar": Joanna Palani, a mulher que enfrentou o Estado Islâmico

Franco-atiradora em uma esquadra de mulheres, a moça conseguiu irritar o grupo a ponto de ter uma recompensa de 1 milhão na cabeça

Wallacy Ferrari Publicado em 14/11/2020, às 11h00

Joanna Palani em frente a um forte para atirar
Joanna Palani em frente a um forte para atirar - Divulgação

Nascida em um campo de refugiados no meio do deserto de Ramadi, no Iraque, a pequena Joanna Palani veio ao mundo em 1993, já rodeada pelos problemas do país.

Descendentes de curdos iranianos, a esperança familiar surgiu quando a pequena tinha 3 anos de idade, sendo integrada em um programa de acolhimento de refugiados na Dinamarca, onde passaria toda a infância e adolescência.

Apesar de conseguir segurança familiar em um país longe dos conflitos, a garota fez questão de estudar a situação de seu país de origem, além de nutrir respeito pela origem curda e as mulheres que não conseguiram migrar como ela. Ao invés de optar pelo ativismo, Palani teve a arriscada ideia de aderir na luta armada contra o ISIS, aos 21 anos de idade.

Para isso, largou a faculdade que cursava na Europa e decidiu viajar para a Síria, como relatou em entrevista ao The New Arab: "Minha família era contra a 'guerra islâmica' iniciada por (o ex-líder supremo do Irã) Khomeini contra os curdos sunitas que pagaram um alto preço com sangue [...] lembro que fiz uma promessa a mim mesma de fazer a diferença”.

Palani segura uma metralhadora durante missão do YPJ / Crédito: Divulgação

 

A capacidade de Palani em combate impressionou a equipe das Unidades Curdas de Proteção às Mulheres (YPJ), que a posicionou como franco-atiradora no grupo feminino. Por lá, foi responsável por matar terroristas do grupo extremista, descrevendo os rivais como combatentes “muito fáceis de matar” em entrevista à Vice.

Ela acrescentou que, apesar de ser escalada para o conflito, o YPG dividia as tarefas com o resgate de garotas sequestradas pelos terroristas. Em uma dessas ocasiões, em 2015, Palani relata ter localizado e libertado um grande grupo de garotas, ainda em idade infantil, trancadas unicamente para serem estupradas e usadas como moeda de troca para combatentes de escalão inferior.

“Todas as meninas tinham menos de 16 anos - algumas eram muito jovens. Conheci uma garota no hospital para onde tivemos que levá-las. Ela era cristã síria e morreu segurando minha mão porque tinha 11 anos e estava grávida com gêmeos. Seu rostinho estava tão inchado. Simplesmente não estava certo” disse para a jornalista Lara Whyte.

A luta armada irritou tanto a organização que, ao saber que a jovem não estava mais no território sírio para prosseguir combatendo, anunciou, em dezembro de 2016, que estava colocando uma recompensa de US$ 1 milhão para quem conseguisse matar a jovem de 23 anos, como noticiou a Veja.

Palani em roupas casuais após seu retorno para a Dinamarca / Crédito: Divulgação

 

Ao concluir a missão e retornar para a Dinamarca, o conhecimento público de sua participação na guerrilha foi vista como um perigo ao país, sendo sentenciada a prisão por nove meses por lutar como soldado em uma esquadra não-oficial, tendo o passaporte tomado pelas autoridades, sendo proibida de deixar o país.

O cumprimento completo da pena permitiu a retomada do curso superior, onde a jovem concluiu os estudos de política e filosofia na Universidade de Copenhagen. Durante o período, escreveu o livro ‘Freedom Fighter: My War Against ISIS on the Frontlines of Syria’ (‘Lutando pela liberdade: Minha guerra contra o ISIS na linha de frente da Síria’, em tradução livre).

Em entrevista ao The New Arab, no ano de 2018, Palani acrescentou que a luta não deve parar: “Os governos devem garantir que haja resultados progressivos com seus programas anti-radicalização”, disse ela. [...] Não lutei pela minha própria fé ou nação, mas também pelo mundo exterior que estava ameaçado pelo Grupo Islâmico. Não posso negar que a decisão foi totalmente tomada por mim ... preciso me agarrar a isso e manter minha cabeça erguida. ”


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