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Calígula e Nero foram vítimas de fake news no Império Romano

Muito antes do termo existir, imperadores romanos foram alvo de boatos insólitos

Caio Tortamano Publicado em 27/11/2019, às 15h32

Ilustração do Grande Incêndio de Roma, enquanto Nero tocava cítara
Ilustração do Grande Incêndio de Roma, enquanto Nero tocava cítara - Getty Images

O Império Romano teve capítulos lendários em sua história que até hoje permanecem incertos. Apesar da falta de registros ou das grandes descrições populares, algumas narrativas possuem pistas que nos ajudam a saber se estamos crendo em mentiras ou não. 

O primeiro exemplo pode ser encontrado no Grande Icêndio de Roma, onde 10 das 14 zonas da antiga cidade foram tomadas pelas chamadas. Como consequência, 3 foram destruídas por completo. Após o catastrófico episódio, uma vítima precisava ser culpada.  E assim surgiu a lenda de que o Imperador da época, Nero, teria causado o incêndio propositalmente.

Não bastasse a crueldade de atear fogo no Império, o Imperador teria tocado violino enquanto assistia a cidade arder em chamadas. As áreas mais afetadas foram as de maior concentração populacional, onde a maioria dos romanos viviam em casas feitas essencialmente de madeira.

A culpa recaiu em Nero principalmente pelo fato dele ter a intenção de reformar a parte mais antiga da cidade, e seu pedido de apropriação do terreno teria sido negado pelo senado romano.

Nero / Crédito: Getty Images

 

Quanto ao fato dele ter tocado violino enquanto o fogo de seis dias devastava a cidade, isso seria impossível de todo jeito, violinos nem sequer existiam durante Roma Antiga. Acredita-se que a primeira classe de violinos data do século 11, o maior provável é que Nero soubesse tocar a cítara, um instrumento de madeira de 4 a 7 cordas.

Outro fato que pode inocentar Nero foi o de que quando o Grande Fogo se alastrou por Roma ele estaria em sua casa de campo, em Antium, cerca de 56 quilômetros distante da capital.

Outro imperador, outra fake news

Calígula foi um dos imperadores dos quais mais histórias surgiram ao seu respeito, muito por conta do seu controverso mandato romano, promovendo diversas execuções públicas, muitas delas discutíveis.

Uma das mentiras mais famosas aponta que Calígula teria nomeado seu cavalo preferido, Incitatus, como cônsul do Império Romano. O equino teria tido a seu dispor pelo menos 18 servos para atender suas necessidades, além de um estábulo feito em mármore, e uma manjedoura de marfim.

Calígula / Crédito: Getty Images

 

Além disso, Incitatus usaria como cama tecidos da cor roxa, exclusiva para membros do mais alto escalão do Império. Entretanto, historiadores afirmam que a maior parte dos relatos de sua história foram feitos todos somente muito depois de Calígula morrer assassinado.

Figuras contemporâneas a Calígula, como Sêneca e Fílon, nunca chegaram a mencionar em suas escritas que as supostas ações loucas do imperador, como execuções em massa ou relações incestuosas, de fato aconteceram.

O Senado na época não tinha o costume de permitir excentricidades, e o suposto comportamento insano de Calígula teria sido rapidamente controlado. Entretanto, é muito difícil que seu cavalo tenha sido nomeado cônsul.


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