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Falso naufrágio? Teoria diz que Titanic foi trocado em golpe financeiro

Uma teoria da conspiração embasada em livros e registros históricos revela que o navio teria tido uma falsa colisão

Wallacy Ferrari Publicado em 01/04/2020, às 10h41

Reprodução do navio Titanic do filme de 1997
Reprodução do navio Titanic do filme de 1997 - Divulgação

Não é de hoje que tragédias são transformadas em complexas teorias da conspiração para justificar as perdas, mortes e interesses políticos e financeiros. Desde o triângulo das bermudas até o 11 de setembro, hipóteses malucas justificam os atos e incidentes como criações meticulosamente planejadas por grandes instituições.

A White Star Line era uma grande empresa do início do século 20 que buscava se tornar ainda maior com o lançamento de sua Classe Olympic em 1908, composta por dois navios que foram construídos simultaneamente, o RMS Olympic e o RMS Titanic. O primeiro foi lançado um ano antes de Titanic e era o maior navio do mundo até a ocasião.

Quando o Titanic saiu, em 1912, a empresa era a mais poderosa do mundo em viagens marítimas transatlânticas com seus navios avaliados em valores exorbitantes. Para melhorar a situação, a fama de gigantes indestrutíveis dos navios fazia com que as seguradoras das embarcações aceitassem os contratos com valores altos de resgate.

Porém, o acidente que o Olympic sofreu em setembro de 1911 com o cruzador HMS Hawke deixou o navio com sérios danos, mas, de acordo com o escritor Robin Gardiner, autor do livro The Titanic Conspiracy e Titanic: O Navio que Nunca Afundou, o ocorrido serviu como a principal abertura para um plano elaborado da White Star Line.

Com a fama de inafundável, a teoria é que que J. P. Morgan, um dos sócios da companhia, junto a um sócio minoritário chamado J. Bruce, teriam planejado realizar o lançamento do Titanic junto a partida do Olympic. Porém, com o prejuízo dado meses antes pelo caríssimo conserto do navio-irmão, a equipe simularia um acidente, naufragando o Titanic propositalmente, recebendo assim o dinheiro da seguradora.

Em caso de acidente, o Titanic não só teria seus custos de conserto cobertos pela empresa de seguros, mas pagaria o valor de 750 mil libras, cobrindo os custos da manutenção anterior e ainda fazendo a empresa zerar seu déficit financeiro. O plano do naufrágio era ainda mais complexo quando Edward J. Smith, capitão do Titanic, foi chamado para colaborar.

O plano de colisão

De acordo com Gardiner, o navio seria derrubado próximo à costa americana no final do quinto dia de viagem, para que a população ainda tivesse recursos e ainda estivessem próximos de equipes de resgate. O capitão deveria proporcionar a colisão do navio de maneira que ele não pudesse mais circular sem um conserto, porém, sem oferecer riscos aos hóspedes.

Ilustração do momento de queda do navio - Créditos: Getty Images

 

Além disso, o navio mercante Californian, do capitão Stanley Lord, havia recebido uma mala de dinheiro para estar próximo ao Titanic no momento da colisão, de maneira que pudesse dispor de um resgate. A grande surpresa presente nas obras de Gardiner é de que o Titanic não havia colidido com um iceberg e sim com um dos navios de resgate recrutados.

A colisão com os barcos de ajuda justificaria as mortes e corpos desaparecidos, visto que, com um barco a menos à disposição, não caberia todos nos restantes. Um dos outros barcos que comprovadamente estavam presentes no resgate era o navio Carpathia, que salvou 706 passageiros, ultrapassando sua capacidade máxima.

Outro erro condizente com a teoria e presente nos registros históricos da viagem é a ausência de botes salva-vidas; o Titanic partiu com bem menos botes do que o adequado a esse tipo de viagem com tamanha população. Gardiner justifica que seriam um gasto descartável, visto que já havia barcos contratados para o resgate.

Além disso, há diversos relatos de que o Olympic foi travestido de Titanic para confundir a seguradora e fazer a mesma pagar os custos mais caros do que o do primeiro navio, visto que lucraria mais. As teorias conspiratórias podem até fazer sentido quando comparadas aos registros históricos, mas tiveram origem em meros erros de imprensa.

Pela ausência de imagens do Titanic, muitos jornais na época publicaram imagens do navio-irmão por equivoco, levando a registrar historicamente fotos errôneas com informações condizentes sobre o naufrágio. Sem o reconhecimento da comunidade acadêmica e de historiadores, a teoria de Gardiner só é uma teoria da conspiração.


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