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Febre e delírios: os dias finais da Imperatriz Leopoldina

Maria Leopoldina partiu deixando uma uma nação inteira em luto e inúmeros boatos tétricos

Giovanna de Matteo Publicado em 27/10/2020, às 10h49

Maria Leopoldina de Áustria, imperatriz do Brasil
Maria Leopoldina de Áustria, imperatriz do Brasil - Wikimedia Commons

Uma figura importante para a história do Brasil, a Imperatriz Leopoldina passou por diversos problemas nos seus dias finais, seja no casamento, ou na saúde, a jovem imperatriz passou por um período conturbado até a sua morte, em 1826. 

Apesar de sempre ter tido conhecimento a respeito das traições de seu marido, com o passar do tempo o relacionamento de Dom Pedro I com uma amante em especial passou dos limites. O Imperador havia colocado Domitila, que depois recebeu o título de Marquesa de Santos, como dama de companhia da Imperatriz.

Para piorar a situação, Pedro reconheceu publicamente sua filha bastarda Isabel Maria de Alcântara, a Duquesa de Goiás, ao mesmo tempo em que Leopoldina estava grávida de Francisca de Bragança.  Sua relação amorosa era movida pelo desejo de ter um herdeiro para o trono — que viria a ser seu filho, Dom Pedro II. 

“Na correspondência dela com sua irmã, ela escreve o tempo todo dizendo sua total decepção com o marido [...] Leopoldina foi uma figura absolutamente solitária, que apesar de todo esse sofrimento, vai acompanhar Dom Pedro I, ela não o desampara em momento nenhum”, afirma a historiadora Mary Del Priore em entrevista à AH.

Todavia, os dias finais de Leopoldina também envolvem um boato que até hoje intriga quem conhece a história da imperatriz. Uma lenda popular diz também que Leopoldina teria sido chutada pelo monarca, ainda grávida, sendo empurrada escada abaixo. Há quem diga ainda que a morte da austríaca foi resultado dessa agressão de Dom Pedro I. 

Mas estudos modernos feitos em análise dos restos mortais da imperatriz, não revelaram nenhum dano corporal que poderia ter ocorrido, desmentindo a lenda. Entre muitas revelações surpreendentes, a pesquisa mostrou que Leopoldina não foi empurrada da escada. Nem tampouco morreu do resultado desse suposto episódio de brutalidade.

Apesar disso, a morte de Leopoldina mobilizou a população brasileira, que tinha grande amor pela jovem imperatriz. Então, o que aconteceu com a imperatriz?

D. Pedro I e Imperatriz Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em novembro de 1826, Leopoldina teve sua saúde desestabilizada com um quadro clínico muito grave. Foram dias e dias em que a imperatriz só vomitava, sangrava e sentia fortíssimas cólicas.

Pouco tempo depois a situação piorou, quando ela passou a sofrer de intensos delírios. Assim, o óbito dela foi causado pela evolução de um quadro infeccioso: não havia indício de fratura ou "trauma muito violento". Todavia, a história mirabolante da escada não seria o único rumor. Afinal, de tão querida, o óbito de Leopoldina causou indignação. 

Boatos diziam que Domitila havia preparado uma emboscada para a esposa de seu amante, contratando um médico para envenená-la e finalmente poder assumir o seu lugar. No entanto, as especulações nunca foram comprovadas, apenas mais intriga.

Domitila de Castro, a Marquesa de Santos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim, os únicos fatos são que Leopoldina sofreu fortíssimas dores, causadas por uma febre muito alta, impossível de ser contida naquela época. Foi assim que a adorada imperatriz do Brasil passou os seus últimos momentos.

“Estamos acostumados a olhar para Leopoldina vendo um certo ‘coitadismo’. Por trás dessa mulher que sofreu, existia uma cabeça coroada. Havia uma mulher que tinha um projeto pros filhos dela, e ela queria que os filhos tivessem esse império, ela vai lentamente cedendo à ideia de que o Brasil pode ser interessante para seus filhos”, indica Mary.

Maria Leopoldina faleceu no dia 11 de dezembro de 1826, no Palácio de São Cristóvão. Amada e agraciada pelo povo, ela partiu deixando uma nação inteira em luto.


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