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Fenômeno paranormal: A instigante saga das manchas em forma de rosto da Espanha

Em agosto de 1971, Maria Gómez Cámara notou um estranho rosto no chão enquanto cozinhava. Desde então, centenas de outros apareceram em sua casa e, até hoje, ninguém sabe explicar o motivo

Fabio Previdelli Publicado em 12/12/2020, às 09h00

Imagem das caras de Bélmez
Imagem das caras de Bélmez - Divulgação

Maria Gómez Cámara estava na cozinha de sua casa, em Bélmez de la Moradela, em Jaén, na Espanha, quando uma mancha no chão chamou sua atenção. Era 23 de agosto de 1971. A marca parecia muito um rosto humano. Ali, Maria não sabia, mas acabara de abrir as portas para um dos fenômenos midiáticos mais famosos das últimas décadas.  

Desse primeiro rosto, que se assemelhava ao Santo Rosto da Catedral de Jaén, não há registro, afinal, cansado da avalanche de vizinhos que queriam visitá-lo, Miguel Pereira, um dos filhos de Maria, decidiu raspá-lo e cobri-lo com um pouco de cimento.  

Com isso, acreditava ter enviado quaisquer indícios de atividade paranormal para um lugar melhor e que lhe traria mais tranquilidade. Estava errado. Alguns dias depois, outra imagem apareceu no mesmo lugar.

Aquele seria o primeiro de centenas de outros rostos que apareceriam na casa e na calçada da residência ao longo dos próximos anos. 

Rosto encontrado na casa de Maria Gómez / Crédito: Wikimedia Commons

 

A notícia logo se espalhou, atraindo cada vez mais a atenção de curiosos. Diante do cenário que a questão das manchas estava causando, o prefeito do povoado, Manuel Rodríguez, mandou abrir um buraco de 2,80 metros para saber o que havia sob os rostos.  

“Eles encontraram um osso”, disse Javier López à ABC. “[eles] descobriram um esqueleto, cujo dono, segundo uma análise forense, era um homenzinho que foi enterrado naquele lugar no século 12". 

Soube-se que, a Casa do Bispo, como era conhecida a residência, fora construída sobre um cemitério. Por isso, segundo dizem, vozes também foram relatadas no local. De acordo os moradores, a casa também foi palco de episódios bastante inusitados ao longo da história. Dizia-se que, por volta do século 15, vivia ali um inquisidor que fazia cruéis sacrifícios de mulheres e crianças pequenas.  Ou seja, uma série de lendas.

Com o desenrolar cada vez mais bizarro dessa história, a curiosidade pelo local ganhou proporções inimagináveis, onde, em picos nos finais de semana, cerca de 10.000 pessoas se dirigiam até a casa para ver com seus próprios olhos aquilo que não acreditavam quando lhes contavam.  

Suspeitas de fraude 

Com o interesse despertado pelo fenômeno, surgiram também as suspeitas de que os rostos de Bélmez fossem uma fraude. Em uma carta ao editor, um leitor criticou, em março de 1972, a série de "folhetins ficcionais” que estavam sendo publicados sobre a aparência daquelas "faces duras como o mesmo cimento em que estão embutidos ". 

Muitos diziam que as imagens foram pintadas por membros da família Pereira ou até mesmo por algum pintor viciado em cloreto de nitrato de prata, sensível à radiação ultravioleta. O então ministro do Interior, Camilo Alonso Vega, enviou o parapsicólogo José Luis Jordán com uma equipe para investigar o assunto.  

Um dos rostos encontrados na casa / Crédito: Divulgação

 

“Voltámos convencidos de que tudo era uma pequena fraude, embora não acredite que o dono da casa, María Gómez Cámara, seja responsável. Para nós, não havia evidências de que era um fenômeno paranormal. As faces foram feitas, uma com silicato de cálcio diluído e outra com uma mistura de fuligem e vinagre. É o que afirma o relatório que deve estar em poder do atual Ministério do Interior", explicou à época em entrevista coletiva. 

O relatório, no entanto, rendeu a Jordán inúmeras críticas de outros parapsicólogos, que estavam convencidos das autenticidades dos rostos. “O fenômeno é autêntico e, como tal, sua causa paranormal, ou seja, sem qualquer explicação dentro da física natural”, defendeu o parapsicólogo Germán de Argumosa .  

Em sua opinião, “coincidindo com a repetidamente expressa publicamente pelo professor Hans Bender, da Universidade de Freiburg im Breisgau, assim como por outros cientistas”, a causa dessas “teleplastias” era “extradimensional”. "Está fora do nosso espaço e tempo", disse em entrevista concedida em 1973. 

Mais polêmica

Por instrução de Argumosa, a cozinha da casa foi lacrada, embora, segundo ele, a intenção não fosse verificar o fenômeno "que já não oferece a menor dúvida aos cientistas", mas sim "tentar descobrir por esse procedimento qual é a sua função do elemento humano, se neste caso o tiver, dentro do fenômeno que nos preocupa”. 

Assim, outra cozinha foi construída para Maria. Porém, novos rostos começaram a surgir nela também. O mais surpreendente de tudo é que, quando a cozinha selada foi aberta, um ano depois, outros 17 novos rostos haviam aparecido por lá.  

Para os vizinhos, Maria Gómez foi quem causou essas imagens, que foram se transformando com o tempo. Como descreveu Manuel López, "eles passam por metamorfose para depois se transformarem em rostos mais complexos, vitalistas, impulsivos e apaixonados". A dona da casa acreditava que eles tinham algo a ver com seu estado pessoal e emocional e não descartou que seus rostos desapareceriam quando ela morresse. 

Algumas mulheres idosas asseguraram que a ausência de mulheres em casa produzia uma diminuição e opacidade dos rostos. Segundo relatam, durante uma temporada, quando Maria ficou com febre, os rostos perderam cor e quase desapareceram.  

Mistério continua 

Maria Gómez Cámara faleceu em fevereiro de 2004. Porém, ao contrário do que acreditava, os rostos não morreram com ela, muito pelo contrário, as faces na casa só não desapareceram, como se multiplicaram e até mesmo passaram a aparecer em uma outra casa, justamente onde Maria nasceu, localizada a poucos metros dali.  

Mais tarde, novas "teleplastias" foram relatadas em outras ocasiões que, na opinião da Sociedade Espanhola de Pesquisas Parapsicológicas, não eram "o resultado da ação humana".

Imagem das caras de Bélmez / Crédito: Divulgação

 

Hoje existe em Bélmez um centro de interpretação para esses rostos fantasmagóricos que continuam a suscitar opiniões díspares. Há quem defenda a sua autenticidade e assegure que é o maior fenómeno paranormal de todos os tempos, outros que são simplesmente uma farsa monumental.

Em 2011, por exemplo, um grupo de investigadores anunciou que as manchas seriam analisadas novamente. Na época, Diego Fuentes, então presidente do Grupo de Pesquisas Parapsicológicas de Bélmez, afirmou que os registros no local eram 'pequenas teleplastias surpreendentes' e que seriam averiguadas.


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