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Fidel Castro recrutou antigos oficiais nazistas para treinar o exército cubano

O nazismo não é de esquerda, mas isso pouco importava para o ditador cubano na hora de fazer valer seus interesses

Vinícius Buono Publicado em 29/07/2019, às 14h00

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- Crédito: Reprodução

Em 1962, a instalação de mísseis soviéticos em Cuba gerou uma crise gigantesca que por muito pouco não culminou numa guerra nuclear entre as duas superpotências da Guerra Fria, algo que muitos encaravam como o fim do mundo. O episódio, conhecido como Crise dos Mísseis, quase fez o conflito esquentar, de fato.

Após inúmeras negociações, os russos concordaram em retirar os mísseis de sua localização no Caribe. No entanto, os americanos deveriam retirar os seus explosivos da Turquia. A crise durou 13 longos dias e, além do drástico aumento da polarização entre os dois mundos envolvidos no conflito, levou os americanos a expandirem o bloqueio econômico e diplomático sobre a ilha.

O que não se sabia à época, porém, é que o ditador cubano, Fidel Castro, também tinha tomado suas próprias e secretas precauções. Com a guerra parecendo cada vez mais iminente e inevitável, Castro não queria depender exclusivamente da ajuda da URSS. Para atingir essa autonomia, fez um pacto com o diabo: contratou quatro ex-oficiais da SS, a elite nazista, para treinar tropas na ilha caribenha.

De acordo com documentos do serviço de inteligência alemão revelados em 2012 (50 anos depois do episódio), o ditador teria pago uma quantia de mil marcos alemães por mês em moeda cubana e mais mil em qualquer moeda desejada. Dos quatro contratados, apenas dois chegaram à ilha.

Fidel mostrou não ter problemas em negociar com integrantes da extrema-direita para fazer valer seus interesses. Ele também teria negociado com outros alemães, ex-integrantes das tropas nazistas e participantes de grupos de extrema direita, a compra de armas. Segundo a inteligência alemã, Castro ficou extremamente descontente com a forma como os soviéticos lidaram com a situação e queria armar seu exército de uma maneira que não passasse pelo Kremlin.

Fidel Castro e o então Secretário Geral do Partido Comunista da URSS, Nikita Khrushchev / Crédito: Reprodução

 

O governante liderou o país até 2006, quando, por problemas de saúde, iniciou o processo de transmissão do poder ao vice-presidente, seu irmão Raúl Castro. Fidel faleceu em 2016, aos 90 anos, em Havana.

As relações diplomáticas entre os EUA e Cuba foram cortadas pouco antes da Crise dos Mísseis, em 1961, e somente em 2014 o então presidente Barack Obama as restituiu, sendo o primeiro líder norte-americano a visitar a Ilha desde 1928. No início do mandato de seu sucessor, Donald Trump, as relações foram novamente recrudescidas.