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Fila para morte e aborto forçado: 5 curiosidades sobre a perturbadora vida das grávidas de Auschwitz

Visto como uma ameaça ao fim da soberania nazista, as gestantes dos campos de concentração eram vistas como inimigas pelos oficiais

Wallacy Ferrari Publicado em 16/09/2020, às 09h23

Grávidas se enfileiram em um dos campos de concentração
Grávidas se enfileiram em um dos campos de concentração - Domínio Público

Em certa ocasião, Heinrich Himmler, um dos líderes do partido nazista, externou ódio as possíveis gerações de judeus que, historicamente abaladas pelos ataques nazistas, poderiam se revoltar: “Não me parece justificável exterminar os homens [...] e deixar que seus filhos cresçam e se vinguem de nossos filhos e netos”.

Com tal filosofia, o partido entendeu que as crianças eram um dos principais alvos nos campos de concentração, tornando uma prioridade o fim de gestações e, em caso de nascimentos, o extermínio das crianças, de maneira que não proliferassem o tal “sangue impuro” para a Alemanha.

Confira 5 curiosidades sobre a perturbadora vida das grávidas de Auschwitz

1. Alimentação anti-sexo

Por se tratar de uma necessidade, o controle de natalidade era diretamente ligado aos oficiais, sem relação com grupos de saúde. Por isso, a violência para evitar relações sexuais era amplamente testemunhada nos campos de concentração, afastando homens de mulheres e alterando até mesmo suas dietas.

Sugerida pelo partido, os oficiais mudaram a alimentação dos judeus fortalecendo o nitrato de potássio na comida, de maneira que o componente diminuísse a vontade de se relacionar sexualmente. O material químico anafrodisíacos era ligado à falta de vitaminas, que pouco impulsionava a dopamina e a testosterona.


2. Salvadora de grávidas

Gisella Perl era uma ginecologista romena que foi convocada na Polônia por Mengele para reanimar judias inconscientes após sessões forçadas de retirada de sangue, destinados aos soldados. Em 1943, no entanto, sua função foi remanejada para o controle de natalidade dor judeus, onde os nazistas estavam acirrando os esforços para evitar nascimentos — matando recém-nascidos ou mulheres grávidas em câmaras, injeção letal ou afogamentos.

Fotografia de Gisella Perl, responsável por controlar a natalidade nos campos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ciente disso, Perl propôs, para todas as grávidas que teve acesso, abortos seguros antes que os oficiais soubessem de suas gestações. Dessa maneira, Gisella evitou diversos assassinatos violentos e mortes de filhos após os nascimentos. Após a libertação, a médica publicou suas memórias do campo de concentração em 1948, divulgando ao mundo seu papel contra a violência.


3. Gravidez indesejada

Nem sempre as relações sexuais eram utilizadas como mecanismo de prazer, amor e intimidade pelos internos. De acordo com Gisella Perl, a inibição da libido feminina fez com que o sexo se tornasse um mecanismo de troca para que os homens tivessem como definir valor nas realizações que as mulheres não conseguiam ter acesso.

O ponto de encontro era ao lado dos crematórios: “Era ali que prisioneiras e prisioneiros se encontravam para ter relações sexuais furtivas e sem alegria, nas quais o corpo era utilizado como uma mercadoria com a qual pagar os produtos de que tanto se necessitava e que os homens eram capazes de roubar dos armazéns” afirmou Perl.


4. Salvos nos dias finais

Há registros de apenas três casos de crianças que conseguiram completar a infância após nascer em campos de concentração nazista; suas mães conseguiram esconder a gravidez com roupas longas e omitindo informações para oficiais, trabalhando em uma mesma fábrica de componentes para aviões de guerra.

Mães posam com filhos no campo de Dachau, Alemanha / Crédito: United States Holocaust Memorial Museum

 

A primeira grávida a ter o filho foi Priska Lowenbeinova, que só não teve a filha retirada pois, no dia seguinte, todos os trabalhadores seriam mortos em Buchenwald. O local acabou sendo tomado e a viagem mudou para o campo de Mauthausen, com Anka Nathanová e Rachel Abramczyk tendo os outros dois filhos dentro dos comboios. As crianças foram escondidas nas roupas, antes de serem mandadas para a execução.


5. Um começo de sorte

De acordo com a jornalista britânica Wendy Holden no livro ‘Os Bebês de Auschwitz’, os bebês que conseguiram nascer e crescer contaram com uma grande sorte; ao chegarem no campo em que seriam mortos junto as suas mães, o gás das câmaras havia acabado, fazendo que os mais de 16 mil trabalhadores aguardassem as próprias execuções no frio intenso, no dia 28 de abril de 1945.

Em 29 de abril, dia seguinte, Adolf Hitler se suicida, enfraquecendo o partido nazista e externando a vulnerabilidade do exército alemão. Nos dias seguintes, o gás não chegou e as tropas acabaram se rendendo em 8 de maio, libertando os judeus. As crianças que conseguiram sobreviver ao período de guerra são identificadas como Anna, Eva e Mark, mas outras gestações, que iniciaram nos campos de concentração, foram concluídas após a guerra.


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