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Filhos bastardos e traições: o casamento infernal de Henrique II e Eleanor da Aquitânia

Disputas políticas e episódios caóticos fizeram a relação acabar em uma grande rebelião

Vanessa Centamori Publicado em 22/03/2020, às 09h00

Eleanor da Aquitânia e Henrique II
Eleanor da Aquitânia e Henrique II - Divulgação

Em 1152, quando Eleanor da Aquitânia se casou com Henrique II, ela havia acabado de se divorciar do rei da França,Luís VII. Ao lado do monarca francês, ela teve duas filhas e nenhum filho homem. Além de muitas discussões, a ausência de um filho foi o que levou o último casamento da duquesa ao declínio. Agora, uma nova história  surgia - mas ela também não teria final feliz.

Dois anos depois do casamento de Henrique II e Eleanor da Aquitânia, em 1154, ele tornou-se rei da Inglaterra e ela, rainha. O monarca era onze anos mais jovem do que a mulher. A união das terras de Henrique II no Império angevino e no norte da França com os territórios de Eleanor na Aquitânia, acabaram criando um enorme Império que ia da Escócia até a cordilheira dos Pireneus, que separa a Península Ibérica do restante da Europa. 

Tudo parecia bem. Henrique consolidava os territórios com força e vigor, assim como sua esposa. Ela não cansava de viajar exaustivamente para fortificar seu bloco político e quando o rei estava fora de casa, a monarca se ocupava com questões governamentais e administrativas. Os 7 filhos do casal eram até levados por ela quando ela tinha que fazer viagens de negócios reais. 

Obra retrata Eleanor e Henrique II de mal humor / Crédito: Divulgação 

 

Mas tudo mudou com uma sequência de adultérios, por parte de Henrique II. O rei teve vários filhos com suas amantes, muitos dos quais permaneceram em segredo. A primeira das amadas do soberano foi Rosamund Clifford, a “Bela Rosamund", com quem ele começou a ter um affair quando tinha 40 anos de idade, em 1170.

Outra amante era conhecida como meretriz Ykenai. Ela teria tido um filho com Henrique II, chamado Geoffrey, que se tornou bispo. Ele era o filho mais velho entre os que o rei teve com suas amantes. Não se sabe se a paternidade de Geoffrey foi assumida por Henrique II, mas ele muito provavelmente sabia que o bispo era sangue do seu sangue. 

Outra filha que Henrique II teve com uma das amantes foi Matilda. Ela era a única conhecida do público e existem indícios de que nasceu no mesmo período que Geoffrey. A referência mais antiga à Matilda é de 1175, portanto a moça não era filha de Rosamund. 

Rosamund Clifford, a “Bela Rosamund", que teve um affair com Henrique II / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Assim como o meio-irmão Geoffrey, Matilda ingressou na vida religiosa. Ao longo de sua trajetória, a filha bastarda do rei Henrique II fez diversos votos de castidade. O pai sabia que ela era fruto de um relacionamento adúltero. No entanto, o monarca não imaginava que seria traído pelos próprios filhos.

Eleanor da Aquitânia, durante cerimônia / Crédito: Divulgação/ Pinterest

 

O golpe

Não pense que o rei Henrique II teve suas amantes e ficou por isso mesmo. Outro fator também comprometeu o casamento dele com Eleanor: uma grande revolta, orquestrada por alguns dos filhos do casal. 

Isso ocorreu no ano de 1173, quando a rainha se aliou aos próprios filhos para conspirar contra o rei. A decisão dela pode ter ocorrido por uma série de fatores - entre eles não só os adultérios, como também o envolvimento de Henrique II com suas terras e assuntos políticos. 

Quando a rebelião começou a ir mal, a rainha foi capturada e buscou refúgio na França. Não funcionou, pois Henrique II a trouxe de volta para a Inglaterra. Eleanor então foi colocada em uma prisão, na região onde fica a cidade de Salisburia.

A rainha ficou 15 anos em reclusão, sem mais exercer seu papel na vida pública. Henrique II perdoou os filhos e continou no trono, até que morreu em julho de 1189. No lugar dele, assumiu seu filho Ricardo I, como rei. 

Eleanor, por sua vez, foi finalmente liberta com a morte do ex-marido. Quando o seu filho Ricardo partiu para a Terceira Cruzada da Inglaterra (1189 -1192), a soberana tornou-se regente do país. Leonor faleceu em 1204 e foi sepultada na Abadia de Fontevraud, junto de Henrique II e Ricardo I.


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