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Filmado de perto: o óbito em alto mar de Steve Irwin, o caçador de crocodilos

Conhecido mundialmente por enfrentar animais selvagens, o ambientalista morreu fazendo o que mais amava: registrando a fauna marinha

Wallacy Ferrari Publicado em 14/04/2020, às 14h46

Steve Irwin em uma de suas aventuras
Steve Irwin em uma de suas aventuras - Divulgação

Steve Irwin fez sucesso mundial e impressionou milhares de telespectadores com suas arriscadas aventuras na selva encarando, examinando e até tendo contato físico com diversos animais selvagens. Filho do criador do principal zoológico da Austrália, seus conhecimentos e carisma ao explicar com simplicidade como agia os bichos alavancava a audiência do Discovery Channel no final dos anos 1990.

No início dos anos 2000, como um projeto de expansão dos canais, o Discovery Kids integrava o ambientalista em seu elenco para realizar programas de aventuras animais com toda sua família, incluindo sua esposa Terri, que trabalhava no Australian Zoo, e seus dois filhos, Robert e Bindi, que participavam do programa de maneira a interagir com os animais.

Em ambos os canais, Irwin realizou centenas de gravações com bichos de todos os tipos, e se tornou presença frequente em programas de entrevistas, levando sempre animais para os apresentadores acariciarem. Porém, seu animal mais frequente era o crocodilo. Assim, Steve ficou conhecido como “o caçador de crocodilos”.

Sempre agindo de maneira pacífica, o ambientalista era o contrário do apelido; não apoiava a caça e tinha uma organização de defesa dos animais. Os bichos, por sua vez, não recebiam Steve tão bem, com um histórico de vários ataques, sendo muitos deles televisionados. Na frente das câmeras, uma cobra o mordeu no rosto, uma iguana atacou seu tornozelo e um crocodilo quase o matou ao agarrar seu punho.

Steve Irwin em uma de suas apresentações arriscadas no Australian Zoo / Créditos: Wikimedia Commons

 

Os constantes ataques não intimidaram o apresentador, que continuou prosseguindo com as gravações frequentes até seu último dia de vida. O inesperado, no entanto, seria sua morte, que surpreendentemente não seria causada por um animal conhecido pela violência. O bicho que matou Irwin, na verdade, teve medo do homem.

A última aventura

Em 4 de setembro de 2006, Steve Irwin gravava um documentário para a televisão chamado Ocean’s Deadliest, que relatava os animais mais mortíferos da fauna marinha em Queensland, costa norte da Austrália. Lá, realizou diversas filmagens na Grande Barreira de Coral de Port Douglas, onde analisou a ação de alguns animais enjaulados, como tubarões e baleias.

O mal tempo impossibilitava a realização de um acompanhamento seguro nas águas profundas da barreira, interrompendo as filmagens. Companheiro de longa data de Irwin, o cinegrafista Justin Lyons foi chamado pelo ambientalista para aproveitar a oportunidade e gravar junto a algumas arraias que havia avistado.

Sem nenhum equipamento de segurança e trajando o famoso uniforme de seu zoológico, Irwin afirmou que as imagens seriam úteis para o programa de sua filha, que estrearia no ano seguinte. Ambos se prepararam rapidamente para estabilizar o barco e logo mergulharam junto as arraias. Justin fazia imagens de Steve ao lado de uma raia do tipo Myliobatiformes, há cerca de 3 metros de distância.

Steve Irwin, momentos antes de mergulhar pela última vez / Créditos: Divulgação

 

Irwin, como de costume, fez questão de se aproximar do animal, sem interferir em seu caminho. Enquanto Justin filmara a cabeça da raia, a mesma interrompeu seu trajeto, apoiou-se em frente ao ambientalista e o atacou com golpes rápidos com sua pontuda cauda em direção ao peito. Além de longa, a farpa da raia liberava um veneno nocivo ao corpo humano.

Em poucos segundos, as manchas de sangue tomaram o espaço ocupado pelos homens na água, porém, conseguiu estancar um sangramento ainda maior. Inicialmente, Irwin acreditou que apenas seu pulmão havia sido perfurado, mas o coração havia sido atingido. Com a hemorragia, ele foi amparado pelo repórter cinematográfico com agilidade, mas não resistiu até a ilha Low, onde foi analisado por uma equipe médica local que constatou o falecimento.

A gravação foi usada para investigar as causas da morte, mas foi concluída rapidamente e teve a causa atribuída a perda de sangue do ferimento e não pelo veneno. A fita nunca foi divulgada pela emissora e houve uma solicitação para que todas as cópias fossem destruídas, o que era algo fora do poder do Discovery, visto que algumas delas pertenciam a polícia local. Seus filhos e esposa seguiram no ramo e hoje administram o Australian Zoo.


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