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Filme de terror na vida real: o terrível caso do Assassino do Cinema

Em 1999, o estudante Mateus da Costa Meira assistiu 15 minutos de um filme e, então, disparou contra a platéia com uma submetralhadora

Pamela Malva Publicado em 08/04/2020, às 16h00

Mateus da Costa Meira, o Assassino do Cinema
Mateus da Costa Meira, o Assassino do Cinema - Divulgação/Youtube

Apaixonada por fotografia, Fabiana Lobão Freitas, de 25 anos, decidiu ir ao cinema no dia 3 de novembro de 1999. Naquela noite, por volta das 9h15, a fotógrafa sentou-se em uma das primeira fileiras da sala no Morumbi Shopping, em São Paulo.

O inédito Clube da Luta era reproduzido na telona e, por se tratar de uma estreia, as cadeiras estavam quase totalmente ocupadas. Todos assistiam à trama quando, de repente, a inofensiva sessão de cinema virou um pesadelo fatal.

Após 15 minutos de filme, Fabiana foi atingida por um tiro que vinha de dentro da sala, disparado por um homem na frente da tela. As coisas ficaram um pouco confusas e a fotógrafa sentiu seus olhos se fechando. Ela morreu alí mesmo.

Sala dos horrores

Aos 24 anos, o estudante Mateus da Costa Meira sempre sentiu que corria perigo. Ele ouvia vozes e tinha certeza que estava sendo perseguido constantemente. No dia 3 de novembro, foi esse sentimento que o fez sair do hotel Príncipe sem rumo.

Confuso, ele pegou um táxi sem saber para onde ir e, no meio do caminho, decidiu parar no Morumbi Shopping. Mateus caminhou pelo local por algum tempo e, por volta das 21h, decidiu entrar na mesma sessão que Fabiana.

Mateus da Costa Meira, já detido / Crédito: Divulgação/Youtube

O jovem estudante sentou-se na primeira fileira da sala e assistiu ao início do filme. Quinze minutos mais tarde, escutou vozes e sentiu que estava sendo observado. Nervoso, Mateus saiu da sala e caminhou até o banheiro.

No lavatório, ele sacou uma submetralhadora e disparou contra o espelho. De volta à sessão de Clube da Luta, ele empunhou a arma novamente e atirou contra as pessoas na platéia, que, inicialmente, pensaram que os tiros vinham do filme.

Após o choque, ele foi jogado no chão por um dos espectadores do filme e, em seguida, foi imobilizado pelos seguranças do cinema. Mateus foi preso em flagrante após o tiroteio, que durou cerca de três minutos.

As investigações

Uma vez detido, Mateus, que ficou conhecido como O Atirador do Cinema, narrou todos os seus passos ao delegado Olavo Reino Francisco. Em testemunho, ele explicou que teria conseguido a arma com o seu fornecedor de drogas.

Segundo o delegado, o filme teria sido escolhido à dedo, já que se tratava sobre um protagonista com esquizofrenia. Ainda mais, Mateus alegou não saber mexer com a arma, que estava no modo intermitente e, por isso, não disparou rajadas.

Durante as investigações, o delegado falou com testemunhas que disseram que, entre alguns tiros e outros, Mateus caminhava pela sala do cinema. De forma fria, ele olhava para as pessoas e até chegou a assistir algumas cenas do filme com a arma em mãos.

De acordo com algumas testemunhas, Mateus chegou a recarregar a submetralhadora, fato que o criminoso negou com veemência. No total, o assassino matou três pessoas, feriu cinco e traumatizou mais de 15 que entraram em pânico na hora.

Delegado Olavo Reino Francisco com a arma usada no crime / Crédito: Caio Guatelli

 

Uma mente doente

Em seus testemunhos iniciais, Mateus confessou que teria iniciado o tiroteio porque sentia que as pessoas na sessão o estavam observando. Segundo o próprio criminoso, ele tinha as sensações de perseguição desde seus 16 anos.

A partir dessas alegações, a defesa do criminoso afirmou que Mateus tinha apenas uma consciência parcial de seus atos. Nesse sentido, afirmavam que ele ouvia vozes, tinha crises de agressividade e um comportamento solitário.

Mesmo assim, Mateus foi sentenciado a mais de 120 anos de regime fechado e, em seguida, condenado aos 30 anos máximos previstos pela Justiça. Em 2009, ele foi transferido para a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, onde ele nasceu.

Mateus já na delegacia / Crédito: Caio Guatelli

 

Em maio do mesmo ano, Mateus tentou assassinar seu companheiro de tela, Francisco Vidal Lopes, de 68 anos. Pela tentativa de homicídio, ele logo foi indiciado, mas a Justiça da Bahia decidiu, por júri popular, absolver a acusação, em 2011. 

Os argumentos usados pela defesa de Mateus foram considerados até mesmo pela promotoria do caso, que atestou as doenças mentais apresentadas pelo estudante. Assim, ele foi transferido para o Hospital de Custódia e Tratamento, em Salvador. 

Em novembro de 2019, novos laudos médicos confirmaram que Mateus estaria “compensado, funcional, sem qualquer alteração de comportamento que indique periculosidade". Dessa forma, ainda que o Ministério Público baiano tenha solicitado um segundo exame, o criminoso pode ser solto a qualquer momento.


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