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O fim da Guerra Civil Espanhola e o início da ditadura Franquista

Ao ser auxiliado por figuras como Hitler e Mussolini, e com a subida ao poder de seu grupo, Francisco Franco deu início à ditadura na Espanha

Reinaldo José Lopes Publicado em 24/10/2019, às 08h00

Tropas de Franco durante o fim do conflito
Tropas de Franco durante o fim do conflito - Crédito: Getty Images

Em 1939, chegava ao fim o conflito armado ocorrido na Espanha, que levou à morte de aproximadamente 400 mil pessoas. A Guerra Civil Espanhola se encerrou com o fim da Segunda República e a subida ao poder de um grupo de cunho fascista liderado pelo general Francisco Franco, denominado Movimento Nacional.

Franco foi auxiliado por figuras como Hitler e Mussolini no andamento dos conflitos, e a subida ao poder de seu grupo levou ao início da ditadura Franquista.

É cômodo dizer que uma guerra era inevitável, depois de ter ocorrido. No entanto, o caso do conflito que dividiu a Espanha, a partir de julho de 1936, foi um desastre há muito anunciado. Por várias décadas, não existiu entendimento na política espanhola, e o quadro só piorou no início de 1930.

O grande problema era a polarização: o país tinha se dividido no campo ideológico. Direita e esquerda viam-se em posições irreconciliáveis. Cada lado se considerava o verdadeiro representante do que a Espanha deveria ser, situação que levou vários historiadores a usar a expressão duas Espanhas. Aliás, duas é pouco.

É mais correto falar em inúmeras Espanhas, porque diversos grupos disputavam o poder. Havia, por exemplo, dois movimentos monarquistas; organizações totalitaristas como a Falange, inspiradas no fascismo e no nazismo; vários partidos socialistas e comunistas; e — fenômeno típico do país — muitos anarquistas, que desprezavam a ordem política tradicional.

Mais soldados em ação

A divisão, porém, era mais profunda: estendia-se pelas regiões industrializadas, como o norte e a Catalunha (onde a maioria do povo era favorável à República e pendia para a esquerda), e áreas rurais e tradicionalistas, como a Andaluzia e a Galícia, com grande massa de camponeses explorados pelos senhores de terras e da Igreja.

Some-se a isso um panorama internacional também polarizado, no qual os países democráticos (como a própria Espanha, a França e o Reino Unido) estavam se tornando minoria diante de ditaduras de direita ou de esquerda (Alemanha, Itália e União Soviética).

O desastre começou quando o primeiro governo republicano foi formado, após a abdicação do rei Afonso XIII, em outubro de 1931. Dominado por socialistas e liberais esquerdistas, suas primeiras medidas foram expulsar os jesuítas do país e tirar das mãos da Igreja o sistema educacional, o que enfureceu os conservadores. Além disso, o governo priorizou a regularização das condições de trabalho no campo e a reforma agrária – um golpe doloroso para os latifundiários.

As medidas de orientação esquerdista não duraram muito. No fim de 1933, novas eleições levaram ao poder uma coalizão de centro-direita, que desfez ou minimizou boa parte das últimas reformas. No ano seguinte, rebeldes anarquistas e operários levantaram-se contra o governo nas Astúrias e na Catalunha.

As rebeliões foram reprimidas pelo exército, mas outros levantes, incluindo ataques ao clero católico, continuaram durante os meses seguintes, até que as urnas recolocaram no poder as forças liberais e de esquerda, com a Frente Popular, em fevereiro de 1936.

Uma série de assassinatos políticos de ambos os lados manteve as tensões. Muitos dos principais militares espanhóis, que não simpatizavam com o novo rumo que a República havia tomado, foram mandados para comandos distantes — como aconteceu com o próprio Francisco Franco, enviado para as ilhas Canárias.

Ao lado de outros generais poderosos e da direita, Franco planejou um golpe militar contra a República, incitando rebeliões em quartéis de todo o país. O plano entrou em ação em 18 de julho de 1936, mas falhou em boa parte da Espanha. O que deveria ter sido um pronunciamento (nome dado pelos espanhóis a um golpe militar) começou a se transformar em uma guerra civil.

Contando com um exército forte e uma direita unida, o ditador Francisco Franco  dominou o país no ano de 1939. Como consequência, a Espanha viveu sob um regime ditatorial até 1975, ano em que o tirano faleceu.


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